As maiores empresas de Minnesota pedem redução imediata das tensões com ICE

Target, Best Buy, General Mills e Cargill estão entre as empresas que divulgaram carta aberta pedindo fim dos conflitos que já causaram 2 mortes

Lauren Hirsch The New York Times

Memorial improvisado em homenagem a Alex Pretti, morto a tiros por agentes federais de imigração dos EUA em Minneápolis
25/01/2026 REUTERS/Tim Evans
Memorial improvisado em homenagem a Alex Pretti, morto a tiros por agentes federais de imigração dos EUA em Minneápolis 25/01/2026 REUTERS/Tim Evans

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Diretores-executivos da Target, Best Buy, General Mills e Cargill estiveram entre mais de 60 grandes empresas de Minnesota que divulgaram, no domingo, 25, uma carta pública pedindo uma “redução imediata das tensões” no estado.

A carta marca a primeira vez que as empresas mais reconhecidas de Minnesota se pronunciam sobre a turbulência em Minneapolis, em meio à repressão agressiva promovida por agentes federais de imigração, que desencadeou protestos generalizados por toda a cidade.

O documento veio um dia depois de agentes federais terem atirado e matado Alex Pretti, 37 anos, enfermeiro do hospital de veteranos da cidade, enquanto ele era contido em uma calçada de Minneapolis.

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“Com a trágica notícia, estamos pedindo uma redução imediata das tensões e que autoridades estaduais, locais e federais trabalhem juntas para encontrar soluções reais”, afirma a carta.

O texto foi assinado pelos principais executivos das maiores empresas de Minnesota e de grandes sistemas hospitalares, incluindo Land O’ Lakes, Hormel, U.S. Bancorp, Mayo Clinic e 3M. Também foi assinado por equipes esportivas locais: Minnesota Vikings, Minnesota Timberwolves e Minnesota Wild.

A carta chama a atenção porque muitos CEOs têm buscado evitar se manifestar sobre questões politicamente sensíveis durante o segundo governo Trump. Na sexta-feira, 23, centenas de pequenas empresas da região de Minneapolis fecharam as portas em apoio aos protestos contra as ações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) na cidade.

A carta foi divulgada pela Câmara de Comércio de Minnesota, que representa mais de 6.000 empresas em todo o estado.

Horas depois, Josh Bolten, CEO do Business Roundtable, uma associação de mais de 200 CEOs das principais empresas dos Estados Unidos, disse em um comunicado por e-mail que apoiava a carta da Câmara de Comércio de Minnesota. Beth Ford, CEO da Land O’ Lakes, integra o conselho do Business Roundtable.

Até domingo, as maiores empresas de Minnesota não haviam se pronunciado sobre o tema, mas, na carta, afirmaram que vinham mantendo contato com autoridades federais, estaduais e locais.

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O silêncio das grandes empresas contrastou fortemente com suas reações ao assassinato de George Floyd em Minneapolis, em 2020. Aquele crime ajudou a desencadear um movimento corporativo mais amplo de combate ao racismo, com executivos fazendo promessas públicas de apoiar iniciativas de diversidade, doar para causas de justiça social e expressar solidariedade aos manifestantes na época.

Mas, nos anos seguintes, as empresas passaram a evitar se envolver em qualquer fogo cruzado político, à medida que o país se tornou mais polarizado. Muitas disseram que seriam mais seletivas em relação aos temas que abordam, limitando-se àqueles que afetam diretamente seus negócios.

No Fórum Econômico Mundial da semana passada, que já foi um polo dessas questões sociais, praticamente não houve menção pública, por parte dos executivos, à instabilidade em Minnesota. O foco esteve, em vez disso, em inteligência artificial, negociações e no redesenho das alianças globais.

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Para algumas empresas, porém, a violência em Minnesota atingiu um ponto particularmente sensível. Depois que agentes de imigração detiveram dois funcionários da Target na loja de Richfield, Minnesota, neste mês, líderes religiosos se reuniram na sede da varejista, pedindo que a empresa mantivesse agentes de imigração fora de suas propriedades.

“Todo CEO — e eu conheço todos esses CEOs — quer um ambiente pacífico para seus funcionários”, disse Bill George, ex-CEO da Medtronic, cujo atual presidente-executivo assinou a carta. George também é ex-membro do conselho da Target.

“A questão maior para os CEOs”, acrescentou ele, é que a instabilidade em Minneapolis “vai ter um efeito muito negativo sobre o crescimento, sobre a inovação e, em especial, sobre a capacidade de recrutar pessoas de todo o país e do mundo”.

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Falar como grupo, como fizeram os executivos de Minnesota no domingo, pode ajudar a proteger as empresas de ataques individuais do presidente Donald Trump, disse Jeff Sonnenfeld, professor de estudos de liderança na Yale School of Management.

“Você pode derrubar empresas individualmente, mas, quando elas atuam coletivamente, têm imunidade”, afirmou Sonnenfeld.

Executivos também recorreram de forma semelhante à força dos números ao expressar preocupações com tarifas, às quais organizações como a U.S. Chamber of Commerce se opuseram na primavera passada. Muitas empresas acabaram firmando seus próprios acordos com o governo em relação às tarifas.

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A carta de domingo evitou pedir ações específicas e tampouco condenou o assassinato de Pretti pelos agentes federais ou pediu que as autoridades de imigração reduzissem sua aplicação agressiva da lei. A declaração também não pediu que os manifestantes mudassem seu comportamento.

Com pesquisas mostrando eleitores divididos, ao longo das linhas partidárias, sobre o apoio à repressão migratória de Trump, as corporações têm sido cautelosas para não afastar grandes parcelas de seus clientes ao tomar partido. Elas também correm o risco de irritar Trump, que já repreendeu publicamente empresas e executivos que acredita terem cruzado seus limites.

A carta das empresas de Minnesota divulgada no domingo adotou um tom neutro:

“Neste momento difícil para nossa comunidade, pedimos paz e cooperação focada entre líderes locais, estaduais e federais para alcançar uma solução rápida e duradoura que permita que famílias, empresas, nossos funcionários e comunidades em todo Minnesota retomem nosso trabalho de construir um futuro brilhante e próspero”, escreveram os executivos.

Alison Taylor, professora associada clínica de negócios e sociedade na Stern School of Business da Universidade de Nova York, disse achar que as empresas não tinham escolha a não ser se manifestar. “Elas foram encurraladas, porque, obviamente, a situação em curso está começando a ter consequências comerciais”, afirmou.

Taylor acrescentou: “É melhor do que não fazer nada? Provavelmente. É suficiente? Não acho que alguém vá considerar isso suficiente.”

c.2026 The New York Times Company