Witz adota IA agêntica e ganha 30 min por reunião no wealth management

Antes da adoção da ferramenta, cada consultor conseguia conduzir entre cinco e seis reuniões de prospecção por dia. Com o apoio da IA na preparação dos encontros, o número subiu para oito

Daniel Navas Osni Alves

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A gestora Witz Wealth conseguiu ampliar em cerca de 60% a capacidade de prospecção de seus consultores após implementar inteligência artificial em processos críticos do escritório. O caso foi apresentado pelo sócio da casa Mauricio Lins durante a 3ª edição do Gorila Wealth Trends, evento que debateu sobre estratégia e tecnologia para escritórios de investimentos, realizado no Teatro B32, na capital paulista (SP).

Segundo Lins, antes da adoção da ferramenta, cada consultor conseguia conduzir entre cinco e seis reuniões de prospecção por dia. Com o apoio da IA na preparação dos encontros, o número subiu para oito.

“Ganhamos 30 minutos por reunião”, afirmou. Além do volume, o executivo destacou que houve incremento relevante na taxa de conversão e que as conversas com clientes se tornaram mais ricas e bem fundamentadas.

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O ponto de partida foi resolver uma dor antiga do mercado: a leitura manual de carteiras enviadas pelos clientes em formatos variados, muitas vezes em PDF ou papel. O processo dependia de transcrição para planilhas de Excel, com alto risco de erro.

A solução desenvolvida pela casa permite ingerir a carteira em qualquer formato e gerar diagnóstico de classificação em poucos minutos, com qualidade controlada.

Lins reforçou que ele e os demais sócios não vêm do universo da tecnologia, mas chegaram à IA por meio de estudo e experimentação contínua, atacando primeiro problemas pequenos e mensurando ganhos de eficiência a cada etapa.

Da experimentação individual aos sistemas agênticos

A trajetória da casa começou com o uso de modelos de uso geral, como Gemini e GPT, em tarefas individuais. À medida que o time amadureceu o entendimento sobre as ferramentas, a casa migrou para o Claude na construção de sistemas internos, voltados a customizar conteúdos alinhados à filosofia de investimentos da gestora.

Em paralelo, a Witz iniciou um projeto de unificação de dados, considerado por Lins um dos maiores desafios estruturais do setor. “O mercado financeiro é à base de planilha, muitas vezes desconectadas”, observou.

A casa vinha trabalhando com diversos rótulos espalhados em fontes distintas e agora consolida essas informações em uma camada única, capaz de gerar leituras integradas sobre clientes e carteiras.

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Para acelerar a frente tecnológica, a gestora montou uma equipe dedicada de tech, encarregada de organizar a arquitetura de dados e dar sustentação aos novos fluxos automatizados.

O objetivo é permitir que o consultor identifique com rapidez o que precisa ser endereçado em cada relacionamento, quais pontos estão mais sensíveis e onde priorizar esforços comerciais.

Esse movimento, segundo o executivo, prepara o terreno para a operação genuinamente agêntica, na qual o sistema deixa de apenas responder consultas e passa a executar tarefas em nome do consultor.

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Segurança de dados e governança no centro do debate

Questionado sobre como o escritório lida com a proteção das informações dos clientes, Lins foi categórico: liberar IA aos colaboradores faz sentido, mas precisa vir acompanhada de governança clara.

“Não se pode colocar dados sensíveis na base da IA. Não é porque pagou plano Pro que pode confiar totalmente”, alertou.

A Witz adotou um conjunto de premissas básicas comunicadas a toda a equipe, regulando o tipo de informação que pode ser utilizada nas ferramentas e os fluxos seguros para tarefas que envolvam dados de cliente.

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Para o executivo, o tema é tão relevante quanto o próprio ganho de produtividade e exige reforço constante da cultura interna.

O esforço de unificação de dados também responde a essa preocupação. Centralizar as informações em ambientes controlados reduz a circulação de planilhas avulsas e diminui o risco de exposição em ferramentas externas. “Estamos começando a unificar para tudo conversar”, resumiu.

A combinação entre dado consolidado e modelo de IA permite, ainda, entregar ao consultor recomendações mais consistentes sobre próximos passos com cada cliente, em vez de leituras isoladas geradas a partir de fontes fragmentadas.

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O que faria diferente começando hoje

Convidado a olhar no retrovisor, Lins apontou que pulverizou demais o aprendizado entre os colaboradores no início da jornada. Se recomeçasse, ganharia profundidade em cada dor antes de avançar para a próxima.

“Listaria quais são as dores maiores para solucionar, quais são as dores que se conversam e podem ser solucionadas de forma similar”, afirmou.

A recomendação ao mercado é clara: selecionar criteriosamente os problemas a serem atacados é o primeiro passo. Só depois disso entra a etapa de aplicar IA, sempre acompanhada de estudo contínuo sobre o tema.

O risco de inverter essa ordem, segundo o executivo, é dispersar energia em iniciativas que não geram impacto material no negócio.

O balanço da experiência, na avaliação do sócio, é positivo. O investimento em inteligência artificial valeu a pena na Witz porque resolveu dores concretas e devolveu autonomia operacional aos times.

Segundo ele, os colaboradores passaram a trabalhar com maior independência, dedicando o tempo liberado a atividades de maior valor agregado, sobretudo no relacionamento com clientes.

Em suma, a transformação tecnológica no wealth management não depende de origem técnica dos sócios, mas de disciplina para mapear dores, experimentar com método e construir uma base de dados que sustente a próxima geração de ferramentas agênticas.