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Quebra de safra e queda de preços dos grãos deverão afetar demanda por crédito rural

Cenário ficou complexo, mas custos mais baixos poderão dar fôlego extra às liberações 

Fernando Lopes

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Embora a demanda dos produtores rurais do país pelos recursos do Plano Safra 2023/24 tenha aumentado entre julho e dezembro, as perspectivas para o comportamento dos desembolsos entre janeiro e junho, sobretudo de crédito a juros livres, começaram a ser contaminadas pelo cenário mais difícil derivado da redução da produção de soja e milho no Centro-Oeste e pela queda dos preços desses grãos nos mercados externo e doméstico.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, as liberações de crédito previstas no atual Plano Safra para a agricultura familiar e empresarial totalizaram R$ 249 bilhões nos primeiros seis meses do ciclo, com aumento de 16% ante o mesmo período da temporada anterior. Nas linhas de custeio, o montante cresceu 10%, para R$ 142 bilhões, as operações voltadas à comercialização quase dobraram, para R$ 29 bilhões e os desembolsos para industrialização registraram incremento de mais de 100%, para R$ 22 bilhões.

Mas, com as nuvens que se avolumaram no horizonte a partir das estimativas de redução da colheita de grãos e a retração dos preços, as liberações para investimentos recuaram 10% na comparação, para R$ 55 bilhões. No mercado, a expectativa é que os recursos para investimentos continuem fluindo, mas sobretudo a partir de operações nas linhas com juros controlados, pouco superiores a 10% ao ano.

“O cenário para 2023 se tornou complexo. A queda de preços costuma afetar a demanda por crédito”, afirmou Ricardo França, superintendente de Agronegócios do Santander, em evento promovido na quinta-feira pela consultoria Agroconsult. A carteira de crédito rural do banco, pouco dependente dos recursos do Plano Safra, alcançou R$ 50 bilhões e bateu recorde em 2023, e a meta para este ano ainda não foi divulgada. “Mas o orçamento será de crescimento. O momento é de apoiar o produtor”, disse o executivo.

O ambiente mais pessimista para a segunda metade da safra já foi identificado por algumas varejistas de insumos do setor, que demonstram preocupação com um possível aumento dos índices de inadimplência. Em recente entrevista ao IM Business, Roberto Motta, presidente da Agro Amazônia, chamou a atenção para esse contexto.

Roberto Motta, presidente da Agro Amazônia (foto: Divulgação)

Para o executivo, a quebra da safra vai significar menos recursos no caixa dos produtores, o que poderá levar muitos deles a selecionarem os compromissos a serem honrados. “A maior preocupação é com aqueles que possuem áreas arrendadas”, disse.

Analistas ponderam que é difícil fazer projeções mais precisas neste momento porque a colheita da safra de grãos de verão está em andamento, o plantio da safrinha de milho acabou de começar e será preciso ver qual será a relação entre preços e custos – que também recuaram – para a próximo ciclo (2024/25). Mas é palpável o aumento do pessimismo.
De janeiro a junho, os desembolsos de recursos com juros não controlados do Plano Safra superaram R$ 115 bilhões e representaram 46% do total, ante menos de 40% em igual intervalo de 2022/23. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são as principais fontes dos recursos do Plano. O Banco do Brasil lidera os desembolsos de crédito rural no país, com R$ 195 bilhões no período (+ 8,4%), seguido pelas instituições financeiras cooperativas e pelos bancos privados, embora estes últimos tenham voltado a avançar com força nesse mercado nos últimos meses, em parte por causa da redução da Selic.

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