Google corta 35% dos gerentes de “equipes pequenas” em um ano, diz CNBC

A movimentação faz parte do esforço do Google para reduzir a burocracia e tornar a operação mais eficiente.

Paulo Barros

Sundar Pichai, CEO da Alphabet, dona do Google (Foto: Reprodução/Google I/O 2025)
Sundar Pichai, CEO da Alphabet, dona do Google (Foto: Reprodução/Google I/O 2025)

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Sinal de que a reestruturação da gigante de tecnologia continua em curso, o Google eliminou mais de um terço dos cargos de gerência responsáveis por pequenas equipes ao longo do último ano, conforme revelou Brian Welle, vice-presidente de análise de pessoas e performance da companhia, em áudio de uma reunião interna obtido pela CNBC nesta quarta-feira (27).

“Atualmente, temos 35% menos gerentes, com menos subordinados diretos, do que há um ano”, disse Welle, segundo a gravação. “Foi um progresso rápido nesse sentido.”

A movimentação faz parte do esforço do Google para reduzir a burocracia e tornar a operação mais eficiente. Segundo uma fonte ouvida pela emissora americana, a redução de 35% se refere especificamente a gerentes que supervisionavam menos de três funcionários, um perfil que a empresa entende como excessivamente granular e pouco produtivo na nova fase.

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Durante o encontro, executivos da companhia foram questionados por funcionários sobre a segurança de seus empregos, entraves internos e o impacto da nova cultura corporativa após sucessivas rodadas de demissões, programas de desligamento voluntário e reorganizações.

“Quando analisamos toda a nossa população de liderança — isso inclui gerentes, diretores e vice-presidentes — queremos que esse grupo represente uma fatia menor da força de trabalho total ao longo do tempo”, afirmou Welle.

Eficiência sem inchaço: a diretriz de Sundar Pichai

O CEO Sundar Pichai endossou as mudanças e reforçou a mensagem central da liderança: “Precisamos ser mais eficientes à medida que crescemos, para não resolvermos tudo simplesmente aumentando o número de funcionários.”

Desde o ano passado, o Google já demitiu cerca de 6% de sua força de trabalho global e vem promovendo cortes em diferentes divisões. A Alphabet, controladora da empresa, também tem sinalizado uma nova disciplina orçamentária. A CFO Anat Ashkenazi, que assumiu em 2024, declarou em outubro que pretendia “levar os cortes um pouco mais adiante”.

Em paralelo, a empresa vem oferecendo programas de saída voluntária (VEP, na sigla em inglês) como alternativa a demissões generalizadas. Segundo executivos, dez áreas de produto já implementaram esse modelo, incluindo times de busca, marketing, hardware e recursos humanos. De acordo com Fiona Cicconi, diretora global de pessoas do Google, entre 3% e 5% dos funcionários dessas áreas aceitaram as ofertas.

“Na verdade, o programa tem sido bastante bem-sucedido”, disse Cicconi no encontro, acrescentando: “Acredito que podemos continuar com ele.”

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Pichai também defendeu o modelo voluntário, afirmando que a ideia surgiu a partir de escuta ativa da própria força de trabalho:

“É um programa que demandou muito trabalho para ser implementado, e estou satisfeito por termos feito isso. Ele dá mais autonomia aos funcionários — e fico feliz em ver que está funcionando.”

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)