Criminosos aproveitam Novo Desenrola Brasil para aplicar golpes em consumidores

Empresa de cibersegurança identifica site falso semelhante a portal oficial do governo federal. Objetivo é enganar vítimas

Agência O Globo

(Créditos: Canva)
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Criminosos estão usando o Novo Desenrola Brasil para aplicar golpes em consumidores interessados em renegociar suas dívidas por meio do programa. Segundo a Kaspersky, empresa de cibersegurança, golpistas criaram um site falso semelhante ao portal oficial do governo federal para enganar vítimas e cobrar falsas taxas administrativas via Pix.

De acordo com a empresa, o golpe começa com uma página que imita uma notícia do Ministério da Fazenda e promete descontos de até 96% para quitar dívidas — no verdadeiro Desenrola, os descontos vão de 30% a 90%. O usuário é orientado a informar o CPF para verificar uma suposta elegibilidade ao programa.

Na sequência, o site apresenta informações sobre a renegociação com o suposto desconto e, para dívidas de até R$ 5 mil, até 100% de desconto em juros e multas. Além disso, para atrair a vítima é destacada uma promessa de “Limpeza do Nome” em até cinco dias úteis, com recuperação do acesso ao crédito.

Oportunidade com segurança!

Durante o falso cadastro, os criminosos informam que “para validar sua participação no programa, o Ministério da Fazenda cobra uma taxa administrativa de adesão” — cobrança que não existe no Desenrola Brasil. Após a inserção dos dados pessoais, o sistema simula uma “verificação de dívidas em aberto” e “consulta de elegibilidade”. Em seguida, a vítima recebe uma mensagem de aprovação e é induzida a escolher o banco e o tipo de dívida que deseja renegociar.

Falsas taxas administrativas

O golpe termina com a cobrança de supostas taxas administrativas e de processamento eletrônico, no valor aproximado de R$ 92,80, pagas via Pix — um QR Code e um código “copia e cola” são apresentados para facilitar a transação. Segundo a Kaspersky, o dinheiro é transferido para contas de “laranjas”, sem qualquer regularização das dívidas da vítima.

Vale lembrar que, diferentemente do primeiro Desenrola, em 2023, neste ano as negociações são feitas diretamente entre o inadimplente e o banco onde ele contratou o crédito. Não há intermediação de uma plataforma do governo.

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— O modus operandi desse golpe explora a urgência e a promessa de soluções fáceis para problemas complexos. A principal linha de defesa do cidadão é a desconfiança ativa. Qualquer oferta que pareça ‘boa demais para ser verdade’ ou a exigência de ‘taxas administrativas’ inesperadas para liberar benefícios são sinais de alerta — explica Fabio Assolini, lead security researcher da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina.

‘Fraude digital explora a urgência’

Como mostrou o EXTRA,nas semanas seguintes ao lançamento de programas de renegociação, esse tipo de golpe costuma crescer, especialmente com o aumento da divulgação e da procura pelos serviços.

Segundo Rafael Garcia, especialista em prevenção a fraudes da Fico, o cenário segue um padrão recorrente em grandes campanhas nacionais relacionadas a crédito, renegociação de dívidas ou benefícios financeiros. Por isso, a recomendação do Ministério da Fazenda é para que as pessoas procurem diretamente as instituições financeiras e evitem responder contatos telefônicos ou mensagens.

— Os golpistas costumam agir rapidamente em programas de grande alcance social e financeiro, principalmente quando envolvem renegociação de dívidas e promessa de facilidades. O consumidor precisa entender que hoje a fraude digital explora muito mais a confiança e a urgência emocional das pessoas do que vulnerabilidades técnicas — diz Garcia.

Como escapar de armadilhas

Para evitar armadilhas neste período, valem cuidados já conhecidos: acessar exclusivamente canais oficiais, evitar clicar em links recebidos por mensagens e nunca compartilhar senhas, tokens ou códigos de autenticação. Garcia reforça que bancos e instituições financeiras não solicitam esse tipo de informação por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens, como o WhatsApp.

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Em um vídeo publicado no Instagram da Fazenda, Regis Dudena, secretário de Reformas Econômicas do ministério, fez o alerta:

— Se você quer fazer a renegociação, procure você a instituição financeira ou o banco onde você tem crédito. Tome muito cuidado, porque esse tipo de programa pode atrair pessoas que querem fraudar e querem te vender coisas que não são do programa. Então, se você tiver dúvidas se você está falando com o seu banco, com a sua instituição financeira, desligue a ligação, não dê atenção no WhatsApp. Procure o seu gerente, procure a sua instituição — disse.

Além disso, lembre de:

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