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A PF investiga a atuação de um esquema que produzia e vendia substâncias usadas em canetas emagrecedoras e que funcionava em clínicas e laboratórios instalados em áreas nobres do país. A operação foi deflagrada na semana passada e teve como principal alvo o médico Gabriel Almeida, que acumula mais de 750 mil seguidores nas redes sociais e se apresenta como referência em tratamentos de obesidade.
O caso ganhou novos detalhes neste domingo, após o Fantástico, da TV Globo, mostrar parte do material recolhido pelos investigadores. Vídeos e publicações do médico chamavam atenção pela combinação de conteúdos sobre emagrecimento e ostentação de viagens internacionais, o que reforçou a curiosidade sobre sua atuação no mercado de protocolos hormonais.

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Segundo a PF, o grupo manipulava de forma irregular a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, um dos medicamentos mais demandados no mundo para controle de peso e diabetes.
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A Anvisa permite a manipulação individual do insumo em farmácias especializadas, mas as normas de produção, controle e rastreabilidade não estariam sendo cumpridas.
Foram cumpridos 24 mandados de busca em endereços ligados ao médico e a outros profissionais investigados. Em um laboratório na zona sul de São Paulo, a Unikka Pharma, os policiais encontraram frascos sem identificação, sem controle sanitário e sem documentação que permitisse rastrear a origem dos produtos.
A PF afirma que Almeida e outros médicos seriam sócios ocultos do laboratório e que ali eram produzidas ampolas distribuídas para clínicas em várias cidades.
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Além da tirzepatida, os agentes apreenderam anabolizantes, implantes hormonais e outros compostos feitos em larga escala em ambientes considerados inadequados pela investigação.
A corporação também identificou que a Ilha de Carapituba, a 40 minutos de Salvador, era utilizada para treinamentos dos protocolos de emagrecimento promovidos pelo médico. Segundo o delegado Fabrízio Galli, o local funcionava como centro de aulas e vitrine comercial dos produtos destinados a clínicas interessadas nos tratamentos.
A defesa de Gabriel Almeida diz que o médico não é endocrinologista, mas possui pós-graduação reconhecida pelo MEC. Afirma também que ele apenas utiliza os produtos da Unikka Pharma, não participa da produção e não possui vínculo societário com o laboratório.
A empresa nega que tenha fabricado versões irregulares do Mounjaro e diz atender exclusivamente clínicas e médicos habilitados.
A Anvisa informou ter contribuído tecnicamente na identificação das substâncias apreendidas e que a investigação corre sob sigilo. O caso permanece sob responsabilidade da Polícia Federal.