Sparta: Mera tramitação da MP já tem impacto no preço de ativos e decisão de alocação

Movimentação do governo com medidas provisórias e decretos provoca reações rápidas de investidores e gestores, avalia CEO da Sparta

Osni Alves

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A avaliação da Sparta é que a mera tramitação da medida provisória em tramitação no Congresso já tem impacto direto nos preços dos ativos de crédito e nas decisões de alocação. “A revogação do IOF (imposto sobre operações financeiras) foi positiva, mas não matou o assunto. Tem muita água para rolar e, enquanto isso, investidores estão antecipando movimentos”, disse Ulisses Nehmi, CEO da gestora Sparta.

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O executivo destacou que, mesmo com spreads comprimidos — o que costuma indicar um prêmio menor de risco — os ativos continuam atrativos do ponto de vista de retorno líquido, especialmente para investidores de longo prazo. “A conta é simples: com o aumento da alíquota de IR de 15% para 17,5%, o valor da isenção pode saltar de 2,6% ao ano para 3,2%. Isso faz uma diferença brutal”, calculou.

As empresas também estão se movimentando para captar antes que os custos subam. “O mercado reagiu muito rápido. Saiu a MP e, no mesmo pregão, os spreads das debêntures incentivadas fecharam ainda mais. Mas a diferença para ativos tributados ainda é significativa”, afirmou Nehmi.

Segundo ele, mesmo as instituições financeiras devem reavaliar posições. “Há uma mudança sutil na MP que praticamente inviabiliza que bancos continuem carregando debêntures incentivadas. Isso pode gerar volume significativo no mercado secundário”, observou.

Ulisses Nehmi participou do programa Outliers, do InfoMoney, conduzida por Clara Sodré e Fabiano Cintra, ambos analistas de fundos da XP. “Estamos diante de uma corrida pela isenção e ela pode favorecer quem se mover rápido”, disse. A reabertura dos fundos de debêntures incentivadas da casa, após longo período fechados, é uma resposta direta ao novo ambiente.

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Segundo ele, há uma antecipação de alocações por parte tanto de investidores quanto de empresas emissoras, com receio de perder benefícios fiscais. “O investidor já percebeu que o governo quer fechar essa portinha. Então, quem puder garantir isenção agora, está correndo para isso”, explicou. A estratégia da Sparta, portanto, foi abrir os fundos antes do fim do ano, para aproveitar essa janela.