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O que esperar para o setor automotivo brasileiro no 2º semestre?

Uma análise sobre os balanços das montadoras em 2019

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

automóveis carros
(Shutterstock)

Caro leitor, digníssima leitora; no final do mês de julho (semana passada) grande parte das montadoras publicaram o seu balanço com o resultado econômico-financeiro do seu conglomerado no primeiro semestre deste ano.

A nossa primeira impressão foi de que muitos executivos já devem estar com um sorriso (de orelha a orelha) só imaginando o quanto virá de PLR (bônus) no final do ano!

 Todos os balanços que analisamos apresentaram “bons” resultados. Sejam eles com ganhos excepcionais, ou então com prejuízos “aceitáveis”.

Vamos aqui pontuar algumas colocações que achamos interessantes. Primeiramente, delimitamos nossa amostragem. Vamos abordar os balanços da Ford (que explicará um pouco mais o fechamento da sua fábrica em São Bernardo do Campo); da FCA (mostrando que a pá-de-cal, tá cada vez mais perto) e da PSA (que mostrará que o futuro não nos compete).

FORD:

Para nós, a Ford é uma das montadoras (no cenário global) que vem (gradativamente) mostrando toda a sua força para se reinventar; e ela vem conseguindo. Focando apenas na parte automotiva, neste semestre a marca conseguiu um EBITIDA de 4,6%. Eles tiveram um ganho de quase US$ 3,4 bilhões.

O crescimento foi sustentado pelo excelente desempenho da América do Norte (vulgo EUA) com um EBITIDA de 7,9% - ou US$ 3,9 bilhões.

Caro leitor, você percebeu que os EUA geraram um EBITIDA de US$ 3,9 bi, e o resultado foi de US$ 3,4? Significa que alguém foi muito mal (vulgo América do Sul).

De fato, a América do Sul registrou um EBITIDA de -19,1%, ou um preju de US$ 362 milhões. Apenas anualizado o prejuízo constante da região, que vem desde 2013, ele já alcançou a cifra de US$ 6 bi.

PSA:

O grupo francês, depois de “voltar para a corrida” (back to race) tem como meta tirar todos da sua frente (push to pass). A marca do leãozinho registrou um ROI de 8,7%, um dos melhores resultados dos últimos MUITOS anos.

O grupo vem abrindo a sua cabeça para o "novo mercado". Além de vender carros, está atuando super forte em veículos usados; comercialização de peças e reparação automotiva; além de ser a primeira a possui um aplicativo para locação de seu veículos elétricos. Uh, lá, lá!

 

FCA:

Assim como as demais montadoras, a rentabilidade da marca se manteve neste primeiro semestre. Com um EBITIDA de 1,534 bilhão de euros, a Fiat prova que reascendeu ao Olimpo depois depois de incorporar a Chrysler.

OK, cara pálida. Tudo é muito lindo e maravilhoso, mas e aí?

Entonces, o grande problema não é o resultado, mas sim as perspectivas de futuro que as marcas apontam para nós (não só essas três, mas todas).

Vamos lá:

A Ford está cada vez mais focada em desenvolver veículos autônomos e eletrificados, tanto que já colocaram quase US$ 1,5 bilhão em dois anos e meio na divisão Mobility da empresa. Além disso, o foco da marca será o lançamento de SUV e de picapes (série F), além de aumentar a sua penetração no mercado Europeu. A América do Sul mal corresponde por 5,5% de suas vendas, e não vislumbramos qualquer tipo de “ressurreição” para a marca por aqui:

Já para a PSA, o mercado da América Latina mal chega a uma participação de 4%. Além disso, o grupo vem se consolidando cada vez mais como a montadora que entrará de cabeça na nova dinâmica do setor automotivo - e essa dinâmica ainda vai demorar para chegar por aqui.

Para a FCA, o grande problema é que: apesar das Américas serem rentáveis, 30% das vendas ainda dependem do mercado europeu, onde é preciso melhorar a eficiência energética para ontem - e as marcas do grupo estão atrasadas nisso.

Respondendo à pergunta inicial, o que devemos esperar para o mercado tupiniquim? Sinceramente, não vejo um futuro promissor.

1 – O mercado caminha para uma eletrificação onde, a priori, não consigo visualizar que acontecerá tão rapidamente por aqui. Estou mais para a máxima keynesiana, onde: “no longo prazo, estaremos todos mortos”. 

2 – Novos investimentos para o mercado da América do Sul, se encontram cada vez mais distantes. Veja a Ford, que nem sequer cogita em lançar um novo carro no Brasil. Desativaram a linha de caminhões, Focus e Fiesta. Hoje, só possuem o Ecosport (Kuga), a linha Ka (a jabuticaba brasileira) e a Ranger. Os executivos lá da Trumplândia foram extremamente pragmáticos ao fechar a fábrica de caminhões e a desativarem uma série de produtos. Tudo em busca de uma melhor performance.

3 – Fusões (nome simpático para aquisição) irão acontecer. A FCA vai se aliar (ser arrematada) por alguma marca francesa (hoje a chance é 80% Renault e 20% PSA).

Mas o ponto que encontramos em todos os balanços que analisamos, é que o mercado da América do Sul, 10 anos atrás (direto do túnel do tempo - como diria Cissa Guimarães), era o responsável por gerar certa rentabilidade para as marcas; hoje, não passa (em geral) de um peso morto.

Não vislumbramos um grande avanço tecnológico para os produtos que aqui são fabricados (se comparado com o que vai ser feito lá fora).

Mas aí você vai me falar de todo o planejamento que a Jeep fez (anunciou) nesse ano. Sim, é verdade...mas o que segura TODAS as montadoras aqui no Brasil tem nome e sobrenome: BENEFÍCIO  FISCAL (ou tributário, você escolhe).

Da mesma forma se você me falar que os carros elétricos já desembarcaram por aqui, como o feioso Toyota Prius ou o mais recente Nissan Leaf (o carro elétrico mais vendido no mundo) que custa a bagatela de R$ 195 mil. Ele está bem precificado para o mercado brasileiro (#sqn - nem com um desconto de 50% as vendas decolarão).

O exemplo aqui foi da PSA, Ford e FCA. Mas a história seria a mesma se eu falasse da: Renault, VW e GM. Ou de qualquer outra montadora.

Mas não se desespere! Afinal de contas: a regra (do mercado) é clara: sempre existirá mercado para o refugo.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

perfil do autor

Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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