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Piratas da Somália estão aproveitando um vácuo de segurança marítima criado pela guerra com o Irã, segundo uma reportagem da Politico, que identificou uma retomada dos ataques contra navios comerciais à medida que recursos navais internacionais foram redirecionados para o Oriente Médio. O movimento ocorre enquanto a indústria global de navegação enfrenta ataques nas proximidades do Estreito de Ormuz e do estreito de Bab el-Mandeb, preços mais altos de energia e uma forte redução no tráfego em algumas das rotas marítimas mais importantes do mundo.
Até 22 de agosto, seis embarcações comerciais haviam sido capturadas desde abril no Golfo de Áden e no oeste do Oceano Índico. O número supera o registrado anteriormente pela Politico, que relatou que piratas somalis haviam sequestrado ao menos três navios-tanque transportando petróleo e fertilizantes desde abril. Em julho, um navio carregado com produtos químicos também foi sequestrado na costa do Iêmen. Os ataques mais recentes ocorreram enquanto Estados Unidos e outros países concentravam forças navais no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.
A Casa Branca não comentou imediatamente a situação em resposta a questionamentos da revista Fortune.
Brett Erickson, sócio-diretor da consultoria Obsidian Risk Advisors, afirmou à Politico que os piratas estão se beneficiando do redirecionamento dos recursos militares americanos. Ele os descreveu como “oportunistas em busca de lucro”.
“Este é obviamente um negócio extremamente lucrativo para eles”, afirmou. “E, neste momento, enfrentam um risco muito menor de reação dos EUA porque tantos recursos estão comprometidos com o Oriente Médio de forma geral.”

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Erickson também alertou que a pirataria está se tornando mais relevante porque surge ao mesmo tempo que outras ameaças ao transporte marítimo. Segundo ele, o setor agora enfrenta “múltiplos vetores” de risco que elevam custos e obrigam empresas a rever suas operações.
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A guerra com o Irã começou em fevereiro, quando ataques aéreos dos Estados Unidos desencadearam um conflito centrado em parte do Estreito de Ormuz, passagem por onde normalmente circula uma parcela significativa do comércio marítimo global de energia. Os ataques a embarcações comerciais e a disputa pelo controle da rota provocaram um colapso no tráfego marítimo. Com base em relatórios da agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), foram registrados 41 incidentes recentes nas regiões de Bab el-Mandeb e Ormuz até 25 de agosto.
Segundo dados da Reuters, menos de 20 navios de commodities atravessaram o Estreito de Ormuz durante o fim de semana encerrado em 24 de agosto.
Apesar da alta recente, a situação ainda está longe do auge da crise da pirataria somali. Entre 2005 e 2012, piratas da Somália realizaram mais de 1.000 ataques, arrecadaram mais de US$ 400 milhões em resgates e chegaram a gerar custos estimados em US$ 18 bilhões por ano para a economia global. Patrulhas internacionais envolvendo Otan, União Europeia e a força multinacional Combined Maritime Forces conseguiram reduzir significativamente a ameaça.
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“A ameaça representada pelos piratas somalis, sozinha, talvez não seja fatal”, disse Erickson à Politico. “Mas, combinada com todos os outros fatores, suas ações estão fazendo uma diferença significativa.”
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