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Ainda que a América Latina seja frequentemente citada como um potencial polo de data centers no mundo, uma onda de investimentos ainda pode estar por chegar. O benefício, avalia o setor, é que esse movimento pode acontecer em um momento de maior maturidade para o desenvolvimento de projetos no setor.
“O que acontece é que o capital para esse tipo de investimento não é pequeno, e o capital hoje foi muito alocado nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia-Pacífico”, aponta o diretor de vendas do grupo de soluções de infraestrutura da Dell para a América Latina, Joel Bawerman.
Nos últimos anos, a demanda por processamento de inteligência artificial e armazenamento em nuvem impulsionou projetos de data centers. Um relatório da Fortune Business Insights calcula que o mercado global do setor em 2025 foi avaliado em US$ 269,79 bilhões e projeta que ele cresça para US$ 300,64 bilhões em 2026.
Sozinha, a América do Norte teve 38,50% de participação neste mercado no ano passado. Mas o Brasil também é visto como um mercado potencial importante em função da sua matriz energética renovável e da disponibilidade de mão de obra.
Agora, avalia Bawerman, pode ser o momento de esse dinheiro vir para o país. “Eu tenho conversas quase diariamente sobre empresas que estão pensando em criar data centers aqui. Algumas em fases embrionárias, outras com projetos muito interessantes e com grandes financiadores por trás”, aponta.
A vantagem de pegar uma segunda onda, avalia o diretor, é que os investimentos chegam à América Latina depois de um ciclo de aprendizado na implementação em outros países. Estima-se que o Brasil responda por aproximadamente 75% dos investimentos em data centers na América Latina. México, Chile e Colômbia também vêm ampliando sua participação.
Desafios brasileiros são os mesmos que os globais
Alexandre Amaral, diretor de vendas de data center e cloud na AMD Brasil, vê três principais desafios para a implementação de data centers ao redor do mundo: performance, custo energético e redução do espaço utilizado para fazer os data centers.
“Com o nosso processador EPYC de quinta geração, nós conseguimos reduzir a quantidade de racks [de servidores] em até 88%. Há um custo de refrigeração e o gasto energético que estão diretamente ligado à quantidade de servidores. Com otimização, sobra espaço para implementar projetos de inteligência artificial”, aponta Amaral.
AMD e Dell operam juntas no comércio de processamento no Brasil e no mundo. Enquanto a primeira empresa desenvolve os processadores, a segunda os distribui ao mercado fabricando servidores com os processadores AMD acoplados.
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