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A política fiscal brasileira vive uma contradição: enquanto há discursos públicos a favor da redução de gastos, setores privilegiados buscam, nos bastidores, benefícios fiscais e regimes especiais. A constatação é de Ivan Barboza, sócio e gestor da Ártica Capital, em análise sobre o impacto dessa dinâmica na economia e nos investimentos.
Segundo Barboza, o Estado funciona como uma “máquina maluca de redistribuição de dinheiro”, em que recursos são transferidos sem critérios claros, atendendo tanto camadas mais baixas quanto setores empresariais com lobby forte. Para ele, essa lógica cria incentivos perversos e dificulta o crescimento da produtividade nacional.
“Todo grupo que consegue força política vai atrás de benefícios fiscais. Benefício fiscal é gasto do Estado. Não tem como diminuir o gasto dando isenção”, afirma Barboza, que também critica programas sociais que estimulam informalidade e subdeclaração de renda.
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Brasil segue operando sob um modelo de ajustes incrementais
A análise foi realizada no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. Durante a entrevista, Barboza ressaltou que, apesar da necessidade de reformas, o Brasil segue operando sob um modelo de ajustes incrementais, sem grandes surpresas positivas no horizonte.
O gestor enfatizou ainda que, do ponto de vista do investidor estrangeiro, a manutenção do sistema atual é vista como o pior cenário possível:
“Quando você fala com o estrangeiro, ele vê o pior dia como a continuidade do que já temos”
Barboza também abordou a cultura de impostos sobre consumo no país, destacando que grande parte da população não percebe a carga tributária que incide sobre produtos essenciais, diferentemente de países como os Estados Unidos, onde os impostos são mais visíveis na ponta do caixa.
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Isenção tributária não diminui gasto
O episódio trouxe à tona ainda a influência do lobby empresarial na definição de políticas públicas, mostrando que mesmo grupos com intenção de reduzir gastos enfrentam barreiras estruturais e culturais profundas.
Segundo Barboza, “a partir do momento que você puxa um benefício social para você, está divulgando que o Estado gasta mais com você. Toda isenção tributária não diminui gasto”.