De olho em leilão no Brasil, fabricantes chinesas de baterias se unem a nacionais

A ideia é que os projetos desenvolvidos em parceria possam atender aos requisitos de conteúdo local colocados para uma ⁠das ‌duas contratações de baterias para o setor elétrico brasileiro, a ⁠do dia 2 de dezembro

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Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 31 Ago (Reuters) – ⁠Fabricantes chinesas de sistemas de armazenamento de ⁠energia, como Jinko ESS e CATL, estão fechando parcerias com ‌empresas brasileiras do segmento para nacionalizar projetos e garantir uma participação maior no leilão inédito para a tecnologia, marcado para dezembro.

A Jinko ‌ESS, do grupo JinkoSolar Holding Co., anunciou nesta segunda-feira um memorando de entendimento (MoU) com a UCB Power para explorar a nacionalização de sistemas de armazenamento de energia.

A ideia é que os projetos desenvolvidos em parceria possam atender aos requisitos de conteúdo local colocados para uma ⁠das ‌duas contratações de baterias para o setor elétrico brasileiro, a ⁠do dia 2 de dezembro, destinada exclusivamente para baterias ‘nacionais’.

O sistema de armazenamento de energia poderá ser considerado ‘nacional’ mesmo contendo células importadas, já que o Brasil não tem capacidade de produção desse componente fundamental para as baterias. Já a nacionalização envolveria o ​restante do sistema: ‘packs’ de baterias, software de gerenciamento, inversores e outras infraestruturas.

‘A nacionalização também poderá facilitar o acesso a alternativas de ​financiamento disponíveis no Brasil, incluindo linhas do BNDES’, afirmou Vinicius Berná, diretor-executivo comercial e de novos negócios da UCB Power, em nota.

Na mesma linha, a chinesa CATL anunciou na semana passada uma parceria estratégica com a Moura, fabricante brasileira tradicional do segmento, para ‌participação conjunta no leilão de dezembro.

‘Essa colaboração ​combina as soluções avançadas de armazenamento de energia da CATL com a profunda expertise local da Moura, contando com o apoio de um segundo parceiro estratégico, líder ⁠de mercado em inversores ​no país, e ​visando a produção local que atenda aos requisitos de conteúdo local do leilão’, disseram as ⁠empresas, em comunicado.

Os anúncios da Jinko ​ESS e CATL não mencionam investimentos potenciais na industrialização de baterias no Brasil.

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O primeiro leilão de baterias do Brasil recebeu cadastramento recorde, de mais ​de 296 gigawatts (GW) em projetos.

Leia também: Baterias Moura: a história da empresa com mais de 60 anos e cheia de energia

Além da disputa para baterias nacionais, haverá uma segunda concorrência, em 4 de dezembro, para ​todo tipo de empreendimento, ⁠sem exigência de conteúdo local.

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O certame é amplamente aguardado pelo setor elétrico brasileiro, já que ⁠ampliará o leque de recursos de segurança energética do Brasil em meio ao forte crescimento das fontes renováveis de energia. Mas corre o risco de ser judicializado, devido a uma disputa sobre quem arcará com os custos da contratação desses sistemas.

(Por Letícia Fucuchima; Edição de Eduardo ​Simões)