Número de baixas na guerra Rússia-Ucrânia se aproxima de 2 milhões, aponta estudo

O número de mortos, feridos e desaparecidos se aproxima de uma marca sombria após quase quatro anos de guerra

Helene Cooper The New York Times

O funeral de um soldado ucraniano em Uzhhorod, na Ucrânia, no ano passado. O novo balanço de baixas foi divulgado após conversas entre autoridades russas, ucranianas e americanas terem terminado no sábado com um raro tom positivo (Brendan Hoffman/The New York Times)
O funeral de um soldado ucraniano em Uzhhorod, na Ucrânia, no ano passado. O novo balanço de baixas foi divulgado após conversas entre autoridades russas, ucranianas e americanas terem terminado no sábado com um raro tom positivo (Brendan Hoffman/The New York Times)

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WASHINGTON — O número de soldados russos e ucranianos mortos, feridos ou dados como desaparecidos em quase quatro anos de guerra deve chegar a 2 milhões até a primavera do Hemisfério Norte, segundo um novo estudo, um saldo chocante enquanto a ofensiva da Rússia contra o país vizinho continua.

O levantamento, publicado nesta terça-feira pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS), em Washington, aponta que quase 1,2 milhão de militares russos e cerca de 600 mil ucranianos foram mortos, feridos ou estão desaparecidos. Isso levaria o total de baixas dos dois lados a quase 1,8 milhão.

Desde o início da guerra, tem sido difícil precisar os números de vítimas, já que se acredita que a Rússia subnotifique rotineiramente seus mortos e feridos, enquanto a Ucrânia não divulga dados oficiais. O estudo se baseou em estimativas dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido, entre outras fontes.

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Os números traçam um retrato sombrio do avanço modesto da Rússia na Ucrânia: em alguns trechos da frente, tropas russas avançam algo entre 15 e 70 metros por dia.

Desde janeiro de 2024, a Rússia tomou 1,5% do território ucraniano, de acordo com o CSIS, e ocupa hoje cerca de 20% do país.

Com as temperaturas rigorosas do inverno desacelerando as tropas dos dois lados, a Rússia vem avançando lentamente pelas regiões de Luhansk e Donetsk, no leste da Ucrânia, enquanto tenta assumir o controle total da área.

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As táticas também mudaram de lado a lado. Por causa da presença constante de drones sobre o campo de batalha, a Rússia reduziu em parte o uso de grandes movimentações de blindados pesados e passou a apostar mais em pequenos grupos de soldados em motocicletas ou a pé para tentar infiltrar as linhas ucranianas, na esperança de chamar menos atenção dos drones. Já os operadores de drones ucranianos monitoram pegadas e marcas de pneus na neve em busca de tropas russas.

O novo balanço de baixas foi divulgado após conversas entre autoridades russas, ucranianas e norte‑americanas — o primeiro encontro envolvendo os três países — terem terminado no sábado com um raro tom positivo.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, disse que as negociações avançaram e que o país está pronto para realizar novas rodadas. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que as conversas serão retomadas na próxima semana.

Estados Unidos e Ucrânia chegaram a um acordo sobre boa parte de um plano de paz que já foi revisado diversas vezes. Mas ainda não está claro se a Rússia aceitará qualquer parte desse plano.

Enquanto isso, o número de mortos continua a subir. O centro estima que quase 325 mil soldados russos tenham sido mortos desde que o presidente Vladimir Putin ordenou a invasão, em fevereiro de 2022.

“Nenhuma grande potência sofreu algo próximo a esses números de baixas ou mortes desde a Segunda Guerra Mundial”, diz o estudo.

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Só em 2025, houve cerca de 415 mil russos mortos ou feridos, uma média de quase 35 mil por mês. Na semana passada, o presidente Donald Trump afirmou que quase 26 mil soldados estavam morrendo na Ucrânia por mês.

O estudo calcula que entre 100 mil e 140 mil soldados ucranianos tenham sido mortos desde o início da guerra.

Os russos superam os ucranianos no campo de batalha por uma proporção de quase 3 para 1, e a Rússia tem uma população bem maior da qual pode repor seus contingentes. A Ucrânia perde uma fatia mais significativa de um exército menor.

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A Rússia tem mantido seus efetivos apesar das altas baixas ao realizar o primeiro alistamento obrigatório em larga escala desde a Segunda Guerra Mundial e ao recrutar presos e devedores. Também tem oferecido bônus a novos recrutas.

Estima-se que até 15 mil soldados norte-coreanos tenham lutado ao lado dos russos, principalmente na região russa de Kursk, no oeste do país, depois que a Ucrânia reconquistou territórios ali. Autoridades de inteligência e analistas da Coreia do Sul afirmam que pelo menos centenas de militares norte-coreanos teriam sido mortos na guerra.

O conflito também tem pressionado a economia russa, segundo Seth G. Jones, um dos autores do estudo. A economia de guerra da Rússia estaria “sob pressão crescente”, afirma o relatório, “com a indústria em declínio, o crescimento desacelerando para 0,6% em 2025 e nenhuma empresa de tecnologia globalmente competitiva para impulsionar a produtividade de longo prazo”.

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Os números elevados de baixas, o ritmo lento dos ganhos territoriais e os prejuízos econômicos são um indicativo claro de enfraquecimento da Rússia, diz Jones.

“O fraco desempenho da Rússia no campo de batalha na Ucrânia e a queda na produtividade econômica indicam que o país está em sério declínio como grande potência”, disse ele em e-mail. “Embora ainda possua armas nucleares e um grande Exército, a Rússia já não é uma grande potência na maioria das categorias militares, econômicas ou de ciência e tecnologia.”

c.2026 The New York Times Company