Como a implementação de sistemas de planejamento afetaram até as receitas da Natura

Mudança na ferramenta de planejamento afetou o abastecimento e pressionou o faturamento, enquanto mercados hispânicos apresentaram desempenho positivo

Ativos mencionados na matéria

Natura (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Natura (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

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Os resultados da implementação de novos sistemas de planejamento de cadeia trouxeram desafios de abastecimento que contribuíram para a pressão sobre as receitas da Natura (NATU3) no segundo trimestre. O efeito no Brasil dividiu espaço no balanço com o desempenho tratado como positivo pela companhia nos mercados hispânicos.

O balanço publicado pela companhia na segunda-feira (10) relatou uma receita líquida de R$ 5.170 bilhões no segundo trimestre deste ano, queda de 9,1% na comparação com o mesmo período de 2025.

“É bem verdade que o mercado tem mostrado um consumo muito fraco, mas a essência da nossa frustração veio de problemas internos. Desafios de execução fundamentalmente autoimpostos”, disse o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, em coletiva a jornalistas nesta terça-feira (11).

Entre o fim do ano passado e o início deste ano, a companhia investiu em um sistema que planeja sua cadeia de abastecimento. Já neste trimestre, quando a companhia precisou parar para substituir seu SAP, o que já estressaria a cadeia de abastecimento, percebeu que os parâmetros estabelecidos para esse planejamento estavam incorretos.

“Ao começar a operar durante esse período [após a paralisação para implementar o SAP], constatamos que os parâmetros não estavam bem feitos”, aponta o CEO. Acontece que essa readequação chegou até a ponta. Consultoras da Natura tiveram dificuldades para fechar pedidos em função da ausência de certos itens, o que levou à queda nos indicadores de receita.

Era um resultado esperado. Em julho, a companhia publicou um Fato Relevante alertando o mercado de que uma série de fatores, incluindo a transição da ferramenta de planejamento, gerariam pressão sobre o faturamento. O documento estimava uma receita líquida consolidada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões.

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A readequação da plataforma leva algum tempo. Segundo a Natura, a falta de produtos está, hoje, em um nível menor do que a metade do pico. “Estamos no meio da jornada, no caminho, consistentemente melhorando toda semana um pouco acima do que seria o nível normal”, diz Ferreira.

México é destaque

Quando considerado apenas o Brasil, a queda na linha de receita na comparação anual foi de 14,8%. Já no mercado hispânico, o segundo trimestre foi de estabilidade quando considerada a variação do resultado em reais, mas com crescimento em moeda corrente de 7,2%, impulsionado pelo avanço das marcas Natura (12,3%) e da Avon (4,7%).

“De alguma maneira, [o resultado no Brasil] ofuscou o bom resultado que tivemos nos mercados hispânicos”, aponta Ferreira. A entrada da marca Natura em mercados que antes consumiam apenas Avon é um dos motores para esse desempenho.

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“O México é o grande destaque. É o país em que enxergamos mais potencial na região. Cresce principalmente porque a marca Natura está penetrando no canal e nos lares que antes só consumiam Avon”, aponta a CFO da empresa, Silvia Vilas Boas.

Depois de abrir em queda, as ações da Natura se recuperaram no início do pregão desta terça-feira. Até agora, os papéis da companhia avançaram cerca de 3%.

*Uma versão anterior desta matéria atribuía à atualização do SAP o efeito sobre a cadeia de suprimentos. O texto foi corrigido.

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Iuri Santos
Business | Consumo | Minhas Finanças

Repórter com experiência na cobertura de mercados, negócios e inovação. Antes do InfoMoney, passou pelo E-Investidor, do Estadão.