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Mesmo com economia fraca, CEO da Edenred vê expansão no Brasil em 2015

A companhia francesa pode ampliar sua fatia de mercado no País com a unidade que ajuda empresas a gerenciarem despesas, enquanto a divisão de benefícios aos trabalhadores é impulsionada por uma expansão da economia formal

TicketRestaurante

SÃO PAULO - A Edenred, que comercializa vales-refeição que os empregadores oferecem como benefício aos funcionários, vê vendas crescendo pelo menos 10% no Brasil em 2015 mesmo com economia local se enfraquecendo em seu maior mercado.

A companhia francesa pode ampliar sua fatia de mercado no País com a unidade que ajuda empresas a gerenciarem despesas, enquanto a divisão de benefícios aos trabalhadores é impulsionada por uma expansão da economia formal, diz Jacques Stern, presidente da empresa, em entrevista em Paris.

“Nós esperamos um crescimento de dois dígitos no Brasil no próximo ano, mesmo que a economia cresça apenas 0,5% ou fique estagnada”, disse ele.

Brasil contribuiu com cerca de 36% dos 12,6 bilhões de euros em vales-refeição emitidos pela Edenred nos primeiros 9 meses, superando México e França, que respondem por cerca de 14% cada, disse Stern. A Edenred, que tem sede nos arredores da capital da França, espera um lucro operacional estável este ano, com o enfraquecimento das moedas latino-americanas afetando os resultados.

A companhia, que foi desmembrada da operadora de hoteis Accor em 2010, foi pioneira na utilização dos tíquetes-refeição como uma forma de benefício para o funcionário. Seus vouchers Ticket Restaurant são onipresentes nas cafeterias e nos restaurantes franceses, onde são usados para pagar refeições. A Edenred também vende os tíquetes que os funcionários recebem de seus empregadores para pagar serviços de cuidados infantis e outros.

A Edenred se diversificou com ofertas que permitem que as empresas contenham as despesas, o que inclui cartões que reduzem os gastos dos funcionários com combustível para o carro. A divisão arrecadará 30% da receita da empresa até 2017, mais do que os 14% deste ano, quando a Edenred comprou uma participação na empresa alemã de cartões de combustível UTA, disse Stern.

Ao longo dos anos a empresa levou seus serviços para o exterior, tornando-se um grande player na América Latina, região que respondeu por metade da emissão de tíquetes e por 46% da receita da empresa nos nove primeiros meses de 2014.

As ações da Edenred caíram 3,4% neste ano nas negociações em Paris, para 23,50 euros, o que dá à empresa um valor de mercado de 5,4 bilhões de euros. Os lucros da empresa vêm sendo atingidos pela queda das moedas na América Latina.

O real atingiu neste mês a mínima dos últimos nove meses em relação ao dólar americano porque a queda nos preços das commodities reduziu o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes. A moeda teve uma restrição nas perdas depois que o Banco Central do Brasil disse que continuará apoiando o real para conter a inflação, enquanto a Federal Reserve (banco central dos EUA) prometeu ser paciente em relação ao timing das elevações das taxas de juros. Contudo, ao longo dos últimos 12 meses a moeda teve uma desvalorização de 13% em relação ao dólar.

A presidente Dilma Rousseff nomeou um novo ministro da Fazenda com o objetivo de aumentar a confiança na maior economia da região, que segundo os analistas terá em 2015 o crescimento mais lento dos últimos cinco anos.

Cada 10% de queda do real em relação ao euro acarreta uma redução de 14 milhões de euros nos lucros da Edenred antes de juros e impostos, disse Stern, acrescentando que a empresa havia resistido à fraqueza da moeda mantendo as receitas.

Nos nove primeiros meses a receita caiu 0,8%, informou a empresa no dia 15 de outubro. Excluindo o impacto do câmbio estrangeiro e de aquisições, as vendas aumentaram 8,1 %, impulsionadas por um incremento de 16% na América Latina.

 

Mais de dois terços dos prejuízos relacionados ao câmbio deste ano vieram da Venezuela. É improvável que o impacto do bolívar se repita no ano que vem, disse Stern.

 

“O bolívar realmente não pode ficar muito pior”, disse ele.

 

O controle cambial da Venezuela forçou a empresa a investir 2 milhões de euros em lucros em imóveis locais devido à permissão de transferir apenas 1 milhão de euros para fora do país, disse ele.

 

Em seu mercado interno, a Edenred tem combatido as perdas de receita decorrentes da diminuição dos empregos ganhando novos clientes e vendendo serviços para reduzir custos, disse Stern.

 

No ano que vem, a Edenred manterá uma taxa de pagamento de dividendos similar à desse ano, que foi de 90 por cento dos lucros, disse Stern.

 

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