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Agrogalaxy vê retomada de M&A’s no varejo de insumos só em 2026

Companhia estima que varejo agro estará consolidado em 10 anos, com 60% do mercado dividido entre 10 e 15 grupos

Alexandre Inacio

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O movimento de consolidação no varejo de produtos agropecuários no país nos últimos três anos fez nascer grandes grupos, levou empresas para a bolsa e acirrou a disputa pela preferência do agricultor. Depois de uma pandemia e o inicio de duas guerras, o mercado vive um período  de acomodação. Pelos próximos dois anos, um dos segmentos que mais atraíram investimentos e a atenção do mercado financeiro vai buscar um novo equilíbrio.

A previsão é de Welles Pascoal, CEO da Agrogalaxy (AGXY3), que foi uma das consolidadoras e hoje controla uma das maiores cadeias de lojas de insumos do mercado brasileiro, mas que atravessou momentos conturbados e chegou a gerar dúvidas sobre sua capacidade de honrar dívidas.

O cenário negativo, que teve reflexos sobre todas as redes do segmento, envolveu estoques elevados de fertilizantes a preços altos, forte baixa de preços dos insumos em geral e queda das cotações dos grãos, que reduziu margens dos agricultores.

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Em uma conversa com jornalistas, em São Paulo, o executivo disse acreditar que o apetite dos investidores será menor, dada a conjuntura do mercado. Passado o momento de equalização, que deverá durar até 2025, segundo ele, a expectativa é que uma nova onda recomece.

“Existem boas empresas que estão se preparando para serem adquiridas, mas isso tem o seu tempo. Vai demorar de dois a três anos até que elas se profissionalizem mais, criem bons processos de governança e um sistema de gestão”, disse.

Welles Pascoal, CEO da AgroGalaxy (Foto: Divulgação)

Nessa nova onda de fusões e aquisições, a expectativa do executivo é que 60% do varejo agropecuário fique concentrado nas mãos de dez a 15 grandes grupos. Nessa lista estariam as já conhecidas Lavoro, Nutrien, AgroAmazônia, Belagrícola, Marubeni e 3tentos (TTEN3), além da própria Agrogalaxy.

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Nomes ainda não presentes no Brasil também são esperados. Helena Chemical e CHS são algumas empresas que poderiam desembarcar por aqui atrás de um pedaço do ainda pulverizado varejo agropecuário do Brasil.

“Podem ser fundos de investimento ou também grupos de fora do Brasil que queiram entrar, vindos de China, Estados Unidos e países da Ásia”, avalia Pascoal.

A chegada de novos estrangeiros é esperada devido à consolidação de alguns mercados. Esse movimento só não aconteceu de forma mais acelerada porque a curva de aprendizado no Brasil ainda é considerada longa.

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Segundo Paschoal, os Estados Unidos não têm mais espaço para expansão de áreas, enquanto o Japão, conhecido pela rentabilidade do varejo agrícola, apresenta sinais de retração. “Alguns grupos japoneses estariam dispostos a ir para mercados de rentabilidade menor, mas que movimentam grandes volumes”, afirma.

Outra mudança no mercado apontada por Welles é o comportamento dos produtores em relação às compras. Na avaliação do executivo, o agricultor tem se mostrado mais estratégico, colocando na balança a tendência de preços dos grãos, custo dos insumos e as incertezas climáticas.

“Tudo isso segurou o apetite dele por comprar. Eu nunca vi na minha carreira o agricultor com o pé tão no freio em termos de compra. Às vezes ele coloca um pedido grande, mas o faturamento ocorre apenas no momento que ele precisa dos produtos”, explica Pascoal, para quem esse comportamento tende a se tornar um hábito.

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Nesse cenário, umas das preocupações da Agrolagaxy está na formação do mix de produtos oferecidos aos agricultores. A empresa tem se esforçado para entregar um pacote que seja atrativo em termos de preço e produtividade, sem abrir mão das margens.

A leitura da companhia é que 2024 será um bom ano para aqueles que estiverem preparados. “Para quem deixou para fazer a lição de casa em 2024, vai gastar o ano para fazer”, disse Pascoal.