O conselho de um bilionário aos jovens em tempos de IA: leia mais e fale melhor

Cofundador do Carlyle Group afirma que habilidades humanas ganharão valor à medida que a tecnologia assumir tarefas rotineiras

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Muitos empregadores têm dito aos trabalhadores que saber usar prompts e automação de fluxos de trabalho é algo inegociável na era da inteligência artificial. Mas, à medida que os chatbots assumem parte do pensamento analítico e das tarefas cognitivas rotineiras, cada vez mais líderes empresariais afirmam aos jovens profissionais que as habilidades humanas se tornaram um ativo valioso na revolução tecnológica. Para o bilionário David Rubenstein, os fundamentos do sucesso na carreira não mudaram, mesmo com a chegada da IA.

“Para um jovem, o melhor a fazer é aprender a ler e gostar de ler, aprender a se comunicar de forma eficaz e persuasiva, e aprender a escrever razoavelmente bem”, disse Rubenstein em entrevista recente ao Business Insider.

Em vez de simplesmente perseguir salários mais altos ou prestígio, o cofundador do Carlyle Group, gestora global de investimentos com US$ 14 bilhões sob gestão, aconselha os profissionais em início de carreira a “encontrar algo de que realmente gostem e transformar isso no trabalho de suas vidas”. Rubenstein acredita que o sucesso tende a surgir quando as pessoas desempenham uma atividade que não parece trabalho. Afinal, “ninguém ganhou um Prêmio Nobel odiando o que faz”, afirmou o bilionário de 77 anos.

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É um conselho transmitido por gerações de empreendedores. E, segundo Rubenstein, embora o valor de gostar do que se faz permaneça constante, a fórmula do sucesso profissional também continua praticamente a mesma. Ele reconhece que o mundo está mudando e que cada vez mais profissionais recorrem à IA para ler e escrever. Ainda assim, o julgamento humano seguirá sendo essencial para distinguir um texto bom de um ruim. Trata-se de uma habilidade que líderes empresariais continuam aprimorando: Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, já afirmou que passava 80% do dia lendo, enquanto Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, se mantém atualizado lendo cinco jornais antes mesmo de começar a trabalhar.

“Eu simplesmente acho que as habilidades básicas que tornaram as pessoas bem-sucedidas ao longo dos últimos milhares de anos provavelmente não vão desaparecer”, disse Rubenstein.

CEOs dizem que habilidades humanas estão se tornando mais valiosas na era da IA

A inteligência artificial está mudando a forma como as pessoas consomem e compartilham informações. Cerca de 40% dos americanos não leram um único livro no ano passado, e executivos demonstram preocupação com a possibilidade de a tecnologia reduzir ainda mais esse hábito. Resumos de reuniões, análise de grandes volumes de dados e até a leitura de livros por lazer já vêm sendo otimizados pela IA. Agora, muitos líderes preveem um renascimento das chamadas soft skills à medida que a tecnologia assume uma parcela maior do trabalho repetitivo.

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Daniela Amodei, presidente e cofundadora da Anthropic, acredita que as habilidades interpessoais são mais importantes do que nunca em um cenário em que humanos e IA trabalham lado a lado. Segundo ela, profissionais com formação em áreas ligadas às humanidades, ciências sociais, artes e disciplinas intensivas em leitura e escrita terão um conjunto de competências mais completo para prosperar.

A pioneira da IA argumenta que os modelos atuais já são muito bons em áreas técnicas e científicas. Por isso, competências como inteligência emocional, comunicação, curiosidade e pensamento crítico passam a ter ainda mais valor. Quem souber pensar criticamente e interagir bem com outras pessoas estará melhor posicionado para o futuro.

“Eu realmente acho que estudar humanidades vai se tornar mais importante do que nunca”, afirmou Amodei em entrevista à ABC News. “A capacidade de desenvolver pensamento crítico e aprender a interagir com outras pessoas será mais importante no futuro, e não menos.”

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Na prática, algumas das maiores histórias de sucesso do setor de tecnologia ajudam a reforçar essa tese. Jack Clark, cofundador da Anthropic, avaliada em cerca de US$ 965 bilhões, afirma que sua formação em literatura inglesa e escrita criativa foi fundamental para transformá-lo em uma das figuras mais influentes da indústria de IA. Segundo ele, desenvolver intuição, fazer as perguntas certas e conectar conhecimentos de diferentes áreas ajuda a impulsionar novas inovações.

“Sou formado em literatura, e provavelmente ninguém imaginaria alguém assim como cofundador de uma empresa de IA de fronteira”, disse Clark durante uma conferência no início do ano. “Mas acabou sendo extremamente útil ter aprendido tanto sobre história e sobre as narrativas que construímos a respeito do futuro.”

Jaime Teevan, cientista-chefe da Microsoft, compartilha uma visão semelhante. Para ela, profissionais com sólida formação em humanidades terão vantagem na era da IA. Isso porque o uso dessas ferramentas depende cada vez mais de linguagem natural, contexto, intenção e pensamento crítico, competências tradicionalmente desenvolvidas nesse tipo de formação.

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À medida que a IA assume tarefas repetitivas e operacionais, capacidade de julgamento, comunicação e entendimento de nuances serão diferenciais importantes, especialmente para a geração Z que entra em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

“Habilidades metacognitivas serão muito importantes: flexibilidade, adaptabilidade, experimentação, pensamento crítico e capacidade de questionar”, afirmou Teevan ao Wall Street Journal. “Desenvolver pensamento crítico exige atrito, fazer coisas difíceis e refletir profundamente.”

“Para isso, uma educação tradicional em artes liberais é realmente importante.”

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