Startups: Após aporte do iFood, Daki volta a discutir expansão nacional

Expansão geográfica, IA operacional e programa de fidelidade marcam a nova fase da startup, que se aproxima de R$ 1 bilhão em receita anualizada

Gabriela Del Carmen Startups

Rafael Vasto, CEO e cofundador da Daki (Crédito: Divulgação)
Rafael Vasto, CEO e cofundador da Daki (Crédito: Divulgação)

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Cinco anos após surgir com a proposta de reinventar a compra de supermercado online, a Daki acredita ter chegado a um ponto de virada. A startup, que opera com entregas em poucos minutos e estoque próprio, afirma ter consolidado um modelo escalável para a categoria e agora prepara uma nova fase de crescimento, marcada pela expansão geográfica e por novos investimentos em tecnologia.

Segundo Rafael Vasto, CEO e cofundador da Daki, a empresa está próxima de R$ 1 bilhão em receita anualizada, cresce mais de 50% ao ano e registra tempo médio de entrega inferior a 15 minutos. Para ele, esses indicadores refletem o amadurecimento de uma operação construída desde o início para funcionar no ambiente digital.

“Chegamos em um playbook escalável. Conseguimos entregar pedidos rentáveis, alta satisfação do cliente e uma proposta de valor diferenciada. Agora, o momento é pensar nos próximos anos”, afirma, em entrevista ao Startups.

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A oportunidade, aponta Rafael, ainda é significativa. Embora o supermercado seja uma das maiores categorias do varejo brasileiro, a maior parte das compras continua acontecendo no mundo físico. Ao mesmo tempo, o segmento online ainda não possui um líder consolidado, diferentemente do mercado de delivery de refeições. “Temos um negócio de bilhão de reais em um mercado de trilhão. O potencial ainda é de ordens de grandeza do que está sendo capturado hoje”, avalia.

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A volta da expansão

A possibilidade de uma nova expansão geográfica voltou a ganhar espaço nas discussões da Daki. Após um período focado em consolidar a operação no Sudeste e refinar seu modelo de negócios, a empresa passou a avaliar os próximos passos para ampliar sua presença no país. “Mantivemos a cobertura geográfica no Sudeste. Quem sabe, em breve, seja o momento de retomar a expansão”, afirma Rafael.

A empresa ainda não revela cidades ou metas, mas confirma que o tema está no centro das conversas com investidores e da estratégia para os próximos anos. “Queremos levar o negócio para mais clientes. Para isso, precisamos fazer uma expansão geográfica. Ainda estamos definindo os planos internamente e, quando tivermos notícias, vamos abrir para o mercado”, afirma Rafael.

A nova fase da Daki também ocorre em meio a uma reorganização do mercado de delivery no Brasil. Enquanto iFood, Rappi, 99 e Keeta disputam espaço em categorias como refeições, conveniência e entregas rápidas, a startup manteve o foco no supermercado digital. A estratégia contrasta com a de diversos players que entraram no segmento nos últimos anos e acabaram reduzindo operações ou redirecionando seus negócios diante dos desafios de escalar a categoria.

Na avaliação de Rafael, a permanência da Daki está ligada à decisão de construir desde o início uma operação própria, com foco em logística, tecnologia e experiência do cliente. “Construímos o negócio com a crença estrutural do que precisaria acontecer para o supermercado digital dar certo, e nos mantivemos fiéis a essa visão”, afirma.

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A expansão é acompanhada por uma evolução contínua da proposta de valor da empresa. “O mundo muda muito rápido, desde os prazos que as pessoas esperam até os produtos que elas querem comprar. É muito dinâmico. Queremos estar à frente em tudo que envolve a experiência do cliente e seguir investindo nessa frente”, destaca.

iFood no captable

A nova fase de crescimento acontece com o iFood como sócio minoritário. Anunciado em maio, o investimento formalizou uma relação que já existia operacionalmente desde 2024, quando a Daki passou a integrar o ecossistema da plataforma. O iFood adquiriu uma participação inferior a 5%, em uma operação cujo valor não foi divulgado.

Segundo Rafael, a entrada do iFood não altera a independência da companhia nem sua estratégia de longo prazo. “Eles são um investidor minoritário de equity, assim como os outros que a gente tem”, afirma.

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A parceria, segundo ele, reforça a visão compartilhada de que ainda existe espaço relevante para crescimento no mercado de supermercado online.

Ainda assim, Rafael destaca que a maior parte das vendas da Daki continua vindo dos canais próprios da empresa. “A maioria do volume de vendas é da nossa plataforma proprietária. É uma plataforma na qual continuamos investindo bastante”, diz.

Investimentos em IA

Outro pilar da estratégia da empresa é a inteligência artificial. Embora o tema tenha ganhado destaque nos últimos anos, Rafael afirma que a Daki vem construindo sua infraestrutura de dados desde a fundação.

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Segundo ele, a empresa desenvolveu produtos e bases proprietárias que hoje permitem aplicar IA em diferentes etapas da operação. “Quando você pega o nosso pitch desde 2021, machine learning e inteligência artificial já apareciam como ponto central”, afirma.

A tecnologia é utilizada tanto em funcionalidades voltadas ao consumidor quanto em processos internos. Entre os exemplos citados pelo executivo estão sistemas de recomendação de produtos durante o checkout, personalização de campanhas de CRM de acordo com o perfil de cada cliente e a automatização de atividades operacionais, como a reconciliação de dados fiscais enviados por fornecedores.

“Temos hoje uma série de agentes atuando em cada uma dessas etapas, o que permite ser muito mais rápido e granular na tomada de decisões”, pontua.

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Para Rafael, a aceleração recente da IA encontrou a empresa em uma posição favorável. “A gente se pegou muito bem preparado para isso e consideramos a Daki uma empresa nativa de IA.”

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Fidelização como próxima fronteira

Além da expansão geográfica, a Daki continua apostando no fortalecimento de seu canal próprio. Uma das iniciativas é o Clube Daki, programa de fidelidade que oferece benefícios recorrentes, incluindo entregas gratuitas.

Embora ainda esteja em estágio inicial, o serviço já responde por uma parcela relevante das vendas da companhia. “Mais de 10% das compras já vêm do clube”, afirma Rafael.

Para a empresa, a aposta em fidelização faz sentido em uma categoria marcada por compras recorrentes e pela necessidade de construir hábitos de consumo no ambiente digital.

O fortalecimento do Clube Daki se soma aos planos de expansão geográfica e aos investimentos em tecnologia que a empresa prepara para os próximos anos. Para Rafael, essas iniciativas devem ajudar a companhia a alcançar mais consumidores e ampliar sua participação no mercado de supermercado online.

Conteúdo produzido por Startups.com.br