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Com pouco mais de um ano de CNPJ, a consultoria de investimentos Oregon Invest revela uma equação enxuta que sustenta seu crescimento acelerado no mercado financeiro: a cada R$ 1 milhão captado, a empresa desembolsa cerca de R$ 2 mil em mídia digital.
O modelo foi apresentado nesta quarta-feira (6) por Felipe Mahler, um dos fundadores da casa, durante a 3ª edição do Gorila Wealth Trends, realizada no Teatro B32, na capital paulista.
Nos últimos seis meses, a Oregon captou entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões exclusivamente pelo canal digital, com investimento mensal de R$ 50 mil a R$ 80 mil em anúncios pagos.
A meta para maio é arrojada: chegar a R$ 100 milhões captados, com expansão prevista de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões a cada novo mês.
“Eu era um cara que não acreditava que cliente grande estava nas redes. Achava que era papo de marketing, e não é a experiência que estamos tendo”, afirmou Mahler ao público formado por executivos de escritórios de investimentos.
A operação é sustentada por uma estrutura de oito pessoas dedicadas ao atendimento dos clientes captados pelo funil digital — modelo que o executivo batiza de “máquina de pipeline”.
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Meta e Google, os “maiores sócios”
Mahler é direto ao definir quem realmente paga a conta da escalada digital. “Hoje o maior sócio da empresa é a Meta (M1TA34) e o Google (GOGL34). O maior custo das empresas é esse”, disparou o fundador, em referência ao volume crescente investido em anúncios nas plataformas.
Justamente por isso, segundo ele, é inviável que uma consultoria nascida no digital se sustente apenas com a receita de assessoria. “Uma consultoria que vai pagar para captar cliente na internet e só usar para assessoria, depois de um tempo acaba não tendo margem”, afirmou.
A saída da Oregon foi diversificar: a casa mantém grupo de investimentos, infoprodutos e a consultoria, reaproveitando o mesmo lead em diferentes frentes de monetização.
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A estratégia também responde a uma dor crônica do mercado de assessoria — custo de aquisição alto combinado a baixa retenção. Mahler relata ter perdido clientes ao longo dos anos no modelo analógico tradicional, em geral porque vinham “pelos motivos errados”.
A Oregon começou com tudo internalizado para construir tese própria, e só recentemente passou a terceirizar a gestão de mídia para uma empresa externa que já operava infoprodutos da casa.
“Mídia todo dia tem novidade, algoritmo que muda no Google, na Meta. Com time interno a gente não chega onde quer chegar”, justificou.
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YouTube vende, Instagram constrói marca
Na frente de conteúdo, a divisão de papéis é clara — e contraria o senso comum do setor. A Oregon não vende pelo Instagram. Vende credibilidade, e credibilidade, segundo Mahler, se constrói com tempo de tela.
A aposta principal é em vídeos longos e densos no YouTube, com recortes redirecionados para o Reels. “Quando a gente vende consultoria, não vende like, conteúdo, mas sim credibilidade”, explicou.
O Instagram funciona como vitrine de marca: o investidor descobre o consultor pelo YouTube e migra para o perfil para acompanhar a rotina da casa.
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Sobre o time comercial, o fundador admite que ainda não consegue formar consultores do zero na velocidade que o crescimento exige.
A saída tem sido atrair profissionais sêniores estagnados em outras casas, com carteira parcialmente consolidada, oferecendo leads, estrutura e operação para que escalem para R$ 300 milhões ou R$ 500 milhões sob gestão.
“Não tem o profissional que queremos sem carteira, mas queremos fazer dessa forma: dar operacional, lead, estrutura para ele bater seus 300, 500 milhões”, disse.
Para Mahler, o erro mais comum entre concorrentes é não nichar a operação — falha que, na sua leitura, condena consultorias digitais à estagnação no médio prazo.
