Natura (NATU3) surpreende baixas expectativas e ação sobe 1,5% após balanço do 2T

Natura surpreendeu positivamente, após expectativas terem sido revisadas para baixo em função da prévia de vendas decepcionante

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Loja Natura em um shopping center em Brasília - 29/11/2023 (Foto:  REUTERS/Adriano Machado)
Loja Natura em um shopping center em Brasília - 29/11/2023 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

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As ações da Natura (NATU3) fecharam em alta nesta terça-feira (11), após o balanço do segundo trimestre superar as baixas expectativas dos investidores. Os papéis da empresa de cosméticos fecharam em alta de 1,49%, a R$ 8,19, após uma abertura em queda, uma das poucas altas do Ibovespa em uma sessão de queda de 2,5% do índice.

Na avaliação do Bradesco BBI, a Natura surpreendeu positivamente ao entregar resultados melhores do que o esperado, após expectativas terem sido revisadas para baixo em função da prévia de vendas decepcionante.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) consolidado somou R$ 620 milhões, superando as estimativas do Bradesco BBI em 21% e o consenso em 14%, impulsionado por um controle mais rígido de despesas operacionais (G&A) e melhora na margem bruta, que compensaram a queda de 9% na receita consolidada em base anual.

“Apesar do cenário ainda desafiador para a retomada das vendas, especialmente no Brasil e na marca Avon, a Natura mostrou forte resiliência na proteção de margens e geração de caixa”, escreveram os analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles, do BBI.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta que a virada das ações da Natura tem relação com cobertura de posições vendidas, apoiada por um resultado menos negativo do que a manchete sugeria.

“Embora a receita e o lucro tenham vindo pressionados, o Ebitda ficou cerca de 17% acima do consenso de mercado. Além disso, a margem Ebitda avançou 4,7 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre, a companhia reduziu ligeiramente a alavancagem. Esses dados evitaram uma leitura completamente negativa do balanço e deram motivo para que investidores vendidos começassem a recomprar as ações”, avalia.

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Assim, como NATU3 possui uma posição vendida relevante e um custo de aluguel excepcionalmente elevado, qualquer resultado que não venha tão ruim como o esperado pode provocar uma reação desproporcional, aponta o especialista. Contudo, Lima evita classificar o movimento como um “short squeeze” clássico, porque normalmente envolveria uma alta mais violenta, acompanhada por forte expansão de volume e recompras compulsórias em sequência.

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A equipe do JPMorgan classificou o resultado como fraco, mas melhor do que o temido no segundo trimestre de 2026. Para o banco, a divulgação preliminar de julho já havia reduzido os riscos relacionados à receita, enquanto a maior resiliência da rentabilidade e a geração de caixa foram pontos positivos do balanço.

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A Natura gerou cerca de R$ 360 milhões em caixa no trimestre, considerando a variação da dívida líquida ajustada pelos efeitos do FDIC, financiamento de fornecedores e recompras de ações.

Diante do desempenho fraco no primeiro semestre, a companhia revisou sua expectativa para a margem Ebitda reportada em 2026. A empresa agora trabalha com expansão em relação aos 10% registrados em 2025, e não mais em relação à margem Ebitda ajustada de 14,1% do ano passado. O JPMorgan projeta margem reportada de 11% para 2026 e de 12,3% em base ajustada.

O JPMorgan destaca que o desempenho operacional superou as estimativas e veio acompanhado de geração de caixa, enquanto tanto sua projeção quanto o consenso já incorporavam uma contração da margem em 2026. Por isso, a revisão da rentabilidade não deve provocar mudanças relevantes nas estimativas de lucro por ação.

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Por outro lado, o JPMorgan ressalta que a visibilidade continua baixa, principalmente em relação ao ritmo de recuperação da receita no Brasil e à execução da companhia no segundo semestre.

O Goldman Sachs também considerou fraco o resultado, pois as vendas recuaram 8% na comparação anual, conforme já havia sido reportado em julho. No entanto, o principal destaque negativo foi a intensidade da fraqueza na operação principal da Natura no Brasil, cuja receita recuou 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A margem bruta caiu 70 pontos-base, principalmente devido ao impacto temporário do ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços por Substituição Tributária).

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As despesas foram o ponto positivo do resultado, segundo avaliação do Goldman Sachs. A companhia começou a capturar os benefícios do enxugamento realizado nas despesas gerais e administrativas (G&A) no 1T26, levando a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a subir 40 pontos-base na comparação anual, mesmo diante da menor margem bruta e da alavancagem operacional negativa.

O Morgan Stanley, por sua vez, avaliou que os resultados do segundo trimestre da Natura foram prejudicados principalmente pelo desempenho da operação brasileira.

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Felipe Moreira
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