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Ricardo Brandão tinha 32 anos, um filho e a esposa grávida quando decidiu deixar a sociedade em uma empresa estável para montar a Skyone. “Se eu não for fazer agora, quando que eu vou fazer?”, pensou.
A decisão não foi tomada sozinho. “Você não empreende sozinho, você empreende com a família toda. Foi um risco bastante compartilhado dentro de casa”, conta ele em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, apresentado por Mariana Amaro.
A lógica de compartilhar riscos, preparar o terreno e não depender do próximo passo para sobreviver acabaria moldando também a estratégia de captação da Skyone. A empresa tentou atrair investidores desde o início, mas seguiu crescendo com capital próprio quando o dinheiro não veio.
Mais tarde, as rodadas passaram a ter objetivos definidos, como internacionalização, reorganização de processos e governança e liquidez para investidores anteriores.
Fundada em 2013 para ajudar empresas a migrar seus sistemas para a nuvem, a Skyone chegou a R$ 600 milhões de faturamento, presença em 35 países e 500 colaboradores.
A Skyone começou sem receita, mas já tinha conselho
A preparação para crescer começou antes mesmo de a Skyone ter produto ou receita.
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Desde o primeiro mês de operação, a empresa já tinha um conselho de administração.
“A gente se reunia com advisors externos para falar sobre o projeto”, conta Ricardo. “A gente misturava estratégia e tática.”
Essa preocupação em estar preparado para diferentes cenários ganhou um nome dentro da companhia: opcionalidade.
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“A gente queria estar pronto para várias coisas que podem acontecer”, afirma. “Quando passa a oportunidade, você pode agarrar.”
Essa lógica seria testada cedo, justamente na busca por capital.
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A primeira tentativa de captar não deu certo — e isso foi importante
A Skyone tentou captar investimentos desde o começo, quando ainda tinha apenas um PowerPoint e nenhum produto rodando.
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Não conseguiu.
O mercado brasileiro de venture capital em 2013 era incipiente. Havia poucos fundos, e a maioria buscava empresas que já tivessem produto no ar e clientes pagando.
A resposta da Skyone foi continuar crescendo com recursos próprios.
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“A gente foi bastante consciente de não precisar desse dinheiro”, afirma Ricardo.
A empresa avançou até atingir R$ 300 mil de receita recorrente mensal, patamar que Ricardo chama de product market fit.
A partir daí, a relação com os investidores começou a mudar.
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Quando o investidor apareceu, a empresa estava pronta
O primeiro investidor externo da Skyone veio da própria família.
Quase um ano depois da fundação, o sogro de Ricardo aportou R$ 500 mil.
Ele permaneceu 12 anos na sociedade e saiu na última rodada.
“Foi um ganha-ganha, ele confiou no negócio e conseguiu um bom lucro. Isso me deixa muito tranquilo e orgulhoso”, afirma.
O primeiro fundo entrou em 2018.
A gestora de venture capital Invest Tec fez uma rodada de cerca de R$ 20 milhões em um momento no qual as necessidades do investidor e a situação da empresa se encaixaram.
O fundo precisava concluir sua última alocação e procurava uma companhia B2B com cerca de R$ 10 milhões de receita recorrente. A Skyone tinha exatamente esse perfil — e estava organizada.
“O cavalo passou, a gente subiu nele”, afirma.
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Por que a Skyone captou dinheiro em cada rodada
A estratégia de captação da Skyone passou a seguir uma lógica: cada ciclo de investimento deveria ter um propósito claro.
Essa filosofia seria novamente testada em março de 2020.
A empresa tinha um novo term sheet assinado quando veio a pandemia. O fundo recuou.
“A gente voltou para dentro de casa”, conta Ricardo.
Ao mesmo tempo, o negócio foi beneficiado pelo isolamento. Empresas precisaram migrar para a nuvem de um dia para o outro.
Mas ter sido preterida por um investidor prejudicava novas conversas de captação. A Skyone decidiu esperar e acelerar com capital próprio.
Em 2021, captou R$ 45 milhões com o Inovabra, braço de inovação do Bradesco. O dinheiro tinha uma finalidade definida: internacionalização.
“Cada ciclo de investimento vem com um propósito muito claro”, diz o cofundador da Skyone.
Em 2024, foi a vez da Bewater, com R$ 60 milhões.
Nesse caso, o objetivo era reorganizar processos internos e a governança para preparar a companhia para receber um fundo maior.
Em 2026, entrou a Advent, com um cheque maior e outra característica específica: dar liquidez aos fundos anteriores que queriam sair.
“A gente já vem reciclando esse capital”, diz Ricardo.
Os próximos três a quatro anos, afirma, têm horizonte definido.
Como a Skyone estruturou sua governança antes das grandes rodadas
A preocupação em se preparar antes de precisar também aparece na estrutura societária da Skyone.
O acordo entre acionistas existe desde a fundação, quando a companhia ainda era formada pelas quatro pessoas físicas originais.
O documento já previa vesting, quóruns de decisão e o que aconteceria caso um sócio deixasse de trabalhar na empresa.
“A empresa não pode parar numa divergência”, diz.
A entrada dos fundos exigiu novos ajustes de governança a cada rodada. Alguns investidores passaram a ter maior poder de decisão no dia a dia; outros, menos.
“Tem dois blocos: o bloco dos investidores e o bloco dos fundadores. Está bastante arranjado entre todos eles e funciona”, afirma. “Não tem que inventar roda — a gente só usa as boas práticas.”
A trajetória ajuda a explicar por que a Skyone não trata a captação como um fim em si mesma. O capital aparece como instrumento para uma etapa específica: internacionalizar, reorganizar a companhia ou permitir a saída de investidores anteriores.
É uma lógica que remonta aos primeiros meses da empresa, quando ainda não havia produto nem receita, mas já existia um conselho.
Na Skyone, ela ganhou um nome de opcionalidade: estar preparado antes que a oportunidade apareça.
Para saber mais detalhes sobre o sucesso e estratégia da Skyone, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney. A cada semana, convida mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar suas histórias, compartilhar os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.