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Não se deixe guiar por burocratas e tome as rédeas de sua vida financeira

Ter um Banco Central é algo que lembra mais a União Soviética ou a China do que algum país capitalista

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

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No final de 2005, próximo ao ápice de uma das maiores bolhas imobiliárias da história, Ben Bernanke, então quase presidente do Federal Reserve e membro do Conselho, disse em seu testemunho ao Congresso americano que não via um excesso nos preços dos imóveis no mercado de lá. Todos sabemos o que aconteceu com o setor pouco tempo depois, em 2007-08.

Ontem quase fomos surpreendidos por um aviso de Janet Yellen, ex-presidente do Fed, ao citar buracos gigantes no sistema que podem gerar uma crise financeira. Essa foi a mesma Yellen que no final de junho do ano passado, há menos de um ano e meio, disse que não haveria mais crises financeiras durante nossas vidas.

Mas não precisamos esperar um ano e meio para ver um presidente do Fed mudar radicalmente de opinião. No inicio de outubro, Powell, o atual presidente, disse que o Fed aumentaria a taxa de juros acima do que seria considerado neutro e que estávamos muito distantes da neutralidade naquela data.

No final de novembro, com o Fed funds rate apenas 0,02% acima do que estava no começo de outubro (mas as bolsas mais embaixo), Powell disse que a taxa de juros estava só um pouquinho abaixo do neutro.

E são esses senhores, de opiniões volúveis, que comandam o Banco Central da maior economia do mundo. Aliás, ter um Banco Central é algo que lembra mais a União Soviética ou a China do que algum país capitalista. Um monte de PhDs, com pouca ou nenhuma experiência além da puramente acadêmica, são colocados em cargos sem eleições e definem arbitrariamente qual será o custo do dinheiro para um país inteiro. 

Eles têm o monopólio da impressão de dinheiro e o controle da taxa básica de juros (preço do dinheiro), o que torna o poder deles absolutamente inigualável. São eles que decidem qual será o valor da hipoteca de milhões de pessoas, do financiamento do carro, do custo de uma faculdade financiada e de praticamente tudo o que consumimos hoje.

Estamos praticamente nas mãos desses PhDs, mas há passos que podemos seguir para diminuir tal dependência. Abrir contas em outros países, ter uma parte dos recursos aplicados em ouro ou commodities e uma boa educação financeira são passos que podemos tomar para diminuir nossa exposição a uma economia que caminha para uma situação insustentável.

Mencionei no post anterior nesse blog sobre grandes personalidades que, assim como eu, acreditam que estamos no final desse ciclo. Ray Dalio, gestor do maior hedge fund do mundo, na verdade acredita que estamos no final do ciclo longo e que as consequências de tanta dívida e de juros extremamente baixos por tanto tempo serão desastrosas.

Assim, em vez de nos deixar guiar por burocratas que nos puseram nessa rota de colisão, temos a oportunidade de tomar as rédeas de nossa vida financeira e fazer algo com ela. Agora é hora de ter cautela e nos instruir, para podermos aproveitar a situação que se desenha no horizonte. São nesses momentos de reversão que surgem as melhores oportunidades e é quando ocorrem as maiores transferências de fortunas.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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