RÉ-cor-de ou re-CÓR-de? MPF processa Globo em R$ 10 mi por pronúncia de palavra na TV

Segundo a Folha, procurador em Minas diz que erro de prosódia fere patrimônio imaterial da língua portuguesa e provoca “efeito manada” no público

Sara Baptista

Sede da Globo no Rio de Janeiro (Doll91939/Wikimedia Commons)
Sede da Globo no Rio de Janeiro (Doll91939/Wikimedia Commons)

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O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais processou a TV Globo em R$ 10 milhões. O motivo é a pronúncia da palavra “recorde”, que, segundo o procurador responsável, Cléber Eustáquio Neves, é feita de maneira errada pela emissora.

O MPF confirmou à coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, que a ação foi proposta, mas não deu mais detalhes sobre o processo. A Globo afirmou que não se manifesta sobre casos que ainda estão em tramitação na Justiça.

O procurador pede que a emissora corrija a pronúncia em rede nacional o quanto antes, bem como o pagamento da indenização por “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”.

A Folha teve acesso à petição inicial apresentada por Neves, na qual ele afirma que o fato de apresentadores e repórteres da emissora pronunciarem a palavra de maneira inadequada causa um “efeito manada” na população, que também passaria a incorrer no mesmo erro. Ele usou vídeos de programas como o Jornal Nacional e o Globo Rural como exemplos de seu argumento.

Segundo escreveu o procurador na ação, “a palavra ‘recorde’ é paroxítona, com a sílaba tônica em cor: re-COR-de. Portanto, não leva acento gráfico e não deve ser pronunciada como proparoxítona. Leia-se RÉ-cor-de”. A mudança na pronúncia pela Globo, segundo ele, seria para evitar alusão à emissora concorrente Record.

Ele também argumentou: “Quando uma concessionária de alcance nacional propaga, de forma reiterada e sistemática, um erro de pronúncia, conhecido por erro de prosódia, ela viola o direito difuso da sociedade a ter acesso a uma programação com finalidade educativa e informativa”.

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Segundo a coluna da Folha, a Globo foi notificada antes do Carnaval, mas ainda não apresentou sua defesa.