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Verdades e mentiras sobre a fusão entre Fiat e Renault

No novo mercado automotivo, as mudanças acontecem em um ritmo acelerado. Precisa ser rápido para acompanhar. Quem não é, acaba sendo engolido pelo mercado. É isso que estar acontecendo com o grupo FCA

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

fiat jeep renault
(Shutterstock)

Caros leitores; digníssimas leitoras: o assunto do momento – no ramo automotivo – é sobre a possível fusão entre o grupo FCA (Fiat, Alfa Romeo, Maserati, Chrysler, Jeep e Dodge, entre outras) e a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi!

Ou seja, a “jurupoca piou” lá pelos lados do pessoal da FCA. Ou, como diz o estagiário caiçara (de Santos): A água bateu na bunda!

O pessoal do Infomoney já fez uma matéria (aqui), mostrando a carta oficial que o presidente da FCA mandou para os seus colaboradores. Tudo lindo e maravilhoso! Mas vamos analisar esse tema com a ótica do “lado oculto da lua”; aquele lado que ninguém vê ou fala.

Mas, como diria Jack, o estripador: VAMOS POR PARTES!

1º - O RENASCIMENTO

Um dos maiores méritos da família Agnelli foi ter conseguido incorporar (e criar) o grupo FCA, que foi a fusão (nome mais simpático para compra) da Chrysler pelo conglomerado da Fiat - isso lá em meados de 2014. Ela conseguiu abrir o mercado americano para o grupo; criou um processo de expansão dentro da marca Fiat; e elevou o grupo Italiano para outro patamar.

De fato, a fusão (compra) com a Chrysler foi um dos melhores momentos da indústria e principalmente para a Fiat. O italiano conseguiu fazer funcionar o que nem o alemão conseguiu (num passado não tão distante, tivemos a fusão da Daimler-Chrysler) - foi um verdadeiro gol de placa!

2º - O PROBLEMA

No mesmo período em que o dono da Velha Senhora fazia um golaço de placa no setor automotivo, dominava o jogo e jogava no mais alto nível, tomou aquele “gol bobo” que acabou levando o jogo para a prorrogação. Foi nessa época que a comunidade europeia tinha acabado de aprovar os novos limites de poluentes para começar a vigorar em 2020: reduzir as emissões para 95 CO², já no ano que vem.

Foi a partir dessa data que vários países começaram a adotar a métrica de “abolir o carro à combustão”. Alguns com metas audaciosas para 2025 e, em geral, toda a Europa para 2040. Foi a partir desse momento que começou a corrida para a “eletrificação” ou “hibridização” dos carros. Alguns países estão em um forte processo de “eletrificação” da sua frota (Ex. Portugal – que vai ser o nosso próximo post), e na Europa isso vai virar uma realidade.

3º - A EXTREMA-UNÇÃO

Segundo a Wikipedia: “...A unção dos enfermos (extrema-unção) é um sacramento católico dedicado aos enfermos, .... confere ao católico uma graça especial para enfrentar as dificuldades próprias de uma doença grave ou velhice. É conhecido também como ... o recurso, o "alívio" que leva o católico a poder suportar com fortaleza e em estado de graça um momento de trânsito”.

Em resumo, essa “fusão” entre os grupos mostra que: depois de um campeonato maravilhoso; aquele “gol bobo” tomado no final do segundo tempo tirou todo o gás do time, o qual não possui mais forças para reagir.

E é na "EXTREMA-UNÇÃO" que o pessoal da FCA se encontra. O tempo gasto para criar sinergia entre as duas empresas foi muito alto. Não que não valeria a pena. Valeu! Mas para sobreviver no mercado europeu,  precisaria passar por um processo de mudança muito grande; o qual não teve tempo para isso. O que é o mercado europeu para a FCA? Somente 30% das vendas. É um mercado MEGA competitivo; ONDE EU NASCI; e onde eu morrerei.

E é onde eu estou perdendo grande parte do meu dinheiro.

Sobre o processo de fusão, o que imaginamos?

O falecido Marchione já tinha essa visão. Depois de fazer o grupo FCA, precisava vendê-lo o quanto antes. Houve vários flertes com o pessoal da PSA (aqui), mas eles tinham pego a prima feia (Opel) e tinham débitos com os chineses.

Qual é a estratégia do italiano? Ele tá “ornando” a tia encalhada! Semana passada, o grupo anunciou um investimento bilionário no Brasil (aqui) e pretende fazer a inauguração do novo projeto da fábrica de Pernambuco semana que vem. Ou seja, estou gastando dinheiro numa “lipo” para ficar mais atraente e arrumar um pretendente.

E qual é o grande problema deles?

O PROBLEMA É QUE ELE PRECISA DE UMA SOLUÇÃO PARA ONTEM.

Além disso, eles estão procurando solução dentro da Europa. O noivo ideal seria o grupo PSA, já que seriam duas famílias tradicionais a comandar a empresa (eu particularmente torcia muito para isso – só imaginando as reuniões entre franceses e italianos).

O pretendente número dois seria a Renault. Só que ele esqueceu que (AGORA) a Renault depende da Nissan e ainda tem de arrumar um tempinho para dar atenção à Mitsubishi. Fora todo o enrosco com o Carlos Ghosn. Os japas nunca iriam aprovar uma medida dessas.

Pelo que foi proposto, na nova empresa, a Nissan ficaria com 1 cadeira de 11. Ou seja, sou dono de quase nada. A preocupação número 1 dos japas da Nissan deve ser como conseguir o “melhor divorcio” da Renault. Fusão com a FCA, nem em sonhos!

Quer dizer que eles não têm saída?

Lógico que tem! Algumas, como:

1. Encolher e abdicar de 30% do mercado;

2. “Baixar a bola” e fazer uma proposta mais realista;

3. Se a indiana Tata comprou a Land Rover; é bem mais fácil a FCA encontrar um chinês (no maior mercado de carros elétricos) desavisado para uma parceria (até a PSA arrumou um).

Por fim, o que acalenta o estagiário, é que o Agnelli continua com força total investindo na Juventus e garantindo a diversão aos finais de semana!

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui.

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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

 

perfil do autor

Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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