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Preço da xícara de café dobra após aumento salarial na Venezuela

Em outras palavras, o aumento dos salários é uma notícia ao mesmo tempo boa e ruim

Bolívar - Venezuela
(Shutterstock.com)

Em vez de comemorar o aumento do salário mínimo na Venezuela, um país assolado pela hiperinflação, os consumidores agora correm o máximo que podem para comprar mercadorias antes dos inevitáveis aumentos dos preços.

Em outras palavras, o aumento dos salários é uma notícia ao mesmo tempo boa e ruim, porque fará a impressora do banco central funcionar com mais velocidade e porque as empresas reagirão em consonância.

Assim, depois que o presidente Nicolás Maduro elevou os salários em incríveis 150 por cento na semana passada -- o sexto aumento do salário mínimo só em 2018 --, talvez não surpreenda que uma xícara de café em Caracas, a capital venezuelana, custe o dobro que na semana anterior, 400 bolívares soberanos, ou cerca de US$ 0,76.

O outro efeito imediato da impressão de mais dinheiro é que a taxa de câmbio do mercado paralelo, único indicador real dos custos no país, despencou de cerca de 460 bolívares por dólar para 526 bolívares, um recorde.

O novo preço da xícara de café eleva a inflação ao patamar absurdo de 1,7 milhão por cento anualizados nos últimos três meses, segundo o Café Con Leche Index, da Bloomberg. Nos últimos 12 meses, estamos falando de um índice de inflação de 285.614 por cento, o que dá uma ideia da aceleração ocorrida nas últimas semanas depois que Maduro cortou cinco zeros do bolívar e o atrelou a uma duvidosa criptomoeda soberana.

Seria possível dizer que qualquer espírito natalino que talvez estivesse surgindo em Caracas está desaparecendo rapidamente. O preço do “pan de jamón”, o pão recheado de presunto e passas que não pode faltar nas festas de fim de ano, subiu 52 por cento na última semana.

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