Anthropic supera OpenAI e se torna a startup de IA mais valiosa do mundo

A Anthropic levantou US$ 65 bilhões em uma nova rodada de captação que avaliou a empresa em US$ 900 bilhões, acima da última avaliação da OpenAI, de US$ 730 bilhões, enquanto as companhias disputam a liderança em IA

Mike Isaac Cade Metz The New York Times

(Jason Henry/The New York Times)
(Jason Henry/The New York Times)

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SAN FRANCISCO — A Anthropic, que até pouco tempo era vista como a concorrente “menos famosa” da OpenAI na inteligência artificial, vem numa escalada quase ininterrupta nos últimos meses.

A empresa de San Francisco recentemente comprou briga com o Pentágono sobre o uso de IA em guerras. Lançou um modelo poderoso de IA, o Mythos, que, segundo a companhia, é assustadoramente bom em encontrar e explorar falhas escondidas em softwares. E ainda aconselhou o papa Leão XIV na encíclica divulgada na segunda-feira, em que ele alertou para a necessidade de proteger a humanidade dos efeitos mais disruptivos da IA.

Nesta quinta-feira, a Anthropic coroou essa trajetória ao ultrapassar oficialmente a OpenAI e se tornar a startup de IA mais valiosa do mundo. A empresa disse ter levantado US$ 65 bilhões em uma rodada que avaliou o negócio em US$ 900 bilhões antes da entrada do novo capital — o suficiente para colocá-la à frente da última avaliação da OpenAI, de US$ 730 bilhões. A companhia também apresentou seu novo modelo “top de linha”, o Claude Opus 4.8, bem mais avançado que o anterior na geração de código.

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O novo aporte, liderado por Greenoaks Capital, Sequoia Capital, Altimeter Capital e Dragoneer Investment Group, praticamente multiplicou por 2,5 o valor da Anthropic em relação à avaliação de cerca de US$ 380 bilhões feita há apenas três meses.

A nova rodada reforça o quanto a empresa tem se destacado no desenvolvimento de IA voltada para programação, um negócio que virou uma fonte importante de receita. Desde que a Anthropic turbinou sua tecnologia de código em novembro, centenas de empresas passaram a pagar pelo software. Segundo a companhia, sua “revenue run rate” — a receita anualizada estimada com base no ritmo atual — ultrapassou US$ 47 bilhões neste mês.

“Esse financiamento vai nos ajudar a atender a demanda histórica que estamos vendo, continuar na fronteira da pesquisa e levar o Claude para mais lugares onde o trabalho acontece”, disse Krishna Rao, diretor financeiro da Anthropic.

A velocidade da Anthropic chama atenção mesmo num ambiente já aquecido em torno da IA. Há apenas 62 dias, a OpenAI — que desencadeou o boom atual com o lançamento do ChatGPT em 2022 — anunciou que havia levantado US$ 122 bilhões, em uma rodada que avaliou a empresa em US$ 730 bilhões, valor que levou cerca de uma década para ser construído. Fundada em 2021, a Anthropic passou dessa marca em metade do tempo.

O momento da empresa ganhou ainda mais força nos últimos meses, à medida que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, passou a falar mais abertamente sobre os riscos da IA e a defender maior regulação. Isso acabou levando a um confronto duro com o Pentágono sobre como a tecnologia deveria ser usada em cenários de guerra, além de outras polêmicas públicas.

A ascensão da Anthropic amplia a disputa com a OpenAI e com a SpaceX, de Elon Musk, numa corrida para chegar à bolsa.

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Na semana passada, a SpaceX divulgou seu prospecto de oferta pública e pode estrear no mercado já no mês que vem. A OpenAI também pretende protocolar, de forma confidencial, o pedido de IPO nas próximas semanas. Pessoas próximas à Anthropic dizem que a empresa também avalia uma abertura de capital ainda neste ano, embora a companhia não comente o assunto.

A disputa, porém, está longe do fim. Sob pressão da Anthropic, a OpenAI enxugou projetos paralelos para priorizar seu próprio software de programação, o Codex. A SpaceX fechou acordo para comprar a Cursor, uma interface de código bastante popular entre desenvolvedores, e decidiu vender parte da sua capacidade computacional para a Anthropic.

A OpenAI preferiu não comentar. Musk não respondeu a pedidos de entrevista.

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Na rodada mais recente, a Anthropic trouxe novos investidores estratégicos como Samsung, Micron e SK Hynix — fabricantes de chips de memória, armazenamento e lógica, essenciais para treinar e rodar sistemas de IA. Em um post no blog da empresa, a Anthropic afirmou que esses parceiros vão ajudar a aumentar a capacidade computacional da companhia à medida que cresce a demanda pelo Claude Code.

Desde que foi criada, a Anthropic já levantou mais de US$ 130 bilhões, segundo a PitchBook, que acompanha startups. Entre os investidores estão casas como Capital Group, Menlo Ventures, Iconiq Capital e Lightspeed Venture Partners, além de gigantes de tecnologia como Amazon e Google.

O novo Claude Opus 4.8 supera todas as outras tecnologias públicas de IA em “vibe coding” — jargão para descrever quando a IA escreve softwares a partir de comandos em inglês coloquial. Segundo Rayan Krishnan, CEO da Vals AI, empresa que acompanha o desempenho dos modelos mais recentes, o Opus 4.8 foi 10% melhor nesse benchmark em relação ao modelo anterior da Anthropic.

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O novo modelo também superou o anterior em matemática, outra frente em que as principais tecnologias de IA vêm avançando rapidamente.

(O New York Times moveu um processo contra a OpenAI e sua parceira, Microsoft, acusando as empresas de violar direitos autorais ao usar conteúdo jornalístico em sistemas de IA. OpenAI e Microsoft negam as acusações.)

c.2026 The New York Times Company