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O empreendedor brasileiro Guilherme Gomes conheceu o Bitcoin (BTC) em 2016, quando a criptomoeda ainda era vista com ceticismo. Após alguns anos de estudo, a confiança no potencial da moeda digital foi tão grande que ele converteu todo o portfólio pessoal para a cripto – algo que, vale notar, não é recomendado para todo mundo, especialmente quem não conhece o setor. Agora, junto a um grupo de especialistas do mercado financeiro, ele está prestes a levar à B3 a primeira empresa com estratégia 100% voltada ao Bitcoin: a OranjeBTC, da qual é CEO e fundador.
A OranjeBTC, cujo CNPJ foi aberto em maio deste ano, é uma “bitcoin treasury company” – nome dado a firmas que mantêm criptos em caixa. No tesouro da empresa brasileira há 3.650 Bitcoins – o equivalente, hoje, a mais de R$ 2 bilhões. Para entrar na B3, a companhia está fazendo “IPO reverso”. Em resumo, isso significa que uma empresa fechada chega à bolsa não por abertura de capital, mas pela compra de um negócio já listado.
No caso, a OranjeBTC adquiriu 100% da Intergraus, um cursinho pré-vestibular tradicional em São Paulo, segundo fato relevante divulgado nesta semana. O curso, que pertencia ao grupo de educação Bioma, já é listado na bolsa. O valor pago foi de R$ 15 milhões – aproximadamente o preço de duas Ferrari 12 Cilindri, lançadas neste ano no Brasil.
“Tem agora alguns atos societários que vão ser cumpridos, mas se eles forem realizados como esperado, a gente deve finalizar tudo até início de outubro”, contou Gomes para a reportagem, em uma conversa no segundo dia do Digital Assets Conference 2025 (DAC), evento promovido pelo Mercado Bitcoin, em São Paulo, nesta terça-feira (23). O empreendedor tem passagens por Bridgewater Associates e pela Swan Bitcoin, nos Estados Unidos.
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Estratégia em duas frentes
A ideia do negócio, segundo o empresário, é acelerar a adoção do Bitcoin no mercado brasileiro em duas frentes: uma com a tesouraria robusta em BTC e outra com uma iniciativa de educação, com cursos, publicações de pesquisa, organização de eventos e produção de conteúdos sobre a indústria cripto.
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“A gente tem uma oportunidade muito grande de educar o mercado sobre Bitcoin. Por isso, é estratégico a aquisição do curso Intergraus, porque tem um nome muito grande em educação, cursos livres, quase 45 anos de operação e 40 mil ex-alunos”, disse.
Sobre a tesouraria, ele contou que a ideia é fazer compras recorrentes de Bitcoin, nos moldes da MicroStrategy – empresa queridinha de Wall Street que serve de inspiração para o negócio. De acordo com o site Bitcoin Treasuries, a empresa gringa tem 639.835 unidades de BTC, o equivalente a US$ 71,8 bilhões (R$ 379 bilhões).
“Acho que a MicroStrategy criou um novo modelo de companhias com Bitcoin em tesouraria, que emitem diversos tipos de títulos financeiros para se recapitalizar e continuar comprando o ativo. Nosso intuito é muito parecido”, disse.
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Além da MicroStrategy, cerca de 190 outras firmas mantêm parte de seu caixa em Bitcoin, entre elas a brasileira Méliuz (CASH3). A empresa de cashback detém cerca de 605 BTC, mas, diferentemente da OranjeBTC, não tem seu negócio voltado exclusivamente para criptomoedas. No início deste mês, a firma ampliou sua atuação no setor cripto ao adotar uma estratégia de derivativos com Bitcoin.
Os “bitcoiners” da OranjeBTC
Gomes, da OranjeBTC, não está sozinho nessa empreitada cripto na América Latina. Ao seu lado, no conselho de administração, estão nomes como Eric Weiss, ex-Morgan Stanley, fundador da Blockchain Investment Group e mentor de Michael Saylor, cofundador da Strategy; Fernando Ulrich, sócio da Liberta Investimentos e pioneiro do BTC no Brasil; Julio Capua, que foi sócio da XP; e Josh Levine, vice-presidente da BlackRock.
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“O universo de investidores em ativos digitais no Brasil já é maior do que o de dólar, Tesouro Direto e ações, de acordo com pesquisas de mercado, mas ainda há um potencial gigantesco para ser explorado”, falou Ulrich, em comunicado sobre a OranjeBTC divulgado ontem à imprensa.