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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, enfrentou uma nova rodada de pressão nesta terça-feira (30), depois que a Ucrânia lançou outro ataque contra a capital russa, continuou a afetar o abastecimento de combustível no país e avançou em sua campanha para isolar a Crimeia, península anexada por Moscou da Ucrânia em 2014.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, relatou várias ondas de drones desde a noite de segunda-feira, menos de duas semanas após a Ucrânia promover o maior ataque com drones contra a capital russa desde o início da guerra. Em mensagem no Telegram, ele disse que as defesas aéreas russas derrubaram mais de 60 drones que se aproximavam de Moscou e que os serviços de emergência atuavam nos locais das quedas. Ele não mencionou feridos.
Já o governador da região de Moscou afirmou que o ataque matou um bebê de 6 meses em uma cidade a cerca de 100 quilômetros ao sul da capital.
No total, somando os drones abatidos em Moscou e na Crimeia, foram 419, segundo comunicado do Ministério da Defesa da Rússia.
As autoridades ucranianas não comentaram o caso de imediato.

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Com drones saturando as linhas de frente, a Rússia tem encontrado dificuldade para avançar no campo de batalha no leste da Ucrânia, onde o Kremlin busca tomar o restante da região de Donetsk. Depois de um maio difícil, as forças russas voltaram a avançar lentamente e têm intensificado os bombardeios contra os redutos ucranianos que restam na região.
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A Ucrânia, por sua vez, tem submetido a Rússia a ataques com drones cada vez maiores, corroendo a capacidade de Putin de manter a sociedade russa isolada dos efeitos da guerra.
A Rússia já vinha promovendo ataques de grande escala contra a Ucrânia havia algum tempo, mas avanços na produção e na tecnologia de drones ucranianos agora permitiram a Kiev enviar enxames maiores de aparelhos na direção oposta.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chamou essa campanha de ataques de “sanções de longo alcance” e disse que o objetivo é pressionar Putin a encerrar a guerra.
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Putin, porém, tem endurecido o discurso. Em declarações no domingo, afirmou que as ações ucranianas não vão desviar a Rússia de seu objetivo de conquistar território no leste da Ucrânia.
Em entrevista a uma emissora estatal russa, adotou um tom desafiador e disse que seguirá em busca da “libertação final de Donbas e Novorossiya”. O termo Novorossiya foi resgatado pelo Kremlin em 2014 para sustentar reivindicações territoriais sobre o leste e o sul da Ucrânia.
Ele admitiu que os ataques à infraestrutura russa, que vêm provocando escassez de combustível, estão “criando problemas”.
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“Estamos vendo neste momento certas carências, embora elas não sejam críticas”, disse Putin na entrevista.
Ele acrescentou que, embora os ataques ucranianos sejam dolorosos, os bombardeios russos contra a Ucrânia causam mais estragos.
“Nossos ataques de retaliação em profundidade no território ucraniano são muito mais poderosos, mais eficazes e, francamente, mais destrutivos, com consequências realmente graves”, afirmou Putin.
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O ataque ucraniano com drones de 18 de junho deixou ao menos 17 feridos na região de Moscou. A ofensiva teve como alvo uma grande refinaria de petróleo e forçou o fechamento temporário dos quatro aeroportos da cidade. Depois, o Ministério da Defesa da Rússia disse ter derrubado quase 1.000 drones em todo o país durante a ação.
Zelensky afirmou que o ataque foi uma resposta a um bombardeio contra um complexo religioso em Kiev, capital da Ucrânia. A Rússia alegou que o local foi atingido por um míssil interceptador ucraniano que saiu da rota.
O ataque desta terça-feira a Moscou ocorreu em meio à campanha ucraniana para atingir refinarias e instalações de combustível russas, ofensiva que já levou à escassez de gasolina e a filas em postos pelo país.
Depois dos ataques, a agência federal de aviação da Rússia impôs brevemente restrições emergenciais nos principais aeroportos que atendem Moscou, alegando motivos de segurança de voo — algo que já se tornou recorrente na capital russa.
A Rosaviatsiya informou no Telegram que três dos quatro aeroportos internacionais de Moscou precisaram suspender temporariamente as operações durante a madrugada.
O bebê de 6 meses que morreu no ataque desta terça estava em uma casa em Yegoryevsk, cidade a sudeste de Moscou, que pegou fogo depois que um drone caiu sobre o imóvel, disse o governador regional, Andrei Vorobyov, em comunicado. Segundo ele, equipes de resgate retiraram moradores da casa, mas a criança morreu a caminho do hospital.
“Civis estão sofrendo e crianças estão morrendo — este é o resultado das ações do regime de Kiev”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em declaração a jornalistas após o ataque.
Na Ucrânia, Zelensky disse em pronunciamento na noite de segunda-feira, antes do ataque a Moscou, que as ofensivas com drones estão “trazendo a realidade da guerra de volta para a Rússia”.
O presidente ucraniano mencionou as filas de carros em postos de gasolina, enquanto ataques a refinarias, estações de bombeamento e portos de exportação russos vão corroendo a indústria do petróleo.
“Estamos garantindo os resultados de que a Ucrânia precisa para que o Estado agressor não possa manter a guerra ‘em algum lugar distante’”, disse Zelensky.
A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia informou na segunda-feira que as forças russas mataram 1.272 civis e feriram outros 6.871 em áreas controladas pelo governo ucraniano no período de seis meses encerrado em 31 de maio.
Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.