Volatilidade eleitoral pressiona investidor a buscar diversificação, alertam gestores

Disciplina e prudência são essenciais diante de juros altos e incertezas políticas, dizem CEOs da Kinea e SPX

Osni Alves

Ativos mencionados na matéria

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Entre os principais vencedores da premiação Outliers InfoMoney 2025, Kinea e SPX Capital dividiram palco para discutir os rumos do mercado diante de um cenário macroeconômico desafiador.

Márcio Verri, CEO da Kinea, e Bruno Marangoni, CEO da SPX, reforçaram a importância da diversificação de estratégias e da gestão ativa em um ano marcado por incertezas políticas e juros elevados.

“A gente está indo para um ano que, tipicamente, é o pior Sharpe Ratio do mercado, que é um ano de eleição”, afirmou Marangoni.

“Hoje me perguntaram se eu acho que o juro vai para 11 ou para 18 no próximo ano. Eu respondi: capaz de ir para os dois. É assim que funciona eleição no Brasil.”

— Bruno Marangoni, CEO da SPX

Cenário exige disciplina e prudência

Para o CEO da SPX, o cenário exige disciplina e prudência na alocação.

“É hora do investidor ter um portfólio balanceado, não colocar todos os ovos na mesma cesta, não estar só na renda fixa. Procurar bons gestores e aproveitar os benefícios da gestão ativa, que permitem o rebalanceamento constante do portfólio”, destacou.

Já Verri explicou como a estratégia de múltiplas verticais tem permitido à Kinea atravessar diferentes ciclos econômicos desde 2008.

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“Desde o início, nós tínhamos a visão de ser uma asset com diversas estratégias. Isso nos deu resiliência para enfrentar períodos de juros altos, crises e mudanças no apetite de risco dos investidores”, disse.

O executivo reforçou que a filosofia da casa está pautada pela visão de longo prazo e pela relação fiduciária com os clientes.

“O nosso chefe é o cliente. E ele não quer saber se você foi bem em um fundo enquanto outro está performando mal. O compromisso é entregar dentro de cada mandato”, afirmou.

Tendência de investidores 

Os gestores apontaram para a tendência de investidores ainda mais avessos ao risco no curto prazo, favorecendo fundos de crédito privado e produtos isentos de imposto.

Mas, na visão de Marangoni, essa concentração excessiva pode ser perigosa.

“Construir uma asset para durar 30 ou 50 anos não passa por se seduzir com movimentos de curto prazo. É preciso manter diferentes verticais, porque os ciclos mudam e os produtos se alternam em relevância.”

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Verri acrescentou que, mesmo em momentos desafiadores, a Kinea evita desmontar equipes ou abandonar estratégias.

“Quando a gente decide ter uma vertical, a gente vai com ela até dar certo. O investidor de ações, por exemplo, é muito sensível e tende a entrar depois da alta. É preciso paciência e disciplina para atravessar essas janelas ruins”, concluiu.