US$ 100 bi para reerguer a energia da Venezuela? Executivos do petróleo têm dúvidas

Trump quer apoio de petrolíferas americanas na Venezuela, mas experiência negativa anterior deixa setor desconfiado

Andrew Ross Sorkin Brian O’Keefe Bernhard Warner Sarah Kessler Michael J. de la Merced Niko Gallogly Dealbook | The New York Times

A indústria petrolífera da Venezuela sofreu dificuldades e mudanças nos últimos anos (Foto: Adriana Loureiro Fernandez/The New York Times)
A indústria petrolífera da Venezuela sofreu dificuldades e mudanças nos últimos anos (Foto: Adriana Loureiro Fernandez/The New York Times)

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A Exxon Mobil tem uma longa história de perfuração em ambientes desafiadores. A maior companhia de petróleo dos Estados Unidos vai a quase qualquer lugar para extrair hidrocarbonetos, desde que consiga administrar o risco e fazer as contas fecharem. A Exxon bombeia petróleo bruto em águas profundas na costa da Guiana e investiu cerca de US$ 19 bilhões para produzir gás natural na nação insular de Papua-Nova Guiné.

Mas, em uma reunião altamente encenada de executivos do setor de petróleo convocada pelo presidente Donald Trump na Casa Branca, na semana passada, o CEO da Exxon, Darren Woods, foi direto ao destacar os obstáculos que sua empresa enfrentaria para retornar à Venezuela, onde já saiu queimada antes.

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“Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então dá para imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, disse Woods na reunião na Casa Branca, enquanto Susie Wiles, a chefe de gabinete, estava sentada ao seu lado.

“Hoje, é impossível investir”, acrescentou.

Trump convocou os executivos para discutir os detalhes de seu plano de assumir o controle da indústria petrolífera venezuelana. Mas a reação de Woods e de outros líderes no evento sugeriu que obter o apoio do setor para um empreendimento tão caro e potencialmente arriscado talvez não seja tão simples quanto a Casa Branca esperava.

Nos dias desde que forças militares dos Estados Unidos entraram na Venezuela e capturaram o presidente do país, Nicolás Maduro, Trump tem afirmado que os EUA administrarão o país e sua indústria de petróleo por anos. Ele acrescentou que quer usar as vastas reservas de petróleo do país para derrubar o preço do barril para US$ 50.

O presidente enfatizou que espera que as empresas de petróleo arquem com a conta do projeto, e tem um número grande em mente.

“O plano é que eles gastem — ou seja, nossas gigantes do petróleo — pelo menos US$ 100 bilhões do dinheiro deles, não do dinheiro do governo”, disse Trump a repórteres. O governo poderia fornecer proteção e segurança, afirmou.

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Woods não foi o único executivo na reunião a demonstrar cautela em relação ao plano. Em determinado momento, Harold Hamm, magnata do petróleo de Oklahoma e um dos aliados mais próximos do presidente, ofereceu uma resposta cuidadosamente calibrada que parou antes de endossar a proposta.

“Isso me entusiasma como explorador”, disse ele. “Todo mundo tem isso no sangue.” Mas acrescentou que a Venezuela tem “seus desafios”.

Trump, que usava um broche com a inscrição “Happy Trump”, também teve uma troca animada com Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, a respeito dos US$ 12 bilhões em indenizações que a empresa move contra a Venezuela.

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O presidente, no entanto, demonstrou pouco interesse em tratar dessas preocupações, dizendo: “Não vamos olhar para o que as pessoas perderam no passado.” Ele sugeriu, em tom de brincadeira, que tais perdas poderiam ser abatidas nos impostos das empresas.

“Isso já foi abatido”, respondeu Lance, de forma um tanto seca.

E depois que Mark Nelson, vice-presidente do conselho da Chevron, falou, Trump fez o que soou como uma ameaça.

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“Se fizermos um acordo, vocês ficarão lá por muito tempo”, disse, sem citar a Chevron nem qualquer outra petroleira. “Se não fizermos um acordo, vocês não estarão lá de jeito nenhum.”

A reunião conseguiu criar um espetáculo. Além dos executivos, a sala estava lotada de membros da imprensa, incluindo Tucker Carlson, que tem sido crítico das intervenções do governo na Venezuela. (A ativista de extrema direita Laura Loomer, por sua vez, criticou a presença de Carlson, escrevendo nas redes sociais que isso era uma “péssima imagem para o governo Trump em um ano de eleições legislativas”.)

Em determinado momento, Trump interrompeu a discussão para se levantar e olhar pela janela o andamento da construção do salão de baile da Casa Branca. (“Uau. Que vista.”)

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O número de compromissos firmes que o presidente conseguiu extrair dos executivos ficou menos claro. Mas Trump pareceu confiante ao falar com os repórteres após a reunião.

“Nós meio que fechamos um acordo”, disse ele. “Eles vão entrar com centenas de bilhões de dólares em perfuração de petróleo, e isso é bom para a Venezuela e é ótimo para os Estados Unidos.”

c.2026 The New York Times Company