O que era para ser bom, foi ainda melhor: os motivos para acreditar em novo rali de Localiza

Ação tem tudo para mudar de patamar na bolsa
Blog por Rafael de Souza Ribeiro  

SÃO PAULO - O que era para ser bom, foi ainda melhor. O resultado do segundo trimestre da Localiza (RENT3) surpreendeu até o analista mais otimista e deve fazer a ação mudar de patamar, tendo em vista a perspectiva de revisão para cima das projeções do mercado e a própria reação do mercado nesta sexta-feira (21) - logo na abertura (R$ 50,75), as ações deixaram para trás o topo histórico em R$ 50,13 e às 12h48 (horário de Brasília) operam em alta de 5%, cotadas a R$ 51,98.

Falando sobre o resultado, a receita líquida cresceu 40% frente ao segundo trimestre do ano passado, atingindo a marca de R$ 1,35 bilhão, enquanto o mercado esperava R$ 1,31 bilhão. O destaque mais uma vez ficou por conta do Seminovos, a "galinha dos ovos de ouros" da empresa. A receita do segmento saltou 63% na comparação anual, na esteira do crescimento de 46% dos carros vendidos e do plano de expansão de lojas - de 2016 para o primeiro semestre deste ano foram inauguradas 14 lojas, somando 91 estabelecimento em 59 cidades brasileiras.

No segundo trimestre, o volume de diárias da divisão de Aluguel de Carros apresentou crescimento de 29,2% e a receita líquida cresceu 21,2%, refletindo a redução de 6,7% na diária média, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, "a estratégia de controle de custos, produtividade e crescimento acelerado aumentou a rentabilidade, suportando a queda da diária média".

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Em vista de todo esse crescimento, o lucro líquido bateu novo recorde no segundo trimestre e somou R$ 129,3 milhões, superando em 13% a expectativa média do mercado. Para se ter uma ideia da força do número, o analista mais otimista, segundo o Consenso Bloomberg, esperava por R$ 117 milhões no período. E esses números surpreendentes foram enaltecidos pelos analistas.

"Sonoro resultado"
O BTG Pactual destacou a "alta qualidade" dos números e que devem sustentar as ações da empresa, mesmo subindo mais de 50% no ano. A equipe do Santander também se rendeu ao desempenho trimestral e acredita que motivará uma revisão para cima das projeções do mercado para 2017. O comentário mais contundente ficou por conta do BofA (Bank of America Merrill Lynch): "mantendo sua excelente execução, Localiza mais uma vez conseguiu superar o cenário macroeconômico desafiador e a competição feroz do setor para reportar um sonoro resultado".

Assim com o Santander, os analistas do BofA preveem uma rodada de reprecificação (para cima) das projeções do mercado e citam três fatores para tal : i) forte momentum de resultados; ii) robusto fundamento + vantagem competitiva frente aos rivais; iii) espaço para valorização em vista do múltiplo P/L (Preço/Lucro) projetado para 2018 ainda negociar em linha com a média histórica - desmistificando a tese que o papel está caro. "Mais importante ainda, Localiza deve ser capaz de apresentar taxas de crescimento [de margem] notáveis, mantendo os retornos em níveis elevados", finalizam.

Além de tudo isso, sempre é bom lembrar que a empresa se beneficia da queda da Selic, já que a estrutura de negócios da Localiza demanda que ela seja alavancada: é preciso financiar a frota (cerca de 70%) para depois ganhar com o aluguel dos automóveis. Aliada a perspectiva de fortes resultados para este ano, os analistas de Santander, BTG e BofA reforçaram a recomendação de compra para as ações - seguida à risca pela Localiza.

Logo após divulgado o resultado, a companhia aprovou um novo programa de recompra de ações, com objetivo de adquirir até 13 milhões de papéis em um ano. Assim, os diretores da Localiza deram um recado ao mercado - ainda há potencial de valorização para as ações mesmo subindo mais de 50% em 2017.

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br