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A agricultura está enfrentando um “novo normal”. Nos últimos anos, produtores passaram a enfrentar um cenário de restrição de crédito, quebras nas cadeias de produção, geopolítica e incertezas a cada nova safra. Agora, novos desafios se impõem: o avanço tecnológico e a inteligência artificial devem entrar cada vez mais no cotidiano do campo.
Essa é a avaliação da vice-presidente sênior e presidente para a Ásia-Pacífico da Corteva Agriscience, Brook Cunningham. “O futuro da agricultura não será apenas de ideias que nos tranquilizam, mas de desafios”, afirmou em painel do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo nesta quarta-feira (1).
Para ela, o desafio está posto em um ambiente mais desafiador. As mudanças climáticas tem promovido impactos nas fazendas conforme safras se tornam imprevisíveis. Enquanto isso, a pandemia cravou efeitos importantes na economia conforme governos precisaram aumentar o patamar dos juros para conter uma inflação recorrente.
“A inovação importa e novos produtos importam mas o novo normal que os agricultores enfrentam requerem mais do que simplesmente entregar o produto na fazenda”, diz a executiva da companhia desenvolvedora de tecnologia. A Corteva tem hoje um pipeline de US$ 11 bilhões em químicos e biológicos em desenvolvimento.
A solução para o cenário desafiador, na visão de Cunningham, envolve inovação na indústria, mas também governos, políticas públicas e melhores ferramentas financeiras. E parte das soluções possíveis para o agronegócio podem passar também por uma tecnologia ainda olhada com receio pela indústria: a inteligência artificial.
Guilherme Scheffer, sócio-diretor da Scheffer, que dividiu o painel com Cunnningham, já vê o uso da tecnologia impactando a produção na sua companhia.
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Uma IA desenvolvida pela Scheffer em parceria com uma empresa de tecnologia foi testada em 10% da área de plantio do grupo do Mato Grosso. A empresa treina o modelo com um volume de dados que inviabilizaria a análise humana; aí entram, por exemplo, informações aprofundadas de nutrição de plantas, análise de tecidos, hormônios e aminoácidos, fora registros genéticos e de solo.
A empresa fez o manejo de 2,5 mil hectares seguindo as orientações do “chat agrônomo” em 80% dos casos. O resultado? Um ganho de produtividade de 10% na média dos talhões testados. “Quanto mais camadas de informação, melhor para a IA e mais difícil para o ser humano”, conta Scheffer.
“Temos medo do que é diferente. Não há como não entrar em IA. Precisamos ir aprendendo com ela. Não é um produto pronto. Na verdade, nunca vai estar pronto. Sempre chegam novas informações e ela vai sendo calibrada”, diz o executivo.
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