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A expansão do número de assessores de investimentos no Brasil resume uma mudança estrutural do mercado financeiro nas últimas duas décadas: a passagem de um modelo mais concentrado nos grandes bancos para um ecossistema mais aberto, competitivo e apoiado em plataformas digitais, escritórios especializados e orientação personalizada.
Nesse processo, a XP (XPBR31) ocupa papel central. A companhia chega aos 25 anos com uma trajetória iniciada em 2001, no mesmo período em que a atividade de agente autônomo de investimento começava a ser mais claramente regulada no país.
Nas décadas seguintes, a XP se consolidou como uma das principais impulsionadoras da plataforma aberta de investimentos no Brasil.
A expansão do setor, como um todo, aparece nos números. Em 2016, eram 4.565 assessores de investimento credenciados no país, segundo dados da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), que apura esses dados há dez anos.
Até março de 2026, último dado disponível, o total de assessores de investimento havia se multiplicado por seis, chegando a 27.721. Desse total, cerca de 18 mil, até o fim do quarto trimestre de 2025, eram da XP.
Já o número de escritórios no Brasil passou de 1.113, em 2018, para 1.423 em março de 2026, avanço de 27,8%, também conforme dados da Ancord, que acompanha essa base há oito anos.
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Sofisticação do investidor
Esse avanço acompanha a sofisticação do investidor brasileiro, que passou a lidar com uma oferta maior de produtos, mais informação e decisões financeiras cada vez mais relevantes para a construção e preservação de patrimônio.
Em um ambiente com mais alternativas de alocação, maior autonomia decisória e produtos cada vez mais sofisticados, a orientação qualificada ganhou importância.
A figura do assessor, nesse sentido, passou a ocupar um espaço estratégico na relação entre o investidor e o mercado, ajudando a traduzir informações técnicas, organizar objetivos financeiros e apoiar decisões de longo prazo.
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Para Rafael Furlanetti, presidente da Ancord e sócio-diretor institucional da XP Inc., a expansão do número de assessores faz parte do avanço da democratização do processo de investimento do brasileiro.
“O Brasil é um país de dimensões continentais e essa pluralidade é importante para a expansão do mercado de capitais brasileiro. Precisamos democratizar cada vez mais o acesso dos investidores a profissionais que podem oferecer um atendimento mais personalizado, respeitando as características regionais”, diz.
Assessoria de investimentos
A ampliação da rede de atendimento também ganha relevância em momentos de mudanças socioeconômicas, avanço acelerado da tecnologia e surgimento de novos modelos de negócio, fatores que influenciam de forma mais direta a tomada de decisões financeiras.
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Para investidores, isso significa mais oportunidades, mas também mais riscos e maior necessidade de acompanhamento técnico.
Nesse contexto, o assessor moderno deixa de ser visto apenas como um intermediário de produtos. Sua função passa a envolver educação financeira, leitura de cenário, adequação de portfólio, comunicação de riscos e acompanhamento contínuo da estratégia definida com o cliente.
Francisco Amarante, superintendente da ABAI (Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos), afirma, em coluna para o InfoMoney, que o papel do assessor atual vai além da execução de ordens ou da apresentação de uma vitrine de produtos.
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“Muito além de executar ordens ou apresentar uma vitrine de produtos, o assessor atual é um profissional que traduz, educa, protege e guia. Ele representa um elo essencial entre o investidor e um sistema financeiro que, muitas vezes, parece inacessível. E, quando exerce seu trabalho com ética, técnica e foco genuíno no cliente, transforma não apenas carteiras de investimentos, mas toda a experiência do investidor com o mercado.”
Segundo Amarante, a evolução da profissão acompanha o amadurecimento do investidor e a demanda crescente por transparência. O assessor que se destaca, afirma, é aquele que constrói confiança, comunica com clareza e atua com padrões elevados de diligência e responsabilidade.
Essa discussão também passa pelos modelos de remuneração. Taxa fixa, comissão por produto e fee sobre patrimônio são formatos que podem coexistir, desde que estejam adequados ao perfil, aos objetivos e às preferências do cliente.
A taxa fixa tende a oferecer previsibilidade e atendimento contínuo. A comissão por produto remunera o profissional quando há transação. Já o fee sobre patrimônio está associado ao acompanhamento integral da carteira e ao alinhamento de interesses ao longo do tempo.
Mais importante do que o modelo escolhido, segundo Amarante, é a adequação. O assessor de excelência deve expor vantagens e limitações de cada formato, explicar quanto ganha e deixar claro por que determinada estrutura faz sentido para aquele cliente.
Confira, em números, a evolução do setor:
Assessores de investimento credenciados
2016 – 4.565
2017 – 5.178
2018 – 6.634
2019 – 9.604 (em dezembro, a XP fez abertura de capital na bolsa de NY)
2020 – 12.784
2021 – 17.010
2022 – 21.913
2023 – 24.931
2024 – 26.648
2025 – 27.341
2026 – 27.721 (até março)
Fonte: Ancord
Escritórios de assessores de investimento credenciados
2018 – 1.113
2019 – 1.143
2020 – 1.166
2021 – 1.176
2022 – 1.254
2023 – 1.257
2024 – 1.390
2025 – 1.418
2026 – 1.425 (até março)
Fonte: Ancord
Perfil dos profissionais por faixa etária atualmente:
- Em relação ao perfil etário, jovens entre 18 e 25 anos representam 11% do total de assessores de investimento.
- A maior concentração está na faixa de 26 a 45 anos, que responde por 64% dos profissionais.
- Aqueles com idade entre 46 e 55 anos correspondem a 16%, enquanto os acima de 56 anos somam 9%.
Fonte: Ancord
Concentração por regiões (março/2026):
Sudeste – concentra 61,7% do total de AI’s
Sul – concentra 24,4% do total de AI’s
Nordeste – concentra 7,2% do total de AI’s
Centro-Oeste – concentra 5,4 do total de AI’s
Norte – concentra 1,3% do total de AI’s
Assessores por região (março/2026):
Norte: 367 (Destaque: Pará, com 172 assessores)
Nordeste: 2.000 (Destaque: Bahia, com 564 assessores)
Centro-Oeste: 1.500 (Destaque: Goiás, com 605 assessores)
Sudeste: 17.094 (Destaque: São Paulo, com 11.092 assessores)
Sul: 6.760 (Destaque: Rio Grande do Sul, com 2.936 assessores)