Chegou a hora dos carros elétricos mais baratos e com grande autonomia

Modelos abaixo de US$ 40 mil nos EUA já alcançam distâncias maiores graças à evolução das baterias e à redução de custos

Francesca Paris The New York Times

Imagem: Stefan Schweihofer/Pixabay
Imagem: Stefan Schweihofer/Pixabay

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É um momento estranho para os veículos elétricos nos Estados Unidos. As vendas caíram desde que o governo Trump encerrou o crédito tributário de US$ 7.500, e as montadoras estão cancelando modelos. E, embora seja provável que a recente alta nos preços da gasolina leve mais pessoas aos carros elétricos, isso provavelmente não acontecerá rapidamente.

Mas, se há um ponto positivo no mercado de veículos elétricos, é o carro de grande autonomia e preço mais baixo — um segmento que vem crescendo em número de modelos e, em alguns casos, até em vendas.

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Carros elétricos abaixo de US$ 40.000 agora podem rodar tão longe quanto os modelos mais caros de uma década atrás.

A chamada “ansiedade de autonomia” há muito tempo é um obstáculo para potenciais compradores de veículos elétricos, especialmente no inverno. A maioria das pessoas não precisa dirigir longas distâncias todos os dias, mas quer saber se pode fazer uma viagem longa ocasional.

Por muito tempo, preço e autonomia estiveram altamente correlacionados: modelos mais caros rodavam muito mais com uma única carga. Isso já não é mais verdade. Alguns carros caros têm autonomia estimada acima de 644 quilômetros — especialmente alguns modelos da Lucid e da Rivian —, mas outros oferecem menos autonomia do que carros US$ 50.000 mais baratos.

Autonomia e preço não são os únicos critérios para todo mundo — há velocidade de recarga, potência, confiabilidade, estética, tamanho e outros fatores a considerar. Mas, se a principal preocupação for apenas o quanto o carro pode rodar com uma única carga sem custar uma fortuna, vale considerar uma métrica incomum, mas útil: quilômetros de autonomia por dólar gasto.

Com preço inicial de US$ 32.000, o Nissan Leaf 2026 oferece quase 16 quilômetros de autonomia total para cada US$ 1.000 do preço de tabela, com o Chevrolet Equinox EV, de US$ 37.000, logo atrás. Os veículos elétricos mais caros têm desempenho bem pior nessa métrica — 4,8 quilômetros por US$ 1.000 ou menos —, mas são carros de luxo.

(Observe que preço e autonomia variam mesmo dentro de um único modelo, dependendo da versão; consideramos o menor preço e a maior autonomia de cada carro e escolhemos o melhor resultado na relação quilômetros por dólar.)

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Há apenas cinco anos, os melhores carros nessa métrica não passavam de 9,7 quilômetros por US$ 1.000 (ajustado pela inflação).

Uma parte importante dessa evolução é a tecnologia de baterias: os preços das baterias de íons de lítio, o principal tipo usado em veículos elétricos, caíram para cerca de US$ 100 por quilowatt-hora em 2025, ante US$ 1.000 no início da década de 2010, segundo a BloombergNEF. A densidade das baterias também aumentou.

Com a queda no custo das baterias e o aumento da produção de veículos elétricos, a autonomia subiu e os preços caíram. O Model 3 mais barato da Tesla passou a oferecer 517 quilômetros de autonomia neste ano, ante 354 quilômetros quando foi lançado, no fim da década de 2010, enquanto seu preço ajustado pela inflação diminuiu.

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Ou considere o Leaf, que estreou há 15 anos. Em 2016, o Leaf mais barato tinha 135 quilômetros de autonomia e custava cerca de US$ 30.000 — o equivalente a US$ 40.000 hoje.

O Leaf 2026, de US$ 32.000, tem autonomia superior a 483 quilômetros.

Algumas montadoras lançaram modelos totalmente novos abaixo de US$ 40.000 nos últimos anos, incluindo o Chevrolet Equinox e o Subaru Uncharted.

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E o fim do crédito tributário levou outras a reduzirem os preços de modelos existentes: a Tesla lançou uma versão mais enxuta e significativamente mais barata do Model 3, e a Hyundai cortou os preços do Ioniq 5 em valor semelhante ao do crédito.

No conjunto, a faixa mais barata do mercado cresceu rapidamente, e o preço médio de um veículo elétrico novo caiu. (Os preços dos elétricos usados também caíram, e as vendas aumentaram.)

Ainda há muitas notícias negativas no setor, com montadoras cancelando modelos e reduzindo investimentos na fabricação de baterias. As vendas de veículos elétricos novos caíram 27% do início de 2025 para o início de 2026.

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Mas os modelos que ofereciam versões com alta autonomia e preço mais baixo pareceram resistir melhor à queda — alguns até registraram aumento nas vendas, enquanto outros se mantiveram relativamente estáveis, apesar do fim do crédito tributário.

Os veículos elétricos novos ainda não superam os carros a gasolina novos em preço de tabela e autonomia. Um Toyota Corolla padrão pode rodar mais de 644 quilômetros com um tanque de gasolina e custa cerca de US$ 25.000.

Ainda assim, os custos de rodar com um carro a gasolina se acumulam: se o preço da gasolina ficar em torno de US$ 3,50 por galão (3,78 litros), esse Corolla relativamente eficiente custaria mais de US$ 1.100 por ano para o motorista médio, além de um valor semelhante em manutenção. Em uma década, isso chegaria a quase US$ 50.000 (incluindo a compra do carro).

O Leaf de US$ 32.000 custaria cerca de US$ 600 por ano para rodar, considerando os preços médios de eletricidade nos Estados Unidos, e aproximadamente o mesmo em manutenção, segundo estimativas federais. Em uma década, o total chegaria a US$ 45.000.

c.2026 The New York Times Company

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