Reféns, ajuda, desarmamento: o que sabemos sobre o acordo entre Israel e Hamas

Trump anunciou que um acordo havia sido alcançado, mas não está claro quando os reféns seriam libertados ou quando mais ajuda entraria no território

Francesca Regalado Aaron Boxerman The New York Times

A rota usada por palestinos na Faixa de Gaza para fugir das áreas mais intensas da guerra, na segunda-feira. Crédito... Saher Alghorra para o The New York Times
A rota usada por palestinos na Faixa de Gaza para fugir das áreas mais intensas da guerra, na segunda-feira. Crédito... Saher Alghorra para o The New York Times

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Israel e Hamas concordaram com uma troca dos reféns israelenses restantes na Faixa de Gaza por prisioneiros palestinos, anunciou o presidente Donald Trump nesta quarta-feira (8). Mas, enquanto pessoas em todo o Oriente Médio acordavam na quinta-feira (9) com a notícia do acordo, muitos detalhes ainda permaneciam incertos.

Trump afirmou nas redes sociais que Israel e Hamas concordaram com a primeira fase de um plano de paz de 20 pontos que ele apresentou no final de setembro. O anúncio foi feito após negociações indiretas entre Israel e Hamas, mediadas por Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que convocaria seu gabinete nesta quinta-feira para aprovar o acordo. O Hamas afirmou que o pacto levaria ao fim da guerra e à retirada de Israel do território, além de permitir a entrada de mais ajuda humanitária em Gaza.

Netanyahu deveria reunir ministros de alto escalão às 17h, horário local, antes de submeter a proposta a uma votação no gabinete cerca de uma hora depois, segundo dois funcionários israelenses que falaram sob anonimato por não estarem autorizados a discutir o assunto publicamente.

Algumas das questões mais sensíveis — como se o Hamas deporia as armas e quem administraria o enclave palestino após a guerra — ainda precisam ser resolvidas.

Mesmo assim, muitos palestinos e israelenses celebraram o anúncio de que um acordo havia sido alcançado, na esperança de que finalmente encerrasse o conflito.

O que sabemos:

O acordo prevê a troca de reféns e prisioneiros

Israel e Hamas chegaram a um acordo com base na primeira fase do plano de paz de Trump, que foi divulgado publicamente pela administração Trump no final de setembro.

O plano prevê que os reféns em Gaza e os prisioneiros palestinos sejam trocados cerca de três dias após a ratificação formal do cessar-fogo por Israel. Os cerca de 20 reféns vivos provavelmente serão libertados no domingo ou na segunda-feira, segundo um funcionário israelense que falou sob anonimato por não estar autorizado a discutir assuntos sensíveis.

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As forças israelenses também se retirariam para uma linha acordada, embora a localização exata ainda não tenha sido divulgada. A proposta de Trump incluía mapas mostrando as linhas de retirada de Israel, mas essas parecem ter sido alteradas durante as negociações, segundo dois funcionários israelenses e um funcionário egípcio, que falaram sob condição de anonimato para discutir questões diplomáticas.

Quando o Hamas lançou o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que deu início à guerra, cerca de 1.200 pessoas foram mortas e aproximadamente 250, em sua maioria civis, foram feitas reféns. A resposta militar devastadora de Israel desde então matou mais de 67.000 palestinos, incluindo civis e combatentes, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. A guerra também reduziu grande parte do território a ruínas.

Segundo o plano de Trump, cerca de 20 reféns israelenses vivos seriam trocados por 250 prisioneiros palestinos cumprindo prisão perpétua em Israel e 1.700 palestinos detidos durante a guerra. Os corpos de 15 palestinos seriam devolvidos em troca dos restos mortais de cada israelense.

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Autoridades e analistas afirmam que a entrega dos corpos dos cerca de 25 reféns que foram mortos provavelmente será mais complicada e demorará mais.

O acordo deve permitir mais ajuda humanitária em Gaza

A proposta de Trump prevê um aumento significativo de ajuda humanitária para Gaza, que enfrenta uma crise de fome durante grande parte da guerra. Organizações humanitárias culpam as restrições israelenses à entrada de alimentos e outros bens no enclave pela escassez, que levou monitores internacionais a declarar fome em partes do norte de Gaza neste verão. Israel nega essa caracterização.

Hamas e Catar indicaram, em suas declarações iniciais sobre o acordo, que ele permitiria maior fluxo de ajuda. Mas os detalhes ainda não estão claros.

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Um cessar-fogo anterior e de curta duração entre Israel e Hamas, em janeiro, estipulava que centenas de caminhões com suprimentos entrariam no enclave diariamente.

Ainda não está claro se o Hamas irá se desarmar

Para que o plano de paz completo de Trump funcione, diplomatas e negociadores provavelmente precisarão resolver uma questão crucial: o Hamas concordará em entregar suas armas?

Netanyahu sempre insistiu que não aceitaria um acordo no qual o Hamas se recusasse a se desarmar. O grupo militante palestino rejeitou publicamente essa exigência.

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Trump não mencionou essa questão em sua postagem nas redes sociais nem em entrevista televisiva posterior, e não houve comentários públicos imediatos sobre isso por parte de Israel ou Hamas.

Alguns mediadores árabes que negociam o fim da guerra em Gaza acreditam que podem persuadir o Hamas a se desarmar parcialmente, segundo reportagem do The New York Times desta semana.

c.2025 The New York Times Company