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A Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), vai disponibilizar em português o Guia de Orientação Prática: Uso da Inteligência Artificial no Planejamento Financeiro, desenvolvido pelo Financial Planning Standards Board (FPSB).
A publicação apresenta diretrizes para que planejadores financeiros incorporem a inteligência artificial às suas atividades de forma responsável, preservando os padrões éticos e técnicos da profissão. O documento estabelece que a IA deve funcionar como uma ferramenta de apoio, enquanto a responsabilidade pelas recomendações permanece integralmente com o profissional.
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Nos últimos anos, a inteligência artificial ganhou relevância na indústria financeira, transformando processos de análise, organização de informações e relacionamento com clientes. O levantamento global realizado pelo FPSB em 2025, com a participação de mais de 6,2 mil planejadores financeiros de 24 países, aponta que dois em cada três entrevistados afirmam que suas organizações já utilizam ou pretendem adotar soluções de IA nos próximos 12 meses.
O estudo também mostra que 78% dos profissionais acreditam que a tecnologia pode contribuir para melhorar o atendimento aos clientes, enquanto 60% avaliam que ela poderá ampliar a qualidade do aconselhamento financeiro.
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Esse recurso já aparece em diferentes etapas da atuação dos planejadores. Dados do estudo indicam que a inteligência artificial vem sendo utilizada principalmente na comunicação com clientes (41%), marketing (35%), integração de novos clientes (34%), coleta de informações (33%) e definição do perfil de risco dos investidores (30%). O levantamento também aponta aplicações em modelagem de cenários, projeções de aposentadoria, análise de fluxo de caixa, otimização tributária e monitoramento de carteiras, sempre com a necessidade de revisão e validação por profissionais qualificados.
As orientações sobre conduta profissional diante do uso da IA são um dos principais pontos do guia. O material recomenda que os planejadores conheçam previamente as ferramentas utilizadas, compreendam suas limitações e avaliem criticamente os resultados gerados. A publicação orienta ainda que nenhuma recomendação ao cliente dependa exclusivamente de respostas automatizadas, considerando que sistemas de inteligência artificial podem apresentar vieses, deixar de considerar informações relevantes ou produzir conteúdos incorretos.
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Para Thais Pessoa, gerente de Comunicação e Relações Institucionais da Planejar, o guia contribui para transformar o debate sobre inteligência artificial em práticas mais concretas para o mercado. “A expansão da inteligência artificial é inevitável. Por isso, criar diretrizes torna-se tão importante. Os planejadores financeiros certificados já atuam sob rigorosos critérios de ética, transparência e foco no cliente. É fundamental manter essas premissas ao incorporar novas tecnologias. O guia funciona como uma bússola nesse novo cenário, ajudando a separar o que a inteligência artificial pode acelerar daquilo que ainda depende de análise, sensibilidade e julgamento humano”, destaca.
Entre os princípios apresentados pelo documento estão integridade, objetividade, justiça, confidencialidade e diligência. As recomendações incluem comunicar aos clientes quando recursos de IA forem utilizados no processo de planejamento financeiro, adotar medidas de proteção de dados pessoais e evitar plataformas públicas que não ofereçam garantias adequadas de privacidade. O guia também orienta o acompanhamento contínuo das soluções adotadas, a identificação de possíveis vieses discriminatórios e a observância das normas regulatórias e políticas internas das organizações.
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Além dos aspectos tecnológicos, a publicação destaca que o planejamento financeiro continua sendo uma atividade baseada na relação humana. O FPSB observa que clientes buscam compreensão, julgamento e parceria para alcançar seus objetivos de vida, e lembra que a inteligência artificial não reduz nem transfere a responsabilidade do profissional que presta o serviço. Atualmente, o Brasil ocupa a quinta posição global em número de profissionais CFP®, com mais de 12 mil certificações.