EUA cobram ação do Brasil contra PCC e CV e apontam país como hub do tráfico global

No documento, a administração americana afirma que o governo brasileiro “falhou em confrontar” as duas organizações, classificadas por Washington como organizações terroristas estrangeiras

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O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o Brasil ao afirmar que o país se tornou um polo das rotas globais de cocaína devido à atuação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A avaliação consta da determinação presidencial sobre os principais países de trânsito e produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027, enviada pelo presidente norte-americano ao Congresso e divulgada nesta quarta-feira pelo porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

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No documento, a administração americana afirma que o governo brasileiro “falhou em confrontar” as duas organizações, classificadas por Washington como organizações terroristas estrangeiras, e alerta que elas representam uma ameaça crescente à segurança internacional.

“Essas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo, e o governo do Brasil precisa urgentemente adotar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que se expandam ainda mais”, afirma o texto.

Embora o Brasil não figure na lista oficial de principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas divulgada este ano, o país recebeu uma das críticas mais diretas da determinação presidencial, em meio à avaliação mais ampla da estratégia americana de combate ao narcotráfico internacional.

O documento identifica 23 países como principais centros de trânsito ou produção de drogas ilícitas, entre eles Bolívia, Colômbia, México, Peru, Venezuela, China e Índia. A presença na lista, segundo Washington, não reflete necessariamente a atuação dos governos locais, mas fatores geográficos, econômicos e comerciais que favorecem o tráfico ou a produção de drogas.

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Além disso, os Estados Unidos classificaram Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia como países que “falharam de forma demonstrável” em cumprir compromissos internacionais de combate ao narcotráfico nos últimos 12 meses. Apesar disso, Washington decidiu manter a assistência a Bolívia, Mianmar e Colômbia por considerar essa cooperação vital para os interesses nacionais americanos.

O texto também faz pressão sobre México e Canadá, afirmando que ambos precisam ampliar seus esforços para conter o fluxo de drogas para os Estados Unidos. Em relação ao México, o governo americano reconheceu apreensões de drogas, o desmantelamento de laboratórios clandestinos e a cooperação na captura de líderes de cartéis, mas afirmou que o país ainda precisa intensificar o combate às organizações criminosas que controlam partes de seu território.

A determinação também cita a China como a maior produtora mundial de diversos precursores químicos utilizados na fabricação de fentanil, metanfetamina e outras drogas sintéticas. Segundo Washington, apesar de avanços recentes na cooperação bilateral, Pequim precisa adotar medidas mais rígidas para bloquear a exportação dessas substâncias.

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Ao mesmo tempo, o governo americano destacou avanços na cooperação com alguns países da América Latina, incluindo Venezuela, Bolívia e Colômbia, e elogiou os governos de Argentina, Equador e El Salvador por seu combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

A avaliação sobre o Brasil surge em um momento de crescente atenção internacional ao papel do PCC e do Comando Vermelho nas cadeias globais de tráfico de cocaína, especialmente nas rotas que conectam a América do Sul à Europa e à África. Na visão do governo americano, o fortalecimento dessas facções ampliou a importância do país nas redes internacionais do narcotráfico, motivando a cobrança por uma resposta mais contundente das autoridades brasileiras.