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Em um dos endereços mais icônicos de São Paulo, na Avenida Paulista, entre as ruas Augusta e Padre João Manuel, fica uma construção também bastante simbólica: o Conjunto Nacional. Inaugurado em 1958, com presença até do presidente na época, Juscelino Kubitschek, o espaço, que combina galeria com áreas comerciais e residenciais, foi celebrado como o primeiro shopping da América Latina.
Quase 70 anos depois, mudanças na lâmina horizontal, que ocupa toda a quadra na qual se implanta o edifício, reposicionam o Conjunto Nacional como um importante centro cultural. Boa parte dessa mudança vem de uma empresa: a L21 Corp, de Luiz André Calainho.
Com o talento para transformar arte em negócio, Calainho vai ‘dominar’ os pavimentos da galeria. Hoje, a L21 já opera o Teatro Youtube, dentro da Galeria Magalu, no térreo. No segundo andar, a operação do Blue Note São Paulo, também do grupo, dobrará a sua capacidade com a inauguração de uma nova sala ainda este semestre. Também este ano, será inaugurado, no piso intermediário, um espaço cultural para exposições imersivas com 2.700 metros quadrados, distribuídos em três salas imersivas e uma área gastronômica com naming rights de um banco.
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Estas são as novas empreitadas do grupo que deve faturar cerca de R$ 380 milhões em 2026, um crescimento de 20% em comparação com o ano anterior. “Tratamos arte e cultura como negócio, sim. A arte é soberana, claro, mas conquistamos esse patamar porque profissionalizamos nossas entregas”, afirma Calainho, em entrevista ao InfoMoney. A meta é crescer ainda mais e chegar em meio bilhão de reais em até dois anos.
“Tratamos arte e cultura como negócio, sim”
O plano está desenhado. A L21 Corp se posiciona como uma plataforma de comunicação para grandes marcas, atraindo parceiros de peso — de Google (GOGL34) a B3 (B3SA3) — e agindo como “ponta de lança” na conexão entre marcas e cultura, com uma tecnologia proprietária de entrega de naming rights que vai além da simples exposição. “O Brasil é primeiríssimo lugar quando o assunto é conexão de marcas com arte, com cultura”, afirma. A a Arena B3, que surgiu de uma requalificação do local onde acontecia o antigo pregão da Bolsa, é um exemplo dessa transformação e conexão entre marcas e cultura.
Com oito equipamentos culturais e reunindo uma equipe de mais de 8 mil pessoas entre colaboradores diretos e indiretos, o grupo faz parte da gigante economia criativa que movimenta cerca de R$ 230 bilhões por ano.
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Arte como negócio
Para o autodenominado “entusiasta das artes” e com 40 anos de experiência no setor, o segredo do sucesso é tratar a arte e a cultura como um negócio rentável e profissional. A L21 Corp, que começou no início dos anos 2000 após sua passagem pela Sony Music, hoje engloba 18 unidades de negócios que englobam plataformas de conteúdo, rádios FM, casas de de show, conferências, festivais e teatros musicais além de centros de experiência com naming rights. O porfólio, contudo, deve crescer.
Em 2029, está previsto o primeiro hotel de luxo da rede Blue Note, em Copacabana, no Rio de Janeiro, com rooftop dedicado ao jazz e à bossa nova. O crescimento se estende para além das fronteiras nacionais: há planos avançados para a abertura de Blue Notes operados pela L21 Corp em Miami e Zurique, com um “mood Brasil-Latino”, levando artistas nacionais para o exterior.
Em outra frente, a Aventura, produtora de teatro musical do grupo, planeja abrir um escritório em Londres para encenar produções brasileiras na West End, a Broadway inglesa, com espetáculos como “Elis” e “Hip Hop Hamlet”. “Não há no mundo um país com a riqueza artística e cultural como o Brasil. Somos a maior potência cultural do mundo. Só na música, são mais de 300 gêneros. O Brasil precisa, de uma vez por todas, entender a força desse ‘soft power’ que nós temos”, diz Calainho.
“Somos a maior potência cultural do mundo (…) O Brasil precisa, de uma vez por todas, entender a força desse ‘soft power’ que nós temos”
Para Calainho, fortalecer a arte e a cultura é fortalecer o próprio país, investindo em identidade, economia e futuro. “Vou te dar um exemplo muito recente: o que a Coreia do Sul está fazendo com K-Pop e Dorama é política de estado junto com a iniciativa privada para elevar a imagem do país, vender produtos, atrair turismo. É muito semelhante ao que os Estados Unidos fez no pós-guerra. Chegou a hora do Brasil fazer isso também”, afirma.
Soberania da experiência
Em um mundo cada vez mais digital, Calainho defende a “soberania da experiência presencial”. Para ele, a tecnologia, incluindo a inteligência artificial e as plataformas de streaming, jamais substituirá a catarse e a energia do contato entre artista e público. “Não há tecnologia que seja capaz de suplantar essa experiência da energia de contato do público com o artista e do artista com o público”.
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Para ele, a “fadiga digital” que as pessoas estão vivendo, inclusive, impulsiona a busca por válvulas de escape em eventos físicos, o que explica o sucesso e o crescimento de seus empreendimentos.