Mais de um terço das crianças e adolescentes que trabalham exerce atividade perigosa

Em 2025, ainda havia 525 mil menores nas piores formas de trabalho infantil

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O Brasil tinha 525 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em ocupações classificadas entre as piores formas de trabalho infantil em 2025. O número caiu 6,3% em relação a 2024, quando eram 560 mil, e atingiu o menor nível da série histórica, iniciada em 2016. Os dados são da pesquisa Pnad Contínua: Trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (2025), divulgada nesta sexta pelo IBGE.

Apesar da redução, essas ocupações ainda abrangiam 36,2% das crianças e adolescentes que exerciam atividades econômicas no país — mais de um terço. Embora ainda elevada, a proporção também foi a menor da série histórica e ficou um ponto percentual abaixo dos 37,2% registrados em 2024.

Em 2016, essas ocupações abrangiam mais da metade dos trabalhadores dessa faixa etária: 51,3%. O percentual caiu para 45,9% em 2019, subiu para 46,2% em 2022 e voltou a recuar nos anos seguintes. Entre o início da série e 2025, a redução acumulada foi de 15,1 pontos percentuais.

Em 2025, os meninos representavam 72,6% das pessoas enquadradas nessa classificação, enquanto as crianças e adolescentes pretos ou pardos correspondiam a 68,3%.

O levantamento utiliza uma classificação de ocupações que busca identificar atividades da Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, a Lista TIP. Essa aproximação estatística foi desenvolvida pelo IBGE com apoio de instituições como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Pela legislação brasileira, trabalho infantil é proibido. Enquadra-se nessa situação toda forma de trabalho feita por crianças e adolescentes que é prejudicial à sua saúde e educação. Mas há regras específicas para cada faixa etária:

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Até 13 anos é proibido trabalhar em qualquer atividade;

de 14 a 15 anos, os adolescentes podem trabalhar como aprendiz. Isso não é considerado trabalho infantil;

de 16 e 17 anos, é permitido o trabalho apenas com carteira assinada, sendo proibidas atividades irregulares, perigosas e em horário noturno. Isso também não é trabalho infantil.

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Queda de 42,9% desde o início da série

Em 2016, havia 919 mil crianças e adolescentes nas ocupações identificadas pela pesquisa como piores formas de trabalho infantil, o maior contingente registrado. Desde então, a redução acumulada foi de 42,9%.

Mais recentemente, a queda mais acentuada ocorreu em 2023, quando o número recuou 22,7% em relação a 2022. O contingente voltou a diminuir em 2024 e 2025, mas em ritmo menor.

A participação dessas ocupações no total de pessoas de 5 a 17 anos que exerciam atividades econômicas também atingiu o menor percentual da série: passou de 51,3% em 2016 para 36,2% em 2025.

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Maior proporção entre os mais novos que trabalham

As piores formas de trabalho infantil eram mais frequentes entre os trabalhadores mais novos. Entre as crianças de 5 a 13 anos que exerciam atividades econômicas, 72,2% estavam nessa condição. Isso significa que, a cada dez trabalhadores dessa idade, cerca de sete estavam nessas ocupações. A proporção diminuía entre os adolescentes: era de 41,2% entre os trabalhadores de 14 e 15 anos e de 31,6% entre os de 16 e 17 anos.

Em números absolutos, porém, os adolescentes de 16 e 17 anos eram maioria, pois havia mais pessoas dessa idade trabalhando. Dos 525 mil trabalhadores nas piores formas de trabalho infantil, mais de 60% pertenciam a essa faixa etária.

Considerando toda a população brasileira de 5 a 17 anos, 1,4% estava nessas ocupações em 2025, ante 1,5% no ano anterior. Em 2016, a proporção era de 2,3%.

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O que é a lista TIP

Conforme a definição da Organização Internacional do Trabalho (OIT), é considerado como trabalho infantil aquele que representa risco e prejuízo para a saúde, o desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças, interferindo ainda na frequência escolar.

Essa classificação considera um conjunto de fatores: o tipo de atividade econômica, se é realizada na informalidade, o número de horas trabalhadas, a escolarização, a faixa etária e se o trabalho é do tipo perigoso.

Já a lista TIP reúne as atividades consideradas entre as piores formas de trabalho infantil pelos riscos que oferecem às crianças e adolescentes. Veja alguns exemplos das mais de 90 atividades incluídas na lista:

Produção de fumo, algodão, sisal, cana-de-açúcar e abacaxi;

Extração de mármores, granitos, pedras preciosas, semipreciosas e outros minerais;

Produção e manuseio de explosivos, inflamáveis líquidos, gasosos ou liquefeitos;

Com exposição a abusos físicos, psicológicos ou sexuais;

Direção e operação de tratores, máquinas agrícolas e esmeris, quando motorizados e em movimento.