Fim da isenção na renda fixa acelera corrida por produtos no segundo semestre

Gestores da SPX e da Kinea avaliam impacto das mudanças tributárias e veem previdência e crédito estruturado como apostas para o futuro.

Osni Alves

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A corrida pela renda fixa isenta deve marcar o segundo semestre de 2025. O alerta foi dado por Bruno Marangoni, CEO da SPX Capital, e Márcio Verri, CEO da Kinea Investimentos, em entrevista ao podcast Outliers, do InfoMoney, gravado durante a Expert XP 2025.

Segundo os gestores, o movimento é impulsionado pelas expectativas de mudanças tributárias que podem acabar com benefícios fiscais em alguns produtos de renda fixa, dentro dos esforços do governo de elevar a arrecadação. O investidor brasileiro, afirmam, corre para aproveitar a última janela de isenção antes da possível taxação.

“Esse segundo semestre será lembrado como o último da renda fixa isenta. O investidor vai correr atrás dessas emissões não necessariamente olhando para o que há de melhor em termos de retorno, mas pelo medo de perder a oportunidade.”

— Márcio Verri, CEO da Kinea Investimentos

Investidores seguem fluxo, mas ignoram riscos

Marangoni destacou que a indústria de gestão precisa oferecer diversificação e não se prender apenas às ondas de curto prazo ditadas pelos juros. Ele lembrou que o apetite do investidor brasileiro muda rapidamente: quando a Selic estava em 2%, havia demanda por venture capital; agora, com os juros em 15%, só se fala em renda fixa.

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“Construir uma gestora olhando apenas para o frenesi de curto prazo não faz sentido. Os ciclos mudam e o papel do gestor é manter diferentes verticais com valor agregado.”

— Bruno Marangoni, CEO da SPX Capital

Apesar da corrida para ativos isentos, Marangoni acredita que esse movimento precisa ser observado com cautela.

“Já vimos um fluxo colossal para esses produtos, mas não faz sentido investir só pela isenção. Existem boas oportunidades, mas também muita coisa que perdeu atratividade”, ressaltou.

Previdência ganha relevância com mudanças regulatórias

Para além da renda fixa, os gestores apontaram a previdência privada como uma das grandes vencedoras da atual conjuntura.

Marangoni lembrou que a indústria evoluiu muito desde 2018, ganhando sofisticação e redução de custos, e hoje se aproxima dos fundos tradicionais em termos de portfólio e eficiência.

“Com as propostas de taxação sobre fundos isentos e até sobre os tradicionais, a previdência deve sair fortalecida. Ela tem incentivo de longo prazo, não possui come-cotas e pode chegar a 10% de imposto após 10 anos. Isso faz sentido como política pública.”

— Bruno Marangoni, CEO da SPX Capital

Na avaliação do executivo da SPX, a previdência ainda tem espaço para crescer e se consolidar como alternativa preferencial de poupança de longo prazo.

“Não faz sentido uma LCA de 30 dias ser isenta e um fundo de previdência pagar imposto após 10 anos. Esse é um ponto que precisa ser repensado”, completou.

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Crédito estruturado e imobiliário: apostas para 2026

O crédito estruturado foi outra aposta mencionada pelos gestores. Com juros altos, muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar passivos de curto prazo, o que abre espaço para soluções alternativas de financiamento.

“Estamos vendo empresas com ativos valiosos, mas sem liquidez. O crédito estruturado pode atuar na reestruturação e gerar boas oportunidades. Estruturas como cotas sênior e subordinadas vieram para ficar e ajudam o investidor a acessar produtos mais sofisticados com proteção adicional”, avaliou Marangoni.

Verri acrescentou que o setor imobiliário também deve ganhar protagonismo. Para ele, os fundos imobiliários evoluíram para além da renda de aluguel e hoje permitem até desenvolvimento de projetos dentro de estruturas isentas.

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“Há um shift (mudança de modelo) gigante do crédito imobiliário para os fundos. Ainda há muito a ser explorado e esse é um segmento que me deixa bastante animado.”

— Márcio Verri, CEO da Kinea Investimentos