O conselho de Steve Jobs que Larry Page não seguiu ao criar a Alphabet

O cofundador da Apple recomendou que o Google focasse em poucos produtos, mas Page tinha planos mais ambiciosos para a empresa
Sasha Rogelberg
Fortune

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Desde a criação do Google, os cofundadores Larry Page e Sergey Brin já consideravam o potencial de crescimento astronômico da empresa. Batizado em referência a “googol”, termo usado para designar o número 1 seguido de 100 zeros, o Google — então apenas um mecanismo de busca fundado em 1998 — cresceria tanto quanto a própria internet permitisse.

A empresa foi muito além dos limites da internet. Avaliada em cerca de US$ 1,9 trilhão, a Alphabet Inc., controladora do Google, ocupa o primeiro lugar na lista de 2026 das empresas mais inovadoras da Fortune. Dividida em quatro segmentos, a Alphabet atua desde serviços como Search e YouTube até computação em nuvem, passando pela Waymo, investimentos de private equity e sua unidade de pesquisa em inteligência artificial, a DeepMind.

Page, a segunda pessoa mais rica do mundo, com patrimônio estimado em cerca de US$ 295 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index, certamente colheu os frutos do sucesso da Alphabet. Ele foi CEO do Google de 1997 a 2001 e novamente de 2011 a 2015, além de ter sido CEO da Alphabet até 2019. Page continua como membro do conselho e acionista da empresa, exercendo, na prática, controle sobre ela ao lado do cofundador Brin, que voltou a se envolver cada vez mais com a estratégia de inteligência artificial da companhia. Brin é a quarta pessoa mais rica do mundo, com patrimônio de US$ 274 bilhões.

Esta quarta-feira (19) marcou o 22º aniversário da abertura de capital do Google. Embora a empresa tenha crescido enormemente nesse período, foi Steve Jobs, cofundador da Apple, quem deu alguns conselhos bastante perspicazes sobre seu futuro — uma empresa que hoje possui a segunda maior capitalização de mercado do mundo.

Page visitou Jobs no fim da vida dele, em 2011, para receber alguns conselhos francos de seu mentor. “A principal coisa que enfatizei foi foco”, disse Jobs, segundo Walter Isaacson, autor da biografia de Jobs. “Agora está tudo espalhado. Quais são os cinco produtos nos quais vocês querem se concentrar? Livre-se do resto, porque eles estão puxando vocês para baixo. Eles estão transformando vocês na Microsoft. Estão fazendo com que vocês lancem produtos que são adequados, mas não excelentes.”

“Ele estava certo”, disse Page à Fortune, em conversa com o ex-CEO da revista Alan Murray durante o Fortune Global Forum, em 2015, poucos dias depois da criação da Alphabet, em outubro. “Quer dizer, ele também se saiu bem.”

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Seguindo o conselho de Jobs

Page de fato seguiu inicialmente o conselho de Jobs, orientando os funcionários a se concentrarem nos produtos Android e no já extinto Google+. Mas o crescimento da Alphabet sugeria que a empresa estava preparada para coisas maiores — e para muito mais delas.

A Alphabet foi criada como uma estrutura para abrigar os futuros empreendimentos do Google, inclusive algumas ideias mais excêntricas, como lentes de contato capazes de monitorar os níveis de glicose. Embora Page reconhecesse que Jobs estava certo em certo sentido, ele também acreditava que os diferentes negócios da Alphabet eram interligados e que áreas como energia, telecomunicações e transporte se encaixavam sob o mesmo guarda-chuva.

“Eu sempre achei meio idiota ter uma empresa tão grande e só poder fazer, sei lá, cinco coisas”, disse Page em uma conversa informal de 2014 com a Khosla Ventures, fazendo uma provocação a Jobs.

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Page e Brin estavam tão certos quanto ao nome e ao propósito da Alphabet que nem sequer fizeram testes de mercado com o nome.

“Eu queria ter um nome do qual as pessoas tivessem orgulho de trabalhar”, disse Page. “Mas, na verdade, eu não queria que fosse muito chamativo, porque a ideia não era ter uma marca voltada ao consumidor da maneira que o Google é, mas sim uma marca da qual as empresas pudessem fazer parte.”

A Alphabet era uma marca voltada para seus funcionários e investidores, explicou Page. Mas ele não leva o crédito pelo nome.

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“Eu escolhi Google, então [Sergey] escolheu Alphabet.”

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