Google escapa de tentativa de divisão e evita venda de negócio bilionário de anúncios

Juíza dos EUA rejeitou pedido para que a empresa se desfizesse da AdX, mas determinou mudanças em suas ferramentas de publicidade para ampliar a interoperabilidade com concorrentes

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A Alphabet, controladora do Google, não precisará vender sua plataforma de intercâmbio de anúncios digitais (ad exchange) e, em vez disso, deverá garantir que suas ferramentas de tecnologia de publicidade funcionem com as operadas por concorrentes, decidiu uma juíza federal dos Estados Unidos nesta quarta-feira. A decisão poupa a empresa de uma segunda tentativa de forçar um desmembramento de seus negócios.

A juíza distrital Leonie Brinkema emitiu sua decisão sob sigilo, acompanhada de uma ordem resumida rejeitando o pedido do Departamento de Justiça dos EUA para obrigar o Google a vender sua plataforma AdX. Em vez disso, ela determinou mudanças comportamentais nas práticas de negócios da empresa, sem detalhar quais serão essas medidas. A versão pública da decisão, com trechos editados, será divulgada posteriormente.

A decisão de Brinkema permite que o Google evite uma venda forçada após uma sentença de abril de 2025 concluir que a companhia monopolizou ilegalmente dois mercados de tecnologia de publicidade digital. O Departamento de Justiça havia solicitado que a juíza obrigasse o Google a vender sua plataforma de leilão de anúncios e tornasse pública a lógica utilizada para definir qual anúncio será exibido em um site.

“A maior parte das soluções comportamentais propostas pelas partes, conforme modificadas por este tribunal, são aceitas”, escreveu Brinkema em sua ordem. A íntegra da decisão, com os devidos cortes, será divulgada ainda neste mês.

Google e Departamento de Justiça não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

As ações da Alphabet subiam menos de 1%, para US$ 337,76, às 10h30 de Nova York.

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Segundo estimativas da consultoria EMarketer, as empresas devem gastar mais de US$ 919,6 bilhões em publicidade digital em todo o mundo, tornando o setor um dos maiores segmentos da economia de tecnologia.

A estrutura de tecnologia publicitária do Google conecta os publishers que vendem espaços publicitários aos anunciantes que disputam esses espaços por meio de leilões, dando à companhia uma posição estratégica na definição de preços e na escolha dos anúncios exibidos. Reguladores argumentam há anos que o controle simultâneo do principal servidor de anúncios para publishers e de uma das maiores plataformas de leilão do mercado permitiu ao Google favorecer seus próprios sistemas em diferentes etapas do processo.

O Departamento de Justiça ainda pode recorrer da decisão. Além disso, o Google continua enfrentando escrutínio de procuradores-gerais estaduais, autores de ações privadas e reguladores europeus por suas práticas no mercado de publicidade digital. A velocidade e o alcance da implementação das medidas determinadas pela Justiça devem definir se a decisão produzirá mudanças efetivas na concorrência do mercado de anúncios gráficos online.

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A decisão representa uma vitória para o Google, que também evitou um desmembramento no primeiro grande processo antitruste movido pelo Departamento de Justiça envolvendo seu domínio no mercado de buscas online. Naquele caso, um juiz federal em Washington decidiu que a empresa não precisaria vender o navegador Chrome e, em vez disso, deveria compartilhar com concorrentes parte dos dados que sustentam seus resultados de busca.

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