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O cenário atual da Bolsa brasileira está longe de ser o fim da linha para quem busca oportunidades.
Na visão de Gustavo Heilberg, CEO da Hix Capital, e Rodrigo Heilberg, CIO e gestor de ações da casa, o pessimismo excessivo abriu espaço para ganhos expressivos — tanto que os seus fundos acumulam alta entre 35% e 40% no ano, frente aos cerca de 25% do Ibovespa.
“O cenário está menos pior do que todo mundo imaginava, mas ainda muito aquém do potencial que pode chegar”, afirmou Gustavo. Segundo ele, o mercado precifica um Brasil travado, mas há “ativos reais com carrego muito bom e upside gigante”.
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Entre os fatores de risco, o principal segue sendo o fiscal. Os irmãos enxergam dois possíveis caminhos à frente: um em que o governo mantém o atual ritmo de gastos, o que tornaria o NTNB [título público do governo] um ativo mais defensivo, e outro em que um ajuste fiscal de fato ocorra — nesse caso, a Bolsa ganharia tração e entregaria um retorno superior.
Apostas mais convictas
As análises foram feitas no Stock Pickers, podcast especializado em mercado de ações apresentado por Lucas Collazo. No episódio, os gestores detalharam suas apostas mais convictas e a estratégia da Hix Capital de concentrar posições em negócios com fluxo de caixa previsível e baixo endividamento.
“Estamos mais leves em setores muito dependentes de renda e mais concentrados em ativos ligados à infraestrutura e energia”, explicou Rodrigo.
Ele citou como principais posições Eneva (ENEV3), Horizon (ORVR3), OceanPact (OPCT3), Plano & Plano (PLPL3), Hapvida (HAPV3) e GPS (GGPS3).
“São empresas dominantes em seus setores, pouco alavancadas e negociando a preços muito interessantes.”
Lixo que vira energia: a aposta da Hix na Horizon
Entre os cases mais emblemáticos, a Horizon é uma das queridinhas da casa.
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“Começamos acompanhando no IPO (Oferta Pública Inicial), quando a empresa tinha cinco aterros sanitários. Hoje são quase 20”, disse Rodrigo Heilberg.
A companhia consolidou o setor de resíduos no Brasil e vem monetizando novas fontes de receita, como a produção de biometano e créditos de carbono.
“É um negócio que entrega estabilidade, crescimento e alto retorno sobre capital. Esse tipo de empresa você carrega por dez anos, porque vai compondo valor ano após ano”, afirmou.
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Segundo o gestor, a Hix estruturou até um veículo específico e assumiu assento no conselho da empresa para acompanhar de perto a evolução da tese.
O paralelo com o mercado americano também inspira confiança.
“Nos Estados Unidos, empresas como Waste Management e Republic Services trilharam o mesmo caminho — e o maior acionista delas é o Bill Gates”, lembrou Rodrigo, destacando que o modelo da Horizon segue trajetória semelhante, mas ainda em estágio inicial no Brasil.
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OceanPact: reprecificação e vento a favor no petróleo
Outra aposta relevante é a OceanPact, companhia que presta serviços marítimos de apoio à produção de petróleo. O setor passou anos em crise após o colapso do preço do barril em 2014, mas agora vive uma reviravolta.
“O excesso de embarcações acabou, o mercado ficou apertado e os contratos estão sendo reprecificados. As tarifas já subiram 50% e devem subir outro tanto”
Segundo ele, a empresa deve multiplicar seu EBITDA de R$ 270 milhões em 2022 para cerca de R$ 1 bilhão em 2027.
“É um caso clássico de reprecificação de ativos, com contratos longos e alto grau de previsibilidade. Além disso, há ainda um crédito judicial relevante contra a Petrobras, que representa cerca de um terço do valor de mercado da companhia e não está precificado.”
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Plano & Plano: o Minha Casa Minha Vida como colchão de segurança
Mesmo com juros ainda elevados, a Hix mantém posições em incorporadoras ligadas ao programa habitacional Minha Casa Minha Vida.
“A Plano & Plano negocia a cinco vezes o lucro do ano que vem, o que implica retorno de quase 20% ao ano em caixa. É um nível de rentabilidade muito alto para o risco que se corre”
Para o gestor, a principal variável do setor é o emprego — e não necessariamente o ciclo de juros. “O volume de unidades vendidas pelo programa só aumentou nos últimos anos, mesmo com a Selic alta, porque há subsídio nas taxas e nas unidades”, explicou.
Ele reconhece que uma eventual alta no desemprego seria um risco, mas considera que o ambiente de estímulo fiscal deve sustentar o setor por mais tempo.
Além da atratividade do preço, a confiança vem da qualidade da gestão. “A Plano & Plano tem como sócios a Cyrela (CYRE3) e o fundador Luna, gente que faz isso há décadas e entrega consistência. A empresa deve crescer cerca de 30% em lançamentos neste ano”, destacou Rodrigo.
Estratégia de longo prazo e empresas “small caps que estão small caps”
A filosofia da Hix Capital é buscar companhias que ainda são consideradas small caps, mas que têm potencial de se tornarem grandes players. “A gente gosta de empresas que estão pequenas, não que são pequenas”, explicou Rodrigo.
“Elas têm previsibilidade de resultados, alto retorno sobre o capital e um carrego que compensa mesmo em momentos de desalinhamento de valuation.”
No fim, é uma estratégia paciente, focada em fundamentos sólidos e pouco dependente dos humores do mercado.
Como resumiu Gustavo Heilberg: “A Bolsa brasileira segue sendo um ativo real com carrego muito bom e um potencial de valorização enorme — justamente quando quase ninguém tem.”
