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A Seara, da JBS, decidiu entrar em um mercado antigo, mas que ganhou uma nova relevância: o das marmitas. A aposta é em uma categoria estimada em R$ 12 bilhões no Brasil, ainda pulverizada, pouco padronizada e sem marcas nacionais dominantes.
A leitura da companhia é simples: o brasileiro mudou a forma de resolver o almoço. Com a alta do custo das refeições fora de casa e a consolidação de uma rotina mais doméstica, comer em casa — ou levar a refeição para o trabalho — voltou a fazer parte do cotidiano. Em São Paulo, por exemplo, são consumidas cerca de 18 milhões de marmitas por mês, segundo levantamento da principal empresa de delivery do País.
É nesse espaço que a Seara quer entrar. A companhia lançou uma linha de pratos prontos ancorada no conceito de clean label, com receitas inspiradas no cardápio do dia a dia, ingredientes reconhecíveis e proposta de sabor próximo ao da comida feita em casa.
Desde maio, o consumidor já encontra nos supermercados opções como feijoada, frango desfiado, carne moída com legumes e linguiça calabresa acebolada. A ideia não é vender apenas a proteína, mas a refeição completa, com os acompanhamentos que o brasileiro tradicionalmente associa a esses pratos. “Não se trata de criar um novo hábito, mas de organizar um mercado que já existe e cresce rapidamente”, diz João Campos, CEO da Seara. “Nossa proposta é levar escala, consistência e qualidade para uma categoria que faz parte da rotina do brasileiro.”
Mais do que lançar uma nova linha, a empresa tenta reposicionar uma categoria que, apesar do tamanho, ainda carrega traços de informalidade. A combinação entre escala industrial, força de marca e apelo de comida caseira é a alavanca que a Seara acredita poder usar para elevar o padrão do segmento.
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A entrada em marmitas também faz parte de um movimento mais amplo da companhia: crescer não apenas pela disputa de espaço nas categorias tradicionais, mas pela capacidade de capturar novas ocasiões de consumo. Em vez de olhar só para a gôndola, a empresa passou a observar a jornada do consumidor ao longo do dia.
Essa mudança de lógica conversa com outra transformação em curso no mercado de alimentos: o avanço das canetas emagrecedoras e a atenção maior à composição nutricional das dietas, o que têm ampliado a demanda por alimentos com mais proteína, ingredientes mais simples e maior transparência.
Assim, conveniência, saudabilidade e clareza na composição deixaram de ser diferenciais e se tornaram pré-requisitos. “A inovação hoje está diretamente conectada à saúde e à rotina das pessoas”, afirma Campos. “Quando avançamos em linhas com maior teor proteico e ingredientes mais simples, estamos acompanhando uma transformação real na forma de consumir alimentos.”
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A companhia aposta que essa mudança não está restrita a um nicho. Pesquisa da consultoria Galunion mostra que até entre consumidores de alta renda o hábito de levar comida de casa ganhou força: 61% dos entrevistados da classe A disseram levar refeições preparadas em casa com mais frequência.
Isso ajuda a explicar por que a marmita deixou de ser vista apenas como solução econômica e passou a ocupar um espaço mais amplo, ligado também a praticidade, controle da dieta e conveniência. Nesse contexto, produtos prontos, com qualidade percebida e alinhados a novas exigências nutricionais, tendem a ganhar protagonismo.
“Nosso grande salto de crescimento vem de uma mudança de mentalidade”, resume Campos. “Deixamos de olhar somente para o volume na gôndola e passamos a mapear a jornada do consumidor.”
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Segundo o executivo, o brasileiro não busca apenas um alimento, mas a solução para diferentes momentos de consumo, do almoço rápido no escritório a uma refeição mais indulgente no fim de semana em casa. É nessa leitura que a Seara baseia sua nova aposta.