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A Anthropic tem um novo produto com uma grande pegadinha: ele é poderoso demais para ser lançado.
Para uma empresa avaliada em cerca de US$ 380 bilhões e que, segundo o mercado, se prepara para abrir capital ainda este ano, é uma postura pouco usual — mas que pode render no longo prazo.

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O novo modelo de IA se chama Claude Mythos e é o primeiro que a Anthropic assume publicamente ser arriscado demais para liberar ao público em geral. (Se o nome te soa familiar, provavelmente é porque você já leu sobre ele aqui, quando a Fortune revelou posts de blog mencionando o modelo em um pacote de dados aberto na internet.) A rival OpenAI tomou uma decisão parecida em 2019, quando segurou o lançamento do GPT‑2 por medo de que fosse usado para produzir textos falsos muito convincentes — na época, o atual CEO da Anthropic, Dario Amodei, ainda trabalhava com Sam Altman.
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Desta vez, Amodei escolheu outro caminho. A empresa anunciou nesta terça-feira que vai liberar o Mythos apenas por convite, dentro de uma iniciativa chamada Project Glasswing, voltada exclusivamente para trabalhos de cibersegurança defensiva e restrita a cerca de 40 organizações. A ideia é dar vantagem aos “times do bem” na proteção de alguns dos sistemas de software mais críticos do mundo contra riscos de segurança trazidos por modelos de IA avançados. Entre os parceiros estão Amazon, Apple, Microsoft e Cisco.
E o que tudo isso significa para a posição da Anthropic na corrida da IA — e para o IPO que todo mundo espera? Algumas coisas.
Como lembra meu colega Jeremy Kahn, a Anthropic vem em uma arrancada forte. A empresa atingiu um faturamento anualizado na casa de US$ 30 bilhões — número que implica um salto de 58% na receita só em março e já supera os US$ 25 bilhões anualizados que a OpenAI reportou em fevereiro. (A comparação não é perfeita porque cada uma calcula o “run rate” de um jeito, mas dá para ver claramente para onde as duas curvas estão apontando.)
Agora, a Anthropic tem um modelo que, pelos próprios benchmarks da empresa, deixa os concorrentes bem para trás. E ainda achou um jeito de grudar de vez em alguns dos maiores nomes da tecnologia corporativa. Tudo isso apesar da briga pública com o governo Trump e de dois vazamentos acidentais que ganharam destaque.
Além de ser uma iniciativa real de segurança, o Project Glasswing também funciona como um baita movimento de construção de reputação, na avaliação de Paulo Shakarian, professor de inteligência artificial na Universidade de Syracuse.
Ao criar um consórcio bem fechado e trabalhar diretamente com empresas grandes, a Anthropic está “assumindo a liderança na mitigação desses novos riscos”, disse ele à Fortune. É uma estratégia que, segundo Shakarian, “cai muito bem com os diretores de segurança (CSOs) mundo afora”. Em um setor que depende de troca constante de informações sobre ameaças, esse tipo de colaboração tende a render muitos pontos com clientes corporativos.
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Mas o novo poder de fogo do Mythos também tem um preço. Para Richard Whaling, pesquisador-chefe da startup de cibersegurança Charlemagne Labs, a Anthropic pode estar preocupada não só com o mau uso, mas também com os custos do modelo.
“Eu concordo com as preocupações da Anthropic sobre o uso indevido do Mythos, mas acho que também existe uma limitação de recursos em jogo”, disse ele. “A Anthropic não revelou o tamanho do Mythos, mas deu a entender que ele é muitas vezes maior — e bem mais caro — que o Claude Opus. Acho provável que a empresa simplesmente não tenha GPUs e outros recursos de computação suficientes para oferecer o modelo em larga escala.”
Traduzindo: a Anthropic pode ter construído algo que, ao mesmo tempo, é perigoso demais e caro demais para ser colocado no mercado para todo mundo, do jeito que está hoje.
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Ninguém sabe por quanto tempo o Mythos vai seguir fora do alcance de usuários comuns e da maior parte das empresas. A Anthropic diz que já trabalha em “travaseguranças” para o modelo. Em geral, modelos de IA vão ficando mais baratos e fáceis de operar com o tempo. E sempre há cliente disposto a pagar mais por capacidade extra. A própria Anthropic já avisou que vai bancar os primeiros US$ 100 milhões de custo dos participantes do Glasswing, e estimativas iniciais indicam que poderia cobrar desses parceiros algo em torno de cinco vezes mais pelo Mythos do que cobra hoje pelo Opus.
A OpenAI, claro, não está fora do jogo. Há relatos de que ela também está para lançar um novo modelo e prepara um rollout parecido para outro produto com foco forte em cibersegurança. Mas, por enquanto, a Anthropic está em uma posição invejável nessa corrida maluca da IA: com vantagem em capacidade e cada vez mais colada no tipo de cliente corporativo e de segurança que ela quer conquistar.
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