Publicidade
O artista e muralista Eduardo Kobra entregou nesta sexta-feira (24) uma obra inédita ao ator, produtor e empresário norte-americano Will Smith durante a Expert XP. Batizada de “Bliss”, a tela foi criada especialmente para o encontro entre os dois e permaneceu em sigilo até o momento da apresentação no palco principal do evento.
Com 2,15 metros de altura por 1,35 metro de largura, a obra parte de uma cena do filme À Procura da Felicidade (2006), mas percorre diferentes momentos da trajetória de Will Smith, desde sua origem na cultura hip-hop até a consagração como vencedor do Oscar. A composição também dialoga com temas como perseverança, transformação, visão de longo prazo e realização.
“Nos últimos dias eu recebi um convite para uma participação no evento. Achei muito interessante. O Will Smith é um cara que, tenho certeza, todos nós admiramos de uma forma ou de outra. Achei muito especial porque me conecto com a história do Will Smith, principalmente no início, nas ruas, na cultura hip-hop. Foi onde eu comecei, lá em 1987, e o Will Smith também”, contou o artista em entrevista exclusiva ao InfoMoney antes da entrega.
Segundo Kobra, a conexão vai além da fama construída pelo ator em Hollywood. “Antes de ser o ator reconhecido que a gente conhece, o ator vencedor do Oscar, ele foi um rapper também, o The Fresh Prince. Quando surgiu esse convite fiquei entusiasmado, comecei a pensar e criar várias coisas. Hoje estou aqui para entregar para ele o painel que eu criei: uma tela sobre a história da trajetória de vida dele”, completou.
A obra “Bliss” simboliza justamente esse encontro entre duas trajetórias internacionais que tiveram origem na cultura hip-hop. Enquanto Will Smith levou essa influência para a música e o cinema, Kobra transformou o grafite em uma linguagem artística reconhecida mundialmente, com murais espalhados por mais de 30 países e trabalhos que passaram a ocupar também galerias, museus e instituições internacionais.
Leia mais: Expert XP: Como o Brasil virou peça-chave na estratégia global da NBA e da NFL
IA é ferramenta, mas criatividade continua insubstituível
Perguntado sobre os impactos na IA na vida de artistas, Kobra disse que a tecnologia pode ser útil no processo criativo, mas não substitui a identidade construída pela experiência de cada artista. “É uma ferramenta importante. Pode abrir muitas portas. Mas não substitui a criatividade, o talento. Eu já experimentei e não substitui.”
Ele afirma que acompanha discussões internacionais sobre o tema e cita um movimento recente entre artistas europeus preocupados com a padronização estética provocada pelo uso indiscriminado da IA.
“Na Europa, muitos artistas estavam pintando criações feitas pela inteligência artificial. Isso estava causando a perda da identidade dos artistas (…) Cada um tem um DNA, uma experiência e uma vivência e vai criar com ferramentas e materiais diferentes. Mas se todo mundo criar com IA, não tem porquê ser artista”, completou.
Continua depois da publicidade

“Pessoas não compram produtos, compram pertencimento”, diz Amato
Em um mercado onde a tecnologia se torna acessível a todos rapidamente, a vantagem competitiva está menos no produto e mais na capacidade de conexão

Satisfação do cliente não pode ser a meta — tem que ser o mínimo, diz Galló
José Galló, fundador da Quartz Investimentos e ex-CEO da Renner, e Vanessa Gordilho, vice-presidente executiva comercial de varejo da Vibra Energia, debateram, em painel da Expert XP sobre como a excelência operacional pode levar a uma vantagem competitiva
Murais que movimentam a economia
O reconhecimento internacional da obra de Eduardo Kobra fez com que muitos de seus murais deixassem de ser apenas intervenções urbanas para se tornarem atrações turísticas.
“Hoje existe sim um movimento em torno disso, porque faço painéis que se conectam com a história dos lugares onde sou convidado para realizar essas obras. Então elas acabam se tornando, de certa forma, um ponto turístico”, disse.
Além dos convites para pintar em diferentes países, Kobra afirma que a presença em galerias internacionais transformou o modelo de negócios de sua carreira. “As galerias me deram uma possibilidade, até financeira, muito diferenciada. Um exemplo é que hoje estou numa galeria de Israel, que está em 12 diferentes países”.
Continua depois da publicidade
Segundo o artista, a comercialização de telas permite financiar parte dos grandes murais que realiza gratuitamente. “Além dos murais, eu produzo essas obras em menor escala, que vão para as galerias e museus. E esse recurso também me ajuda a continuar bancando esses murais, muitos deles que eu faço de forma voluntária nas ruas”, completou.