Publicidade
Os shopping centers do Brasil parecem não ter motivos para se queixar sobre o fluxo atraído pelos cinemas em 2026. Em meio à dificuldade para atingir os mesmos patamares de público do pré-pandemia, exibidores viram uma sequência de blockbusters deste ano desbancarem as melhores bilheterias do ano passado mesmo antes de 2025 acabar.
Prova mais recente disso é Homem-Aranha: Um Novo Dia. Estrondoso sucesso global que recentemente entrou para a lista das 10 maiores bilheterias da história, o longa inspirado no herói dos quadrinhos já extrapolou a casa dos 12,5 milhões de pagantes entre o público brasileiro, de acordo com um levantamento feito pelo InfoMoney com base em dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
O valor é superior a Lilo & Stich, adaptação em live action da animação da Disney (DISB34) que liderou as bilheterias de 2025 ao levar 10,3 milhões de pessoas aos cinemas do Brasil. Mas a lista não para por aí. Ao menos outros três filmes de 2026, até aqui, já ocupariam a segunda posição em público na comparação com o ano passado.
Os exibidores, como as grandes redes de cinema que alugam espaços dentro dos shoppings, são os principais interessados no aumento de público. O bom desempenho desses complexos, no entanto, também são uma sinalização importante para os administradores desses mesmos shoppings.
“O cinema foi ressignificado com toda a concorrência que teve do streaming durante a pandemia”, conta o diretor executivo comercial da Allos, Renato Floh. “Mas continua com um papel relevante, e a minha visão é de que essa relevância só vai se intensificar nos próximos anos.”
Apenas a partir de 2024 o parque exibidor brasileiro voltou a registrar número superiores a 2019, quando o número de salas no Brasil chegou a 3.507, mostra a Ancine. Em 2025, o número foi de 3.544. Apesar do ganho, o ritmo do crescimento desde o fechamento de milhares de unidades em função do isolamento social nunca foi retomado na mesma magnitude.
Um exemplo: de 2018 para 2019, o aumento percentual no número de salas foi de 4,8%, enquanto de 2024 para 2025 esse crescimento foi de apenas 1%. Os números são acompanhados por uma retração de 10% no público, para 112,8 milhões também em 2025.
Para Floh, uma mudança mais estrutural está em andamento. De um lado, cinemas localizados em shoppings populares disputam o público principalmente pensando em preço, enquanto aqueles localizados em espaços elitizados têm olhado cada vez mais para a experiência, com investimentos em salas VIP, tecnologia 3D ou 4D.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os shoppings concentram 3.091 salas de cinema hoje. São espaços centrais para estratégias que buscam posicionar o shopping cada vez mais como um espaço que organiza demandas por serviços e produtos nos centros urbanos.
Continua depois da publicidade
Uma coisa leva a outra
A alimentação representa 52% dos motivos que levam alguém a um shopping e, sem abrir números, Floh diz que há uma correlação “muito alta” entre o resultado de um filme e o aumento na venda de fast food. “O segmento de fast food é um dos que mais crescem neste ano aqui dentro, e eu acho que está muito correlacionado com a questão dos sucessos no cinema”, afirma.
Além de Homem-Aranha: Um Novo Dia, filmes como Toy Story 5, Michael e O Diabo Veste Prada 2 ultrapassaram os 6,5 milhões de público em 2026, mostra o levantamento feito pelo InfoMoney. É mais do que os quase 6 milhões atraídos por Como Treinar seu Dragão, segundo filme que mais atraiu pagantes em 2025.
“Se formos olhar para a eficiência por metro quadrado, em termos de receita de aluguel, o cinema não é o maior. Então tem uma importância realmente para o ecossistema como um todo”, conta Floh.
Continua depois da publicidade
Nos shoppings da Allos, por exemplo, o planejamento anual passa pela expectativa de grandes estreias nos cinemas. Durante as semanas de exibição de um filme infantil, ter um evento para este mesmo público para completar a jornada do consumidor dentro do estabelecimento. Apenas nos últimos dois anos, a companhia fez mais de 5 mil eventos direcionados a diferentes perfis.
A Allos administra 55 shoppings no Brasil, sendo 45 próprios e 10 de terceiros.