PF deflagra operação com FBI contra pirâmide de Bitcoin que prometia 11% ao mês

Operação Fantasos cumpre mandados no RJ e busca recuperar ativos desviados por empresa acusada de golpe internacional com criptoativos liderado por um brasileiro

Paulo Barros

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (30) a Operação Fantasos, com foco no combate a crimes financeiros e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. O principal alvo da ação é o brasileiro Douver Torres Braga, apontado como líder de um esquema fraudulento que arrecadou aproximadamente R$ 1,6 bilhão entre 2016 e 2018.

Cerca de 50 agentes da PF cumprem 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Petrópolis e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens e valores até o limite do montante arrecadado no golpe, que teria envolvido mais de 100 mil investidores em diversos países.

Segundo a investigação, Braga fundou o Trade Coin Club (TCC), uma plataforma que prometia rendimentos de até 11% ao mês com um suposto “robô de microtransações massivas”. A empresa operava em modelo de marketing multinível e funcionava como um esquema de pirâmide: os saques eram financiados pelos depósitos de novos investidores, sem qualquer atividade real de negociação com criptoativos.

Oportunidade com segurança!

Em fevereiro deste ano, Douver Braga foi preso na Suíça pela Interpol e extraditado para os Estados Unidos, onde responde a 13 acusações de fraude eletrônica e conspiração. Ele se declarou inocente em audiência no Tribunal Distrital de Seattle, e o julgamento está previsto para ocorrer em abril.

A operação da PF contou com apoio do FBI, Homeland Security Investigations (HSI) e IRS-CI, órgãos de investigação dos EUA. Além da coleta de provas, o objetivo é identificar outros envolvidos e recuperar ativos adquiridos com recursos ilícitos.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), Braga teria desviado pelo menos 8.396 bitcoins para contas pessoais, o equivalente a US$ 55 milhões na época. A agência busca a restituição dos valores e aplicação de penalidades civis ao brasileiro.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)