Aliados dos EUA colocam em dúvida versão de Trump sobre segurança em Ormuz

Fontes afirmam que o estreito ainda pode abrigar dezenas de minas iranianas, apesar dos esforços americanos de desminagem e da retomada gradual do tráfego marítimo

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Aliados dos Estados Unidos estão alertando reservadamente que o Estreito de Ormuz provavelmente ainda contém minas navais, colocando em dúvida a afirmação do presidente Donald Trump de que a Marinha americana removeu e detonou completamente os explosivos instalados pelo Irã.

Segundo pessoas familiarizadas com avaliações internas, que pediram anonimato para discutir o tema, os EUA provavelmente tiveram algum sucesso na remoção de minas em águas internacionais. No entanto, elas acreditam que as operações de desminagem ainda não eliminaram todas as cerca de 80 a 150 minas que teriam sido colocadas pelo Irã.

A avaliação contraria declarações repetidas por Trump nos últimos dias de que o estreito já foi totalmente liberado. Nesta quarta-feira, ele classificou Ormuz como “um estreito plenamente funcional” e reiterou que não restam minas na região.

“As minas desapareceram. Vocês provavelmente viram isso. Divulgamos ontem: eliminamos todas as minas”, afirmou durante entrevista ao programa The Glenn Beck Program.

O Comando Central dos EUA (Centcom) se recusou a comentar nesta quarta-feira as estimativas sobre a presença de minas em Ormuz.

Trump vem insistindo que o estreito é seguro como parte de um esforço mais amplo de sua administração para acalmar os mercados de energia enquanto tenta encerrar a guerra de seis meses antes das eleições legislativas de novembro.

Autoridades de países aliados acreditam que a tarefa se tornou ainda mais complicada porque muitas minas, inclusive aquelas identificadas e posicionadas em grupos, podem ter sido deslocadas pelas correntes marítimas.

Esses governos alertam que restaurar a confiança das empresas de navegação para voltar a utilizar a rota exigirá uma iniciativa internacional, combinando equipamentos sofisticados de desminagem com proteção aérea e naval. Os aliados também querem que o Irã autorize Omã a conduzir uma missão desse tipo em águas omanenses para garantir que embarcações não sejam atacadas.

“É altamente improvável que todas as minas no estreito tenham sido removidas”, afirmou Becca Wasser, especialista em defesa da Bloomberg Economics. “Mesmo que a ameaça das minas tenha sido reduzida, o Irã ainda pode intensificar o conflito. Diversos navios comerciais continuam ao alcance de drones iranianos e mísseis de curto alcance, e muitos deles estão fora da cobertura dos sistemas de defesa aérea dos EUA.”

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O almirante Brad Cooper, chefe do Centcom, declarou ao Congresso em maio que ataques americanos destruíram mais de 90% do estoque estimado de cerca de 8 mil minas armazenadas pelo Irã. Em abril, o comando informou que dois destróieres atravessaram o Estreito de Ormuz “como parte de uma missão mais ampla para garantir que a passagem esteja completamente livre das minas marítimas instaladas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã”.

As declarações de Trump enfrentam não apenas o ceticismo de parceiros de segurança. O tráfego pelo estreito aumentou, mas segue muito abaixo dos níveis registrados antes da guerra. Enquanto isso, os EUA tentam direcionar navios comerciais pela margem omanense da passagem para aumentar a segurança.

A Organização Marítima Internacional (IMO) voltou a alertar na terça-feira para que embarcações “exerçam máxima cautela e evitem expor marinheiros a riscos desnecessários ao considerar a travessia do estreito”.

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Teerã continua ameaçando atacar embarcações que tentarem cruzar a região sem sua autorização.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou novamente na noite de terça-feira que apenas a República Islâmica sabe onde as minas estão localizadas. Em entrevista à televisão estatal, disse que qualquer embarcação americana envolvida em operações de desminagem “seria um excelente alvo para nossas Forças Armadas”.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, discutiram uma iniciativa para criar um “corredor marítimo temporário conjunto” e um projeto de remoção de minas, segundo comunicado divulgado pela agência oficial de notícias de Omã na terça-feira.

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Ainda assim, a remoção das minas continua sendo um processo lento e complexo, especialmente porque o Irã provavelmente utilizou minas do tipo Maham, consideradas mais difíceis de detectar. A Marinha dos EUA dispõe de drones e outros sistemas autônomos para localizar esses dispositivos, mas historicamente depende de aliados europeus que possuem equipamentos avançados de caça-minas.

Reino Unido e França vêm planejando uma missão mais ampla para restaurar a confiança das empresas de navegação, incluindo operações de desminagem, assim que um cessar-fogo for firmado e demonstrar estabilidade. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, chefes militares americanos pretendem se reunir com seus colegas europeus após um eventual acordo para coordenar a chamada missão de segurança marítima.

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