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Raízen: o que já se sabe e o que está em aberto no plano de reestruturação

Empresa já indicou os caminhos para reorganizar a dívida, mas ainda precisa negociar pontos centrais com credores

Paulo Barros

Unidade da Raízen em Barra Bonita - SP (Foto: Divulgação)
Unidade da Raízen em Barra Bonita - SP (Foto: Divulgação)

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A Raízen protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial, mecanismo usado por empresas para renegociar dívidas com credores fora de uma recuperação judicial tradicional. A companhia quer reestruturar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras sem garantia real, além de créditos entre empresas do próprio grupo.

A empresa já apresentou a estrutura geral da proposta, mas ainda deixou em aberto parte importante dos detalhes que vão definir como essa reestruturação será feita na prática.

Veja a seguir o que já se sabe sobre o plano de reestruturação, e o que ainda precisará ser negociado com credores.

O que já se sabe

A Raízen já informou quais são os principais caminhos que pretende usar para tentar reorganizar a dívida:

A companhia também informou que já conseguiu adesão inicial de mais de 47% das dívidas incluídas no processo e que terá até 90 dias, a partir do andamento formal do pedido, para buscar o apoio necessário para homologar, ou validar judicialmente, o plano final.

Para o advogado Fernando Tardioli, esse tipo de desenho ainda incompleto é esperado em operações desse porte. “Esse processo passa por negociações sensíveis, que envolvem condições como carência, eventuais descontos, prazos de pagamento e taxas de juros”, afirma.

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Em outras palavras, pontos como quanto tempo a empresa terá antes de voltar a pagar, quanto da dívida pode ser reduzido e quais juros serão cobrados ainda precisam ser discutidos. Segundo ele, em casos com muitos credores e interesses diferentes, conseguir o nível de adesão exigido pela lei pode ser um desafio relevante.

O que ainda está em aberto

Embora a Raízen já tenha mostrado quais instrumentos pretende usar, vários pontos ainda não foram definidos e deverão entrar em negociação com os credores. Depois disso, a empresa deverá apresentar um “Plano Atualizado”, isto é, uma nova versão do plano com mais detalhes.

Entre os principais pontos ainda em aberto estão:

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Na prática, isso significa que a Raízen já apresentou a moldura da reestruturação, mas ainda não fechou as condições centrais que vão mostrar quanto custará a solução, quem terá de ceder mais e como a empresa pretende reorganizar seus negócios.

O mercado também vê uma solução construída em várias frentes ao mesmo tempo, já que, como resume o Bradesco BBI, a situação da Raízen é crítica e “não tem bala de prata”.

Nos bastidores, as negociações da Raízen com credores já vinham ocorrendo havia meses e giravam em torno de três eixos principais: quanto dinheiro novo os acionistas colocariam na empresa, quanto da dívida poderia ser convertido em participação acionária e se a reestruturação envolveria venda ou separação de ativos.

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Segundo reportagem da Reuters, credores pressionavam por um aporte mais robusto dos sócios, enquanto uma proposta de cisão da companhia enfrentou resistência por parte dos detentores da dívida. Nesse processo, a Shell ganhou protagonismo nas tratativas, ao se dispor a liderar um aporte de R$ 3,5 bilhões, enquanto a Cosan teve participação mais limitada nas discussões finais sobre a solução.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)